
Com a formalização de um contrato de R$ 312,8 milhões com a Infra S.A., a construtora portuguesa ACA — Alberto Couto Alves ampliou sua presença no mercado brasileiro. O valor, equivalente a 61,4 milhões de euros, será destinado à execução de obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco. Com o novo projeto, a carteira de encomendas do grupo no Brasil alcança aproximadamente R$ 1,2 bilhão, o equivalente a 235,7 milhões de euros.
A formalização do contrato com a Infra S.A. ocorreu no último dia 22, por meio do Consórcio ACA Transnordestina, formado pela ACA — Alberto Couto Alves, S.A. do Brasil e pela ACA — Alberto Couto Alves Ltda., que lidera a associação. A ACA será responsável pela elaboração do projeto executivo de engenharia e pela execução dos serviços de infraestrutura remanescentes do lote SPS 04.

A construtora celebra 15 anos de atuação no Brasil. Em Pernambuco, a ferrovia não é o seu único contrato de obra. A Ponte Júlia Santiago, que liga os bairros de Areias e Imbiribeira, atravessa o Rio Tejipió e conecta as avenidas Recife e Mascarenhas de Moraes, também foi erguida pela ACA. A ponte foi inaugurada em 27 de março de 2026.
Com sede em Vila Nova de Famalicão, no Norte de Portugal, a construtora ACA terá o prazo de 57 meses para concluir os trabalhos no lote SPS 04. As obras abrangem um trecho de 73,32 quilômetros entre os municípios de Custódia e Arcoverde, integrado à ligação ferroviária entre Salgueiro e o Porto de Suape. Os serviços previstos incluem terraplenagem, drenagem e construção de estruturas, como pontes e viadutos.
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Em declaração ao portal português Sapo, a ACA afirmou que “o contrato representa um novo marco na trajetória da companhia no Brasil e reforça sua participação em projetos de infraestrutura de grande porte”. O grupo afirma que o crescimento da carteira de encomendas reflete a expansão sustentada de suas operações e a confiança conquistada no mercado brasileiro.
A empresa também destaca que as obras da Transnordestina deverão ampliar a competitividade logística, facilitar o transporte de cargas e estimular o desenvolvimento dos territórios atendidos pela ferrovia.
Entre maio e junho, o Conselho de Administração da ACA, representado pelo CEO Alberto Couto Alves e pelos administradores da holding do grupo Alberto Luís P. Couto Alves, Helder Pinto e Sandra Paredes, esteve no Brasil para acompanhar a evolução dos projetos em curso e conhecer os novos empreendimentos, como o trecho da ferrovia. A visita teve início no Recife.
História e projetos da constrtutora
Fundada em 1982, em Portugal, por Alberto Couto Alves, a ACA iniciou suas atividades ligada à extração e à transformação de pedra e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação para os setores de construção civil, infraestrutura, água, meio ambiente, indústria e mercado imobiliário. A internacionalização começou em 2003, por Angola, e alcançou países como Brasil, Marrocos, França, Argélia, Polônia, Camarões, São Tomé e Príncipe e Bolívia.

Entre os projetos mais emblemáticos da construtora está o restauro e a modernização do Mercado do Bolhão, um dos edifícios históricos mais conhecidos da cidade do Porto. A ACA também participa da expansão do Metro do Porto. Em parceria com a Ferrovial, a empresa assumiu o prolongamento da Linha Amarela, entre Santo Ovídio e Vila d’Este, em Vila Nova de Gaia. O projeto compreende cerca de três quilômetros e três novas estações e foi contratado por 98,9 milhões de euros. Na área de recursos hídricos, a Barragem do Pisão, localizada em Beringel, marcou a entrada da ACA na construção de barragens.
Em Angola, onde iniciou sua internacionalização, a ACA construiu estradas, empreendimentos urbanos e centros industriais. Em São Tomé e Príncipe, a estreia da empresa ocorreu em 2019, com a construção de três pontes sobre o Rio Água Grande. A ACA também participa da requalificação da Avenida Marginal 12 de Julho.
No Brasil, além das obras da Ferrovia Transnordestina e da Ponte Júlia Santiago, no Recife, a construtora também atua no Parque Oeste, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde executa intervenções em uma área de 234 mil metros quadrados. O projeto envolve escolas, equipamentos esportivos e aquáticos, áreas de lazer, paisagismo, urbanização e infraestrutura. Entre os equipamentos está uma piscina utilizada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.
A carteira brasileira da construtora inclui ainda obras de macrodrenagem em Porto Alegre, intervenções no Cais da Gamboa, no Porto do Rio de Janeiro, e o BRT Norte–Sul de Goiânia. Este último prevê 4,8 quilômetros de extensão, dez estações e um terminal de integração.
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