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Pecuária nordestina amplia participação no rebanho brasileiro

No período de 20 anos, o Nordeste respondeu por cerca de 32,3% de todo o crescimento líquido do rebanho nacional

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~4:20
  1. Nordeste amplia participação no rebanho bovino brasileiro, passando de 14,05% para 15,7% em 20 anos.
  2. Bahia e Maranhão concentram 66% do rebanho nordestino, respondendo por 80,6% do crescimento regional entre 2005 e 2025.
  3. Expansão da pecuária se concentra em áreas de transição para Cerrado e Matopiba, favorecidas por infraestrutura e integração lavoura-pecuária.
  4. Rio Grande do Norte registra maior crescimento proporcional do plantel nordestino com alta de 49,8% no período analisado.
  5. Piauí é único estado nordestino com queda expressiva, perdendo 542 mil cabeças e registrando retração de 32,7%.
Rebanho bovino no Maranhão
Bahia e Maranhão concentram aproximadamente 66% do rebanho nordestino/Foto: Governo do Maranhão

A expansão territorial da pecuária, a modernização produtiva, o maior acesso ao crédito e a recomposição dos rebanhos após períodos de seca contribuíram para o avanço da participação do Nordeste no plantel bovino brasileiro. A região passou de 14,05% do rebanho nacional, em 2005, para 15,7% em 2025.

Nesse período de 20 anos, o Nordeste respondeu por cerca de 32,3% de todo o crescimento líquido do rebanho brasileiro. Os dados constam do Beef Report 2026 — Perfil da Pecuária no Brasil, relatório anual da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A Bahia permanece com o maior rebanho da região, somando 12,037 milhões de cabeças, e ocupa a sétima posição no ranking nacional. O Maranhão, com 8,254 milhões, aparece em segundo lugar no Nordeste e em décimo no país. Juntos, Bahia e Maranhão concentram aproximadamente 66% do rebanho nordestino. Os dois estados também responderam por 80,6% do crescimento líquido da região entre 2005 e 2025.

A força do Matopiba sobre os rebanhos

Os dados mostram que a expansão dos rebanhos se concentrou principalmente em áreas de transição para o Cerrado e fora do núcleo mais seco do Semiárido. O avanço da produção de grãos no Matopiba favoreceu a oferta de milho e de outros insumos destinados à alimentação animal, além de estimular investimentos em infraestrutura e a integração entre lavoura e pecuária. Essas áreas reúnem terrenos planos, condições favoráveis à produção e terras historicamente mais baratas. A expansão, entretanto, também impõe desafios ambientais.

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Nos estados mais sujeitos à seca, especialmente Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Bahia, parte do avanço está relacionada à recomposição dos plantéis.

E essa recomposição pôde ser percebida principalmente no Rio Grande do Norte, onde ocorreu o maior crescimento proporcional do plantel, com alta de 49,8%, seguido por Maranhão, com 46,1%, e Sergipe, com 36,3%.

Posição em 2025Estado20052025Variação absolutaVariação percentual
1Bahia9,92812,037+2,109+21,2%
2Maranhão5,6488,254+2,606+46,1%
3Ceará2,1092,466+0,357+16,9%
4Pernambuco1,6952,187+0,492+29,0%
5Paraíba1,3141,321+0,007+0,5%
6Rio Grande do Norte0,8581,285+0,427+49,8%
7Sergipe0,8371,141+0,304+36,3%
8Piauí1,6561,114-0,542-32,7%
9Alagoas0,8760,963+0,087+9,9%

Pernambuco ampliou seu rebanho em 492 mil cabeças, passando de 1,695 milhão para 2,187 milhões de animais, crescimento de 29%. O estado ocupa a quarta posição regional.

O Piauí foi o único estado nordestino a registrar queda expressiva, com a perda de 542 mil animais e retração de 32,7%. Na Paraíba, o rebanho permaneceu praticamente estável, com aumento de apenas sete mil cabeças em 20 anos.

Em 2025, o Brasil manteve o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 195,5 milhões de cabeças, apesar da queda de 0,3% em relação a 2024. O Centro-Oeste concentra 31,2% do total, seguido pelo Norte, com 26,9%; pelo Sudeste, com 15,9%; pelo Nordeste, com 15,7%; e pelo Sul, com 10,3%.

trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina
Trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina /Foto:Cadu Gomes/Fotos Públicas

Transnordestina

Após conquistar um contrato de R$ 312,8 milhões para executar obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco, a construtora portuguesa ACA — Alberto Couto Alves ampliou sua presença no mercado brasileiro. A empresa agora conta com uma carteira de encomendas de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no país. Com sede em Famalicão, no Norte de Portugal, a companhia será responsável pela elaboração do projeto executivo de engenharia e pela execução da infraestrutura remanescente do Lote SPS 04.

Mercado financeiro

A pernambucana Pequod Investimentos inicia uma nova fase de expansão após ser eleita pela XP a melhor assessoria do Nordeste no Brazil Advisor Awards 2026. A empresa também permaneceu, pelo quarto ano consecutivo, no G20 da corretora. Com R$ 4,5 bilhões sob custódia, 40 profissionais e atuação em Recife, Fortaleza, Maceió e Caruaru, a Pequod pretende contratar 150 especialistas nos próximos cinco anos. A premiação foi anunciada no sábado (25).

Exportações

China, Paraguai e Palau abriram seus mercados para novos produtos brasileiros. A China autorizou a importação de cálculos biliares bovinos. O Paraguai aprovou a exportação de suínos vivos destinados ao abate. Palau liberou a compra de carnes bovina, ovina, caprina e suína. As autorizações foram formalizadas por meio de protocolos e certificados sanitários.

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