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Em Maceió, G20 aprova princípios globais sobre economia digital

Documento será enviado para cúpula de líderes do G20 que se reúne em novembro no Rio
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Encontro G20 em Maceió
G20 aprova por aclamação agenda robusta para economia digital em reunião ministerial em Maceió. Foto: Audiovisual G20

A semana de reuniões do G20 em Alagoas foi encerrada no final da noite desta sexta-feira (13) com a confecção da Declaração de Maceió, onde ministros assumiram compromissos de economia digital e uso de inteligência artificial. O documento será enviado para a Cúpula de Líderes do G20 que será realizada no Rio de Janeiro em novembro. O documento também foi considerado um marco, quebrando um jejum de quatro anos sem declarações do grupo.

Na carta, os ministros assumiram compromissos por garantir mais infraestrutura para a inclusão digital e melhorar as condições de conectividade nos países; promover o governo digital para ampliar o acesso dos cidadãos aos serviços públicos; criação de sistemas de Inteligência Artificial mais inclusivos e justos; e, pela primeira vez na história do fórum, uma declaração sobre combate à desinformação na internet.

Clique aqui e acesse a Declaração na íntegra

Juscelino Filho, ministro das Comunicações e anfitrião da reunião ministerial, avaliou que o G20 Brasil fecha os debates do grupo de trabalho com “sentimento de dever cumprido” e em colaboração para que a agenda avance na África do Sul, país que assume a presidência do fórum em dezembro.

“A África do Sul já definiu os temas prioritários para o próximo ano e manteve três dos nossos temas para dar sequência no trabalho. Vamos trabalhar juntos para aprimorar ainda mais as políticas e tecnologias para que a gente possa fazer dela sempre um uso melhor para as pessoas”, celebrou.

Solly Malatsi, ministro das Comunicações e Tecnologias Digitais da África do Sul, indicou que seguirá trabalhando com o Brasil para encontrar soluções não somente para as economias dos dois países, mas para tirar as pessoas da pobreza, elevando o poder da tecnologia para enfrentar os problemas da conjuntura. “É uma responsabilidade enorme para nós dirigirmos a agenda africana, mas também usarmos nossa voz em ser parte dos pioneiros que têm soluções no nível global”, assegurou Malatsi. 

Inteligência artificial e combate a desinformação em debate no G20

Ao longo da sexta-feira, diversas autoridades e ministros brasileiros debateram sobre economia digital e outros temas. O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, destacou que economia digital é o novo eixo dinâmico da economia global, crescendo a um ritmo mais acelerado do que a economia como um todo.

“Aqui no Brasil estamos vivendo, de maneira concreta, esse processo de transformação proporcionado pela economia digital. O comércio eletrônico brasileiro, por exemplo, cresce a taxas anuais de dois dígitos, devendo chegar a 40% do total de vendas do varejo brasileiro nos próximos 4 anos”, disse Juscelino Filho.

Ele destacou que, ao assumir a presidência do G20, Lula indicou que um dos temas que iriam balizar a agenda seria a inclusão social. “Assim, aqui no Grupo de Trabalho, a abordagem foi da inclusão digital como uma dimensão da inclusão social, com seu poder transformador na geração de emprego e renda na economia, no acesso a serviços digitais de governo, assim como no entretenimento, lazer e participação social ativa”, frisou o ministro.

A ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos do Brasil, Esther Dweck, citou dois projetos trabalhados nos encontros. Um deles é a nova carteira de identidade, que possibilitará mais segurança e mais facilidade no acesso a políticas públicas.

“O segundo ponto que a gente trouxe e que foi aceito pelos 25 países que participaram é sobre práticas para compartilhamento de dados no setor público e setor privado. O presidente Lula pediu que a gente tivesse a base de dados do Brasil para melhorar nossa capacidade de conhecer a população brasileira e prestar melhores serviços públicos, como melhorar esse compartilhamento de dados, garantindo segurança e privacidade”, afirmou.

Outro eixo das discussões, a inteligência artificial é tratada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a que a ministra Luciana Santos chamou de terceira onda da tecnologia da informação e vai impactar nos serviços. Ela ainda destacou o trabalho que tem sido feito com relação ao armazenamento de dados do governo brasileiro.

“Queremos ter autonomia, queremos que nossos dados fiquem na nossa nuvem soberana. Investir R$ 23 bilhões é plano factível que vai colocar o país, nos próximos cinco anos, entre os computadores com maior capacidade de armazenamento do mundo e será compartilhado com os países do sul global nessa perspectiva de aprimorar a colaboração internacional”, destacou.

O secretário da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, João Brant, falou sobre integridade da informação, frisando que, pela primeira vez, o G20 colocou na mesa o tema da desinformação e discurso de ódio, pelo reconhecimento que afeta a confiança na economia digital, gera instabilidade política e econômica e afeta a condição e vida do cidadão desses 20 países. “Ao final do dia, iremos comemorar o resultado positivo por ter chegado a um consenso de altíssimo nível, sobre soluções para lidar com esse problema”, finalizou.

protesto vítimas Braskem G20
Movimento divulgou uma carta aberta para os participantes da reunião do G20. Foto: MUVB/Divulgação

Moradores afetados pela Braskem protestaram durante G20

Um grupo de moradores dos bairros atingidos pela mineração realizada pela Braskem em Maceió aproveitou a reunião com diversos líderes globais para protestar chamar atenção para a necessidade de reparação ambiental pelos danos causados pela atividade exploratória.

O protesto foi organizado pelo Muvb (Movimento Unificados de Vítimas da Braskem) diante da agenda do Grupo de Trabalho de Economia Digital do G20, que trava discussões sobre combate à desinformação e inclusão digital, entre outros temas, e que se reuniu na capital alagoana desde a segunda-feira (9) até esta sexta-feira.

O movimento divulgou uma carta aberta para os participantes da reunião na qual chama a atenção para o sofrimento causado a milhares de famílias que tiveram que sair de suas casas em razão do afundamento do solo. Segundo a organização, o texto foi protocolado na secretaria do G20.

“O crime cometido pela Braskem, decorrente da exploração descontrolada de sal-gema resultou no afundamento de bairros inteiros, deixando um rastro de destruição e desespero”, denuncia a carta.

A Braskem informou por meio de nota que desde 2019 desenvolve medidas amplas para mitigar, compensar e reparar impactos da subsidência do solo nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro, Mutange e Farol, principalmente com a realocação preventiva dos moradores da área de risco, hoje 100% desocupada.

“Ao longo dos últimos quatro anos, cerca de 40 mil moradores das áreas de desocupação definida pela Defesa Civil, em 2020, foram realocados de forma preventiva e 97,4% das propostas de compensação financeira já foram pagas. Há, entre outros, cinco acordos principais celebrados com autoridades federais, estaduais e municipal, homologados pela Justiça, que abrangem diversas medidas além da realocação preventiva e compensação financeira das famílias: pagamento de apoio financeiro e auxílio para aluguel temporário; apoio psicológico; ações sociourbanísticas e ambientais; apoio a animais; zeladoria nos bairros; monitoramento do solo e fechamento definitivo dos poços de sal; integração urbana e desenvolvimento da comunidade dos Flexais; e indenização ao Município de Maceió”, diz a nota, acrescentando que “todas as ações seguem em implantação conforme acordos com as autoridades e são fiscalizadas pelos órgãos competentes”.

A Braskem diz ainda que até o momento, R$ 15,9 bilhões foram provisionados e mais de R$ 10,6 bilhões já foram desembolsados pela empresa.

*Com informações G20 e agências

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