
A capilaridade do crédito rural em Pernambuco atingiu um novo patamar de resistência em 2025. Com um desembolso de R$ 1,18 bilhão via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o estado reafirma a relevância do pequeno produtor, e sua agricultura familiar, na base da pirâmide econômica regional. O avanço de 3,6% no montante financeiro, acompanhado por uma expansão de 5,4% no número de contratos, sinaliza que a demanda por capital de giro e investimento no campo permanece aquecida, mesmo diante das oscilações de safra e mercado.
O Banco do Nordeste (BNB) operou esse fluxo com foco cirúrgico na base da pirâmide. Do total injetado na economia pernambucana, impressionantes R$ 1,03 bilhão foram viabilizados por meio do Agroamigo, o braço de microfinança rural da instituição.
Ao pulverizar o crédito em quase 90 mil operações no estado, o banco não apenas financia a produção, mas sustenta o consumo interno e a segurança alimentar em municípios onde a agricultura de pequena escala é a principal engrenagem do Produto Interno Bruto (PIB).
No recorte macro regional, o BNB superou a barreira dos R$ 10,7 bilhões em contratações totais na sua área de atuação, um salto de 12,4% em relação ao ciclo anterior. Esse desempenho recorde reflete uma estratégia agressiva de bancarização e assistência técnica que, nos últimos sete anos, elevou o patamar de crédito da instituição de R$ 3 bilhões para a casa dos dois dígitos.
Trata-se de uma mudança estrutural que altera a dinâmica de competitividade do agronegócio nordestino, equiparando tecnologia e crédito orientado.
O impacto da microfinança orientada
O Agroamigo, como o Movimento Econômico mostrou na série de reportagem que mostra a evolução das microfinanças no Brasil, se consolidou como o motor dessa expansão histórica, respondendo por mais de R$ 9,5 bilhões do volume total contratado pelo banco em 2025.
Para o presidente do BNB, Wanger de Alencar, a função social do crédito se traduz em produtividade na mesa do brasileiro. “A agricultura familiar responde por cerca de 70% da produção de alimentos no Brasil, e o Banco do Nordeste vem desempenhando o papel de principal agente financeiro dessa atividade na sua área de atuação”, afirma.
“O valor médio de R$ 14 mil nas nossas operações faz toda a diferença para aumentar a produtividade, incrementar valor ao produto e permitir que esses alimentos cheguem à mesa de outras famílias na região”, complementa Alencar.
Essa pulverização de recursos é o que garante a resiliência do setor. Ao operar com tickets médios baixos, mas com escala massiva — atingindo mais de 766 mil produtores rurais —, o banco mitiga riscos sistêmicos e promove uma desconcentração de renda essencial para o desenvolvimento do interior.
Em Pernambuco, o superintendente estadual, Hugo Luiz de Queiroz, observa que esse movimento é transformador. Segundo ele, “o crescimento das contratações mostra a força da agricultura familiar no Estado e a importância do crédito como instrumento de transformação. Cada operação representa mais renda, mais produção e mais desenvolvimento para o campo pernambucano”.
Três décadas de fomento estrutural
O ano de 2025 também marcou o trigésimo aniversário do Pronaf, ferramenta que já mobilizou R$ 778 bilhões desde sua criação. A maturidade do programa permitiu que bancos como o BNB evoluíssem da simples liberação de recursos para um suporte técnico de alta complexidade.
Atualmente, o financiamento abrange desde a aquisição de insumos básicos até investimentos em conectividade rural e melhoramento genético, itens que antes eram restritos aos grandes players do agronegócio exportador.
Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB, ressalta que o recorde de 2025 coroa um crescimento de 250% nos últimos sete anos.
“Estamos aumentando não só o volume financiado quanto o suporte que damos ao produtor. Atualmente, o BNB está atuando até na melhoria sanitária das famílias, além de equipamentos, conectividade, melhoramento genético e outras tecnologias”, ressalta.
Essa sofisticação do crédito é o que permite ao agricultor familiar pernambucano acessar mercados mais exigentes e rentáveis.
Diversificação e resiliência no semiárido
A estratégia do Agroamigo, lançada originalmente em 2005, ultrapassou os limites das lavouras tradicionais. Atualmente, o programa financia uma gama variada de atividades que garantem a sobrevivência econômica das famílias em períodos de estiagem, como o artesanato, a pesca e o turismo rural.
Essa diversificação é vital para a economia de Pernambuco, especialmente nas regiões do Agreste e Sertão, onde a pluriatividade rural se tornou a regra para o sucesso do empreendimento familiar.
O balanço final de 2025 deixa um recado claro ao mercado: a agricultura familiar não é mais uma atividade de subsistência, mas um setor econômico dinâmico e bancarizado. Com quase 87 mil contratos firmados apenas via microcrédito em Pernambuco, o BNB sinaliza que a interiorização do capital é o caminho mais curto para a estabilidade econômica regional.
A expectativa para 2026 é que a digitalização e o acesso a novas tecnologias sanitárias continuem puxando o crescimento dessas contratações, consolidando o Nordeste como o principal laboratório de microfinança rural do país.
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