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Startups e ICTs pernambucanas terão R$ 6 mi para inovar mercado tradicional

Montante será distribuído entre Startups e Instituições de Ciência e Tecnologia, que deverão apresentar soluções para empresas do estado
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Com foco na inovação aplicada, o programa prevê a concessão de bônus tecnológicos de até R$ 100 mil por empresa, por meio de parcerias com startups e instituições de pesquisa locais.
Secretária da Secti, Mauricélia Montenegro apresentou a iniciativa que irá destinar R$ 6 milhões para modernização de negócios tradicionais no estado – Foto: Cortesia

O Governo de Pernambuco lançou, nesta quarta-feira, o programa Transforma PE, que vai investir R$ 6 milhões para modernizar micro, pequenas e médias empresas tradicionais em todo o estado. O valor será destinado à concessão de bônus tecnológicos de até R$ 100 mil por projeto, a serem utilizados em soluções desenvolvidas por startups e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) pernambucanas.

A iniciativa é voltada a Arranjos Produtivos Locais (APLs) considerados estratégicos para o desenvolvimento regional e terá três ciclos de seleção. Cada empresa participante deverá apresentar um desafio real e contar com uma startup parceira para desenvolver a solução. As inscrições seguem até 28 de agosto pelo site da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado (Facepe).

Os recursos são provenientes do Fundo Inovar, operado pela Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE) e gerido pela Facepe. O lançamento oficial ocorreu no auditório do Porto Digital, no bairro de São José, no Recife, e contou com representantes do ecossistema de inovação e do setor empresarial. O objetivo central é conectar desafios enfrentados pelas empresas a soluções tecnológicas desenvolvidas por startups locais e instituições científicas.

“Nós conversamos com diversos setores, representantes e órgãos do Estado para entender as dores do mercado mais tradicional e transformá-lo através da tecnologia das ICTs e startups”, destacou Obionor Nóbrega, diretor de Avanço Tecnológico da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Secti-PE).

Parceria entre empresas tradicionais e startups

Para participar, as empresas precisam apresentar um desafio de transformação digital e firmar parceria com uma startup ou ICT sediada em Pernambuco. Cada proposta deve ser inédita e será avaliada com base em critérios como viabilidade, impacto e grau de inovação.

De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Mauricélia Montenegro, o programa é estratégico para alavancar o desenvolvimento regional.

“Precisamos ajudar essas empresas, porque, passando por essa transformação digital, entrando na modernização em que estamos hoje, elas ficam muito mais competitivas, melhoram seus processos e aumentam as vendas. É uma forma de estimular mais a competitividade, principalmente no interior de Pernambuco”, explicou.

Desafios

A secretária também chamou atenção para os obstáculos enfrentados por pequenos negócios do interior, que em muitos casos ainda não contam com o mínimo de digitalização em seus processos.

“Hoje falamos em inteligência artificial, APIs e chatbots, mas a realidade de muitas empresas é receber pedidos por WhatsApp, anotar no papel e gritar para a produção. Não há controle. A transformação digital ajuda essas empresas a ficarem mais competitivas, reduzirem custos e aumentarem vendas”, afirmou.

Para George Modesto, sócio-fundador do Hub Inova Araripe – iniciativa que articula soluções tecnológicas para setores produtivos no Sertão do Araripe – a inovação ainda enfrenta resistência em muitas empresas da região. Segundo ele, a distância dos grandes centros produtores de tecnologia e o perfil tradicional dos segmentos locais ajudam a explicar esse cenário.

George modesto é sócio fundador do Hub Inova Araripe
George Modesto é sócio fundador do Hub Inova Araripe e destacou a importância de diminuir a distância tecnológica. Foto: Cortesia

“Os segmentos do Araripe são muito tradicionais. A inovação tecnológica esteve distante desses processos por muito tempo. As necessidades são muitas, principalmente pela distância geográfica dos grandes centros produtores de tecnologia”, destacou.

A falta de inovação, segundo Modesto, gera prejuízos diretos para os negócios da região. “As empresas perdem dinheiro, qualidade, oportunidades de mercado. O mercado é exigente: quer produto bem acabado, bem apresentado, que cumpra sua finalidade. Quando isso não acontece, as empresas perdem vendas e competitividade”, afirmou.

Apesar das dificuldades, ele observa um movimento crescente de empresários interessados em mudar essa realidade. “Observo esse esforço no chão de fábrica, no serviço oferecido, no momento da produção. O Hub Inova Araripe existe justamente para encurtar essa distância entre as necessidades das empresas e as instituições que podem ajudar com soluções. O edital é uma nova oportunidade colocada pelo governo para que essas conexões se concretizem”, concluiu.

Inscrições por rodadas

A chamada pública do Transforma PE é voltada a projetos de transformação digital em Arranjos Produtivos Locais (APLs). As propostas devem ser apresentadas por duplas formadas por uma empresa proponente — de base tradicional, como indústrias, prestadoras de serviço ou negócios de logística — e uma executora, que deve ser uma startup tecnológica ou uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT). Cabe à empresa tradicional definir o desafio a ser resolvido, enquanto a executora será responsável por desenvolver a solução inovadora.

O edital já está disponível no site da Facepe. O programa será dividido em três ciclos de seleção, com investimento de R$ 2 milhões por etapa, totalizando R$ 6 milhões em recursos. Em cada rodada, serão contempladas 20 empresas com bônus tecnológicos de até R$ 100 mil cada.

As inscrições estão organizadas em rodadas de submissão, com cronogramas e áreas prioritárias definidos para cada ciclo. A seleção dos APLs será feita com base em critérios como impacto econômico, maturidade digital e necessidade de incentivo em cada região do Estado. As propostas devem ser enviadas exclusivamente pelo sistema AgilFAP até o dia 28 de agosto.

Os resultados da primeira rodada serão divulgados em setembro. Ao todo, a expectativa do governo é atender até 60 propostas, promovendo um salto de inovação em diferentes regiões do Estado por meio da atuação de startups e ICTs locais.

Empresas não selecionadas na primeira rodada não serão desclassificadas. Elas receberão orientações e poderão aperfeiçoar seus projetos para concorrer nas etapas seguintes, cujos prazos ainda serão divulgados.

Inclusão feminina e interiorização

O edital do Transforma PE também prevê pontuação extra para empresas que possuam mulheres no quadro societário ou que estejam situadas nas regiões do Agreste Central, Meridional e Setentrional, e nos Sertões do Araripe, Itaparica e São Francisco. A pontuação é acumulativa para empresas que cumprirem os dois critérios.

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