
Entre sexta-feira, 24 de julho, e esta segunda-feira, 27 de julho de 2026, a movimentação eleitoral foi marcada pela divulgação de pesquisas, oficialização de candidaturas, dificuldades de articulação no campo bolsonarista e avanço das convenções partidárias.
Os últimos dias consolidaram Lula e Flávio como os polos principais da eleição, mas também marcaram a entrada formal de Caiado como candidato de terceira via. Ao mesmo tempo, o debate eleitoral deixou de estar concentrado apenas em economia, segurança e programas sociais: tarifas, soberania nacional, urnas eletrônicas e interferência estrangeira passaram ao centro da campanha.
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A pesquisa sobre o tarifaço representa um alerta para Flávio. Embora sua candidatura preserve um eleitorado próximo de 32% no primeiro turno, a associação com Trump pode dificultar sua aproximação com eleitores moderados. Lula, por sua vez, procura transformar o conflito externo em uma narrativa de defesa da economia e da soberania brasileiras.
1. Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro
O Datafolha divulgado em 24 de julho mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado aparece com 4%; Romeu Zema e Renan Santos têm 3% cada. Em votos válidos, Lula registra 45%, e Flávio, 36%.
Em um eventual segundo turno, Lula venceria Flávio por 48% a 43%. O presidente também superaria Caiado por 47% a 40% e Zema por 48% a 40%. A rejeição alcança 48% para Flávio e 46% para Lula, confirmando que os dois principais concorrentes também concentram as maiores resistências do eleitorado.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais. O registro no TSE é BR-01166/2026. O período correto das entrevistas, portanto, foi de 22 a 23 de julho, e não de 22 a 24, como aparece no material enviado.
Os recortes mostram Lula mais forte entre nordestinos, eleitores de menor renda, pessoas com menor escolaridade e católicos. Flávio apresenta melhor desempenho entre evangélicos, moradores do Sul e eleitores com renda entre dois e cinco salários mínimos.
A pesquisa vem após o levantamento da Quaest, divulgada em 21 de julho, que mostrou Lula à frente em segmentos importantes do eleitorado, com melhora no Sudeste e entre grupos beneficiados ou alcançados por políticas econômicas e sociais. Na pesquisa, Flávio Bolsonaro mantém vantagem entre os evangélicos.
A pesquisa reforça que a eleição permanece fortemente segmentada por renda, religião, escolaridade e região. Também indica que a estratégia das campanhas dependerá da capacidade de ampliar votos fora dos respectivos núcleos tradicionais.
Para Lula, o desafio é preservar a vantagem no Nordeste e avançar entre a classe média e os eleitores independentes. Para Flávio, a dificuldade está em manter a unidade da direita e reduzir a rejeição entre mulheres, moderados e conservadores não bolsonaristas.
2. PL oficializa Flávio Bolsonaro, mas candidatura enfrenta dificuldades
O PL confirmou, no sábado, 25 de julho, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O senador apresentou como bandeiras a redução de impostos, o endurecimento da política de segurança pública e a continuidade do legado político do pai, Jair Bolsonaro.
A convenção contou com manifestações de apoio do presidente argentino Javier Milei, do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de Michelle Bolsonaro. Flávio, entretanto, ainda enfrenta dificuldades para montar a chapa, definir um candidato a vice e obter apoio formal dos principais partidos de centro-direita.
Os episódios envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o desentendimento público com Michelle Bolsonaro ampliaram o desgaste da campanha. O Datafolha, porém, indica que a crise ainda não provocou uma mudança expressiva nas intenções de voto do senador.
3. Crise de Flávio abre espaço para outros candidatos da direita
O levantamento enviado acrescenta um dado relevante: o apoio a Flávio entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas teria recuado de 74% para 54% em um mês. Essa perda vem sendo explorada por Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, que procuram atrair empresários, representantes do agronegócio, lideranças partidárias e eleitores conservadores descontentes.
O movimento revela que a disputa eleitoral não se limita ao confronto entre Lula e Flávio. Há também uma competição interna pelo comando da direita e pela parcela do eleitorado conservador que rejeita o PT, mas não demonstra fidelidade ao bolsonarismo.
A fragmentação pode dificultar a construção de uma aliança ampla em torno de Flávio no primeiro turno. Ao mesmo tempo, oferece aos demais candidatos espaço para apresentar uma alternativa eleitoral dentro do mesmo campo ideológico.
4. PT monta palanque competitivo em São Paulo
O PT oficializou Fernando Haddad como candidato ao Governo de São Paulo. A chapa reúne Márcio França como vice, enquanto Simone Tebet e Marina Silva disputam as duas vagas paulistas ao Senado.
A composição oferece a Lula um palanque com nomes conhecidos no maior colégio eleitoral do país. Durante a convenção, o presidente voltou a defender a soberania brasileira e afirmou que a escolha dos governantes deve caber exclusivamente aos eleitores.
A disputa paulista também terá impacto sobre a corrida presidencial, já que o desempenho das chapas estaduais pode influenciar a votação de Lula e Flávio Bolsonaro no estado.
5. Convenções aceleram definição das chapas
O calendário eleitoral entrou em uma fase decisiva. Desde 20 de julho, partidos e federações estão autorizados a realizar convenções para escolher candidatos a presidente, governador, senador e deputados, além de formalizar coligações para os cargos majoritários.
O período termina em 5 de agosto. Depois das convenções, partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para registrar as candidaturas. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa em 16 de agosto.
A abertura das convenções acelera as negociações por candidatos a vice, distribuição de recursos, formação de palanques estaduais e definição das alianças. Também torna mais curta a margem para que partidos ainda indecisos escolham entre apoiar Lula, Flávio ou apresentar candidaturas próprias.
6. TSE amplia controle sobre IA e desinformação
O TSE reforçou as regras para utilização de inteligência artificial na campanha eleitoral. Conteúdos produzidos ou significativamente alterados por IA deverão ser identificados de maneira explícita, destacada e acessível.
A publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos sintéticos estarão proibidos entre as 72 horas anteriores à votação e as 24 horas posteriores ao pleito. O descumprimento poderá provocar remoção do conteúdo e multa entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, além de outras consequências eleitorais.
A Corte também firmou acordos com Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn. ElevenLabs, OpenAI e Anthropic aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação. A cooperação prevê ferramentas para identificar comportamentos coordenados, conteúdos fraudulentos e o uso irregular de IA.
Essas medidas não foram tomadas especificamente nos últimos três dias — os acordos foram anunciados em 16 de julho —, mas integram o ambiente eleitoral atual e devem ganhar importância com o início da propaganda, em 16 de agosto.
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