Com K-Line, Suape realiza sua maior operação de transbordo de carros

Movimentação trouxe 1.652 carros, dos quais 690 vão passar por transbordo. K-Line aposta em Suape como maior hub de veículos, maquinários e barcos da América Latina

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Por Patrícia Raposo

Suape realizou nesta segunda-feira (04) sua maior operação de transbordo de automóveis. A movimentação envolveu o armador japonês K-Line, levando o porto pernambucano a avançar na consolidação do seu hub de veículos. O navio Canadian Highway, de bandeira panamenha, trouxe 1.652 veículos, dos quais 690 vão passar por transbordo. O recorde anterior era de 400 veículos nesse tipo de operação.

Esse novo tipo de movimentação vem sendo desenhado há algum tempo pela gestão do porto e visa aumentar sua eficiência na atividade logística de veículos. Suape já é porta de saída para os veículos da Stellantis (antiga FCA), produzidos tanto na fábrica da Jeep em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, quanto na planta do grupo em Betim (MG), tendo como destino países como Argentina e México, e agora intensifica o recebimento de veículos de outros países para transbordo com carros de outras cinco montadoras.

Transporte de lanchas - Suape
O porto pernambucano também é um importante hub para transporte de maquinários e lanchas/Foto: Suape/Divulgação

Na operação desta segunda-feira, veículos trazidos da Argentina aguardarão embarque no Pátio Público de Veículos 2B (PPV2B), antes de seguir, noutro navio, para o México e a Colômbia.

Suape é o único porto da região que faz movimentações dessa natureza na costa brasileira ou de longo curso. E a expectativa da K-Line é movimentar pelo menos mil veículos por mês, com carros trazidos da Argentina e do Uruguai para serem enviados a quatro destinos: Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e México.

“Essa operação é muito importante porque marca um novo modal para Suape, que é o transbordo de veículos. Temos expectativas futuras de nos conectar a outras localidades e continentes. E também de receber carga de retorno. Assim como a possibilidade de receber veículos de maior valor da Europa. Como algumas fabricas fecharam no Brasil, a exemplo da Audi, podemos ser uma alternativa”, explica Paulo Coimbra, diretor de Gestão Portuária de Suape.

Por que a opção da K-Line pelo transbordo?

“A K-Line foi forçada pela pandemia a rever sua estratégia de logística”, explica Rafael Cristelo, gerente-geral da K-Line Brasil. Segundo ele, o fator pandemia acelerou a migração para a operação de transbordo porque gerou não só quebra da cadeia de suprimentos e falta de mão-de-obra, mas também congestionamento nos portos, devido à falta da navios no mundo, obrigando a empresa a usar melhor seus navios.

“Assim, fomos forçados a deixar as operações pontuais em cada porto para realizar transbordo em poucos portos e atender a diversos destinos”, explica. A escolha por Suape considerou um conjunto de fatores. “A capacidade de armazenamento de Suape nos estimulou a optar por este porto”, explica Cristelo. Os pátios de Suape contam com capacidade estática para 6 mil veículos.

No entanto, segundo ele, o principal atrativo de Suape é a sua localização geográfica. “O porto tem uma vantagem competitiva enorme, bem posicionado em relação à América do Sul e do Norte e ao Canal do Panamá. Tem custos supercompetitivos e temos muita facilidade de interlocução com seus gestores”, acrescentou.

Suape maior hub da América Latina

Desde que implantou o hub de veículos, em novembro do ano passado, no porto pernambucano, a  empresa planeja ampliar seus negócios no Nordeste. “Queremos fazer de Suape o maior hub de veículos, maquinários e barcos da América Latina”, avisa Cristelo, empolgado com o crescente volume de compras desses itens por países da América Central.

Saupe
Operação de transbordo de carros cresce em Suape/Foto: divulgação Suape

“Caminhamos para o fim da pandemia e há demanda reprimida por compra veículos na América Latina, principalmente em países como Costa Rica e República Dominicana, onde a retomada do turismo está forte. E temos os países latinos que são grandes compradores de ônibus usados”. Para atender ao desembaraço alfandegário desses produtos, a K-Line conta com a filial da Nexus em Suape, seu braço facilitador para o tramite logístico e burocrático.

Com 500 navios, 90 deles naviosRoll-on/Roll-off, a K-Line tem atuado com cinco deles em Suape. O diretor-presidente do porto, Roberto Gusmão, reforça que o trabalho realizado pela K-Line já chama a atenção de outros players, que têm a intenção de trazer operações para o porto pernambucano.

“Essa parceria é um sucesso desde o princípio e está despertando o interesse de armadores, operadores e demais atores envolvidos nas operações de veículos. Recentemente recebemos a visita de uma comitiva da Comexport com a intenção de instalar um hub em Suape e acreditamos que logo deveremos ter novidades”, acrescenta Gusmão.

A comitiva da Comexport, maior empresa de comércio exterior do Brasil, especializada no setor automobilístico, visitou as instalações do Porto de Suape no início de março, para conhecer a infraestrutura oferecida ao armazenamento e à movimentação de veículos, com a finalidade de viabilizar um novo hub no atracadouro pernambucano.

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o número de automóveis importados e exportados por Suape em 2021 foi 20% maior em relação ao ano anterior. Foram 47.841 veículos no ano passado, contra 39.922, em 2020.


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