
A criação de camarão em cativeiro vem se consolidando como uma das atividades mais promissoras do agronegócio alagoano. Um dos exemplos de êxito é a fazenda Boca do Rio, em Maragogi, que deve ampliar em cerca de 70% sua produtividade anual com o apoio do Banco do Nordeste (BNB). À frente do projeto está o produtor Maurício Acioli, referência nacional no setor, que aposta em tecnologia, inovação e sustentabilidade para transformar a carcinicultura em um vetor de desenvolvimento no estado.
Atualmente, a fazenda produz cerca de 96 mil quilos de camarão por ano. Com o financiamento contratado junto ao BNB, por meio da linha FNE Aquipesca, a meta é chegar a 160 mil quilos anuais, reforçando a oferta de um produto de qualidade para um mercado cada vez mais exigente.
O crédito viabilizou a construção de oito novos viveiros, elevando em mais de 60% a capacidade de armazenamento dos crustáceos. Outro diferencial é a instalação de geomembranas como revestimento dos tanques, tecnologia que cria uma barreira impermeável, reduz a mortalidade, melhora as condições de cultivo e evita a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.
“Além disso, todo o processo é pensado para reduzir a utilização de água e energia, garantindo maior sustentabilidade ao negócio”, explica Maurício.
Com mais de 20 anos de experiência, o produtor já foi reconhecido pela Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC) como exemplo de organização e excelência na atividade. Em 2009, sua fazenda foi considerada a propriedade com maior produtividade por hectare do Brasil. Para manter esse padrão, ele realiza visitas técnicas a países como Tailândia, Filipinas, México e Equador, referências internacionais em cultivo sustentável.

Segundo ele, parte das inovações vem desses modelos estrangeiros: o uso de probióticos nos tanques, recirculação mínima da água, instalação de bacias de decantação e o manejo que prioriza o crescimento saudável dos camarões. “Esse sistema é altamente sustentável, evita desperdícios e assegura qualidade ao produto”, afirma.
Impacto regional do camarão e geração de empregos
O gerente de relacionamento do Banco do Nordeste em Maragogi, Rodolfo Ramyres Damasceno, destaca que os efeitos do projeto vão além da fazenda. “O produtor abastece um mercado consumidor exigente, prezando pela qualidade e segurança alimentar, o que será impulsionado pelos novos investimentos. Além disso, há impacto direto na geração de empregos na região, desde a construção dos viveiros até os serviços de logística e comercialização”, explica.
Esse modelo reflete uma tendência crescente de profissionalização da carcinicultura em Alagoas, que já demonstra resultados expressivos em termos de produção.
Embora Alagoas seja conhecido por sua extensa faixa litorânea, é no Agreste e no Sertão que a carcinicultura vem ganhando força. Hoje, quase 100 produtores mantêm cerca de 180 tanques de cultivo, muitos deles instalados em pequenas propriedades e até em quintais, movimentando a economia e transformando a vida de diversas famílias.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu em 1.641.481 quilos de camarão no ano de 2023, ocupando a sétima posição no ranking do Nordeste. O município de Coité do Nóia lidera a produção no estado.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Camarão de Alagoas, Iury Amorim, a atividade tem papel socioeconômico relevante. “São pequenos produtores que encontraram na carcinicultura uma forma de melhorar a renda e mudar de vida. O camarão tem contribuído para consolidar uma atividade muito promissora no estado”, afirma.
Banco do Nordeste apoia produtores de camarão no estado
Esse avanço não seria possível sem o acesso a crédito. Nos últimos três anos, o financiamento da carcinicultura em Alagoas apresentou crescimento acelerado. Em 2022, os contratos somaram cerca de R$ 200 mil. No ano seguinte, a procura saltou para R$ 1 milhão. Em 2024, o volume ficou próximo de R$ 900 mil e, apenas no primeiro semestre de 2025, o banco já registrou R$ 2 milhões em novos contratos.
Em Alagoas, as linhas mais utilizadas pelos produtores tem sido a FNE Aquipesca, destinada à aquicultura de médio e grande porte, a FNE Sol, que tem ganhado espaço na carcinicultura por reduzir custos com energia, um dos principais gargalos da atividade, e o Pronaf, voltada para pequenos produtores e agricultores familiares.
Em Arapiraca, por exemplo, produtores se organizaram em uma associação e passaram a financiar principalmente projetos de energia solar para viabilizar a produção. “O suporte do banco é fundamental para o desenvolvimento do setor”, reforçou Maurício Acioli.
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