
As exportações de suco de laranja em Sergipe sofreram uma queda acentuada em abril de 2025, com os embarques do produto caindo de US$ 12,4 milhões em janeiro para apenas US$ 1 milhão — um recuo acumulado de 91,9% no quadrimestre. O suco de laranja, que lidera a pauta exportadora estadual, foi um dos principais responsáveis pelo tombo geral nas vendas externas do estado.
Segundo levantamento do Centro Internacional (CIN/SE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES), com base em dados do Comex Stat, as exportações sergipanas totalizaram apenas US$ 3,5 milhões em abril de 2025, uma retração de 93,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em comparação com março deste ano, a queda foi de 92,6%.
Além do suco de laranja congelado, os óleos brutos de petróleo também contribuíram para a redução drástica da balança comercial sergipana. A retração ocorre em meio à instabilidade do comércio global, ainda influenciado pelos efeitos residuais da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Embora a recente trégua entre os dois países possa abrir espaço para uma recuperação das relações comerciais internacionais, os impactos no curto prazo continuam afetando todos os mercados.

Incertezas afetam setor produtivo
Segundo o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/FIES), Rodrigo Rocha, variações nos preços e, consequentemente, na demanda por commodities, além de incertezas nas cadeias econômicas globais, afetam diretamente os volumes exportados por qualquer local — e Sergipe não é exceção.
“Existem movimentos naturais de mercado, influenciados por muitas variáveis, em que há descasamentos significativos entre oferta e demanda, provocando, por exemplo, quedas abruptas na demanda por determinados produtos. No caso do comércio exterior, essa situação tem efeitos diretos, por exemplo, do valor do dólar, custos de frete, expectativas dos compradores sobre a demanda futura, entre outros, que vão afetando as vendas internacionais”, explicou.
A retração nas exportações de petróleo também foi significativa. O movimento pode ser natural, como já ocorreu em alguns meses de 2024, ou reflexo de informações incompletas, que só serão incluídas nos meses seguintes por questões operacionais dos órgãos competentes. O segmento, que em 2023 foi responsável por impulsionar o superávit recorde do estado, ao lado do suco de laranja, enfrenta continuamente oscilação natural de demanda, podendo ser ainda mais impactado em um cenário global de muitas incertezas.
Além do suco de laranja congelado, entre os produtos ainda embarcados em abril destacam-se outras preparações alimentícias (US$ 911,8 mil) e jogos de fios usados na indústria automotiva (US$ 331,1 mil), que juntos representaram 65% do total exportado pelo estado.

Balança registra déficit
No mesmo período, as importações chegaram a US$ 18,3 milhões, distribuídas entre 180 tipos de produtos, com destaque para ureia (US$ 4,5 milhões), coque de petróleo não calcinado (US$ 3,8 milhões) e fios-máquinas de aço (US$ 1,8 milhão). A ureia é amplamente utilizada como insumo na produção de fertilizantes agrícolas, enquanto o coque de petróleo tem uso consolidado nas cimenteiras locais.
Os principais fornecedores das importações foram Argélia (US$ 4,6 milhões), Estados Unidos (US$ 4,1 milhões) e China (US$ 3,2 milhões).
Como resultado da disparidade entre exportações e importações, Sergipe encerrou abril com um déficit comercial de US$ 14,9 milhões — um contraste expressivo em relação aos superávits dos anos anteriores. Em 2023, o estado registrou saldo positivo recorde de US$ 97,6 milhões, enquanto em 2024 o superávit foi de US$ 23,9 milhões, sendo apenas a terceira vez desde 1997 que o estado encerrou o ano com saldo positivo.
Participação regional e produção
Sergipe é o maior exportador de suco de laranja do Nordeste, concentrando sua produção em áreas irrigadas da região centro-sul do estado. A indústria citrícola local tem forte relação com o mercado externo, principalmente Países Baixos, na Europa Ocidental, e Estados Unidos, que figuraram entre os principais destinos em abril.
A produção de petróleo em Sergipe, historicamente concentrada em áreas terrestres e offshore operadas pela Petrobras, sofreu mudança significativa após o encerramento da operação em mar e a venda das operações em terra. A empresa que assumiu a produção em terra tem exportado valores significativos desde março de 2023, com algumas oscilações nos valores, naturais de mercado, ao longo do tempo.S$ 23,9 milhões, sendo apenas a terceira vez desde 1997 que Sergipe fechou o ano com saldo positivo na balança comercial.
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