
Equipes da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) estão no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, em visitas técnicas para implantação de sementeiras de palma forrageira no semiárido. A ação integra o projeto de expansão do cultivo do programa InovaPalma, com investimento de R$ 2,6 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que prevê 18 campos de multiplicação em 6 estados e distribuição de 18 milhões de cladódios-semente ao longo de 41 meses.
A palma forrageira apresenta potencial produtivo em regiões com precipitação entre 368 mm e 812 mm anuais e pode ser cultivada com apenas 200 mm — o que a torna uma das poucas culturas viáveis em anos de seca severa no semiárido.
O programa responde a um problema de custo estrutural da pecuária regional: em períodos de estiagem, a dependência de ração adquirida fora da região eleva o custo de produção de bovinos, caprinos e suínos. A resistência hídrica da palma cultivada com clones selecionados a posiciona como alternativa local de alimentação animal durante os períodos críticos.
InovaPalma: R$ 7,5 milhões em três eixos
O projeto de sementeiras integra o programa InovaPalma, que totaliza R$ 7,5 milhões do FDNE distribuídos em três eixos: expansão do cultivo, produção de farelo e pesquisa aplicada. Aprovados em setembro de 2025, os projetos alocados ao INSA são fruto de convênio triplo entre INSA, Sudene e Parque Tecnológico da Paraíba e somam R$ 5,8 milhões — R$ 2,6 milhões para expansão do cultivo e R$ 3,2 milhões para produção industrial de farelo, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O projeto de expansão instala 18 campos de multiplicação de 0,75 hectare cada, distribuídos em municípios do semiárido de 6 estados. “Com investimento de R$ 2,6 milhões e duração de 41 meses, o projeto será executado em seis estados. Já realizamos visitas técnicas na Paraíba e no Rio Grande do Norte e, nos próximos meses, avançaremos na definição dos municípios de Pernambuco, Ceará, Alagoas e Sergipe”, afirmou José Aíldo Sabino, engenheiro agrônomo e coordenador do InovaPalma na Sudene.
Os campos produzem 8 milhões de cladódios-semente por ano, distribuídos a agricultores locais. Como contrapartida, os beneficiários devolvem parte do material na primeira colheita, reduzindo o custo de distribuição nas etapas seguintes. O projeto prevê ainda a formação de 15 produtores como agentes multiplicadores, 15 intercâmbios técnicos e capacitação de no mínimo 100 agricultores por estado. “Essas atividades fortalecem a transferência de conhecimento e estimulam a adoção de práticas produtivas inovadoras pelos produtores rurais”, acrescentou Sabino.
O projeto de farelo prevê cultivo intensivo em 4 hectares, instalação de unidade de secagem e armazenamento com capacidade para 160 toneladas. O produto processado permite comercialização com prazo de validade e logística de distribuição que o material in natura não viabiliza. A UFPB conduz pesquisa sobre o uso do farelo na dieta de suínos, coordenada pelo professor Leonardo Augusto Pascoal.
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com R$ 56 mil em convênio com a Fundação Apolônio Salles (FADURPE), avalia a palma na nutrição de ruminantes — carne, leite e caprinos. Os resultados determinarão os percentuais de substituição viáveis em relação à ração convencional, dado necessário para a comercialização junto a frigoríficos e cooperativas.
Palma na alimentação humana: farinha, picles e geleias ampliam a cadeia
A cadeia de valor da palma não se restringe à ração animal. Pesquisadores da área de Produção Vegetal do INSA apresentaram na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho de 2025 na UFRPE no Recife, uma linha de produtos alimentícios derivados da cactácea com aplicação comercial e potencial de inserção em mercados institucionais.
O pesquisador Renato Lima (PCI/Produção Vegetal do INSA) detalhou o portfólio: farinha de palma — usada na produção de biscoitos e bolos —, picles de palma, palma cristalizada com indicação para merenda escolar, geleias, molhos tipo catchup e extratos em diferentes colorações.
Histórico e estrutura do InovaPalma
O InovaPalma integra a Rede Palma, criada em 2017 e coordenada pela Sudene com participação de universidades, Embrapa, secretarias estaduais de agricultura e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Os marcos já consolidados incluem a inclusão da palma nos levantamentos do IBGE, criação de ação orçamentária específica, certificação de sementes e desenvolvimento de colheitadeira mecanizada acoplada a trator — equipamento que reduz mão de obra na colheita e alimenta vagões forrageiros diretamente no campo.
*Com informações da Sudene
Leia mais: Transnordestina pode reduzir em 66% custos logísticos do algodão no Cariri










