
A Casa dos Ventos confirmou, na tarde desta sexta-feira (30), que obteve o parecer favorável do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para instalar o data center no Complexo Industrial Portuário de Pecém, no Ceará. O investimento será de R$ 50 bilhões na primeira fase da implantação. A expectativa da empresa é de que as obras comecem no segundo semestre de 2025 e entre em operação no segundo semestre de 2027.
Em janeiro último, o empreendimento da Casa dos Ventos tinha recebido uma negativa do ONS para ter uma conexão de energia elétrica no futuro, o que poderia inviabilizar a sua instalação. O data center é eletrointensivo e consome muita energia. O parecer da ONS dá acesso a 300 megawatts (MW) de energia.
A negativa do ONS ocorreu, em janeiro último, por vários fatores, incluindo a falta de infraestrutura nas linhas de transmissão de energia. Na época, foram negadas as futuras conexões de vários empreendimentos que vão precisar de muita energia, como os datacenters e as futuras fábricas de hidrogênio.
O data center será totalmente voltado para exportação. Nesta semana, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou a habilitação do empreendimento nas Normas Brasileiras de Serviços (NBSs). Essa aprovação é importante porque regulamenta e define, legalmente a prestação dos serviços de armazenagem, processamento e tráfego de dados com fins exclusivamente de exportação.
As permissões de acesso ao sistema de transmissão e aprovação das NBSs são fundamentais para o projeto avançar, segundo informações da Casa dos Ventos. O empreendimento vai ter um grande impacto consumindo serviços e bens na área de energia, tecnologia e conectividade. O data center só é considerado “limpo” se consumir energia renovável.
A expectativa é de que o empreendimento gere mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, criando um novo polo de infraestrutura digital no Ceará. Ainda de acordo com a Casa dos Ventos, o data center vai usar uma tecnologia de sistemas de refrigeração em ciclo fechado, o que implica num baixo consumo de água, comparando com outras tecnologias empregadas no setor. Será consumido cerca de 30 metros cúbicos de água por dia.
“Estamos vivendo uma nova era com o advento da Inteligência Artificial (IA), cujo potencial já é transformador e essencial em praticamente todos os setores da sociedade e da economia. O aumento da demanda pela inteligência artificial requer energia e água em qualquer lugar do mundo, e o Brasil está muito bem posicionado. A escolha pelo sistema fechado é estratégica e reforça o compromisso do projeto com a preservação dos recursos naturais, principalmente do uso da água”, explica o dietor executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe.
Data center de grande porte
O empreendimento vai mais do que dobrar a capacidade instalada de data centers no País. Segundo Lucas, o Brasil tem os atributos certos para liderar esse novo mercado: matriz energética renovável, conectividade robusta, estabilidade elétrica e capital humano qualificado. Essa é uma oportunidade concreta para exportar serviços de alto valor agregado e acelerar a transição energética.
O data center está se instalando no Ceará por causa da ZPE do Ceará e também pela proximidade das estações dos cabos submarinos em Fortaleza, que ligam o Brasil a hubs globais. A Casa dos Ventos foi pioneira na implantação dos primeiros grandes parques eólicos do Brasil e atua há quase 20 anos no setor de renováveis, se tornando referência na transição energética. A empresa tem aproximadamente 33,4 gigawatts (GW) de capacidade instalada de geração.
* Com informação da Casa dos Ventos
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