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Lei da Reciprocidade: indústria e agro pedem cautela na resposta aos EUA

Lei da Reciprocidade é considerada legítima, mas setor produtivo alerta para riscos de uma escalada comercial. Indústria e agro defendem negociação para evitar prejuízos às exportações
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  1. CNI aponta que 3.985 produtos brasileiros enfrentarão tarifa total de 37,5% nos EUA, representando R$ 10,8 bilhões em exportações.
  2. Indústria e agronegócio reconhecem Lei de Reciprocidade como legítima, mas pedem negociação diplomática para evitar escalada de tensões comerciais.
  3. Fiepe alerta que barreiras comerciais podem reduzir competitividade industrial, desestimular investimentos e comprometer empregos em Pernambuco.
  4. Fiern defende aplicação estratégica da reciprocidade para fortalecer industrialização e agregação de valor aos produtos brasileiros exportados.
  5. Setor produtivo solicita responsabilidade, previsibilidade e diálogo diplomático entre governos para evitar impactos adversos às cadeias produtivas.
Levantamento da CNI mostra que nova sobretaxa fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a pagar tarifa total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano. O grupo representa R$ 10,8 bilhões em exportações. Foto: Embaixada dos EUA/Divulgação

A decisão do governo federal de iniciar os procedimentos para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, em resposta à nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, foi recebida com cautela por representantes da indústria e do agronegócio.

Embora reconheçam que a reciprocidade é um instrumento legítimo de defesa comercial, as entidades convergem no ponto de que a prioridade deve continuar sendo a negociação diplomática para evitar uma escalada das tensões entre os dois países.

Enquanto o governo brasileiro classificou a decisão dos Estados Unidos como arbitrária e injustificada, representantes do setor produtivo reforçam que uma eventual reciprocidade precisa ser conduzida de forma estratégica para evitar impactos negativos sobre empresas, consumidores e cadeias produtivas.

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Lei da Reciprocidade preocupa indústria pernambucana

A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) manifestou preocupação com os efeitos econômicos das novas tarifas sobre as empresas exportadoras e sobre toda a cadeia industrial do estado.

Em nota, a entidade afirma que as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos podem reduzir a competitividade da indústria brasileira, desestimular investimentos e comprometer a geração de empregos e renda em Pernambuco.

“A FIEPE entende que a adoção de medidas de reciprocidade desvinculadas de critérios técnicos tende a ampliar as tensões comerciais, elevar custos para empresas e consumidores e produzir efeitos econômicos adversos para ambas as economias, comprometendo a integração das cadeias produtivas e a competitividade internacional”, diz a nota da Fiepe.

Para a federação, o momento exige responsabilidade, previsibilidade e uma atuação baseada no diálogo diplomático entre os governos.

Nordeste defende estratégia e diálogo

No Rio Grande do Norte, a Federação das Indústrias (Fiern) considera que a Lei da Reciprocidade Econômica representa um mecanismo legítimo de defesa dos interesses nacionais. Ainda assim, o presidente da entidade, Roberto Serquiz, afirma que sua aplicação deve ocorrer com cautela.

“A Fiern defende que esse processo seja aproveitado para fortalecer a política de industrialização do Brasil, ampliando a agregação de valor às riquezas nacionais, estimulando a transformação de matérias-primas em produtos de maior valor agregado, incentivando a inovação e aumentando a competitividade da indústria brasileira nos mercados nacional e internacional. Esse é o caminho para gerar mais empregos qualificados, renda e desenvolvimento sustentável para o país”, ressalta Roberto Serquiz, presidente da Fiern.

Em Alagoas, o Senar também defendeu prudência. A superintendente adjunta Luana Torres destacou que alterações tarifárias podem afetar diretamente a cadeia sucroenergética, um dos principais motores da economia alagoana.

“Entendo que a defesa dos interesses brasileiros é legítima, mas medidas de reciprocidade precisam ser conduzidas com base em estudos técnicos, diálogos diplomáticos e uma avaliação específica dos setores afetados. Uma escala tarifária pode gerar consequências para ambos os países e gerar uma insegurança para os produtores e empresas. Acredito que o governo federal deve manter interlocução permanente com as entidades do agro, incluindo a CNA e as federações dos estados, para que qualquer decisão preserve os mercados que já foram conquistados e pensando numa redução de possíveis impactos sobre essas cadeias estratégicas, como é o caso da cana aqui em Alagoas”, declarou a superintendente adjunta do Senar Alagoas, Luana Torres.

Agro teme efeitos indiretos

A economista Paloma Gois, da Federação da Agricultura do Estado de Sergipe (Faese), avalia que os impactos podem chegar inclusive aos produtores que não exportam diretamente para os Estados Unidos.

“O tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode afetar os produtores sergipanos de forma indireta. Mesmo aqueles que não exportam enfrentam consequências decorrentes da reorganização do mercado, como o aumento da oferta de produtos no mercado interno, a redução dos preços recebidos pelos produtores, menor disponibilidade de crédito e investimentos e maior pressão sobre os custos de produção, especialmente para os pequenos produtores”, afirmou.

Ela observa, entretanto, que produtos considerados estratégicos para os próprios Estados Unidos, como café e carne bovina, costumam ficar fora desse tipo de sobretaxa justamente para evitar aumento da inflação no mercado norte-americano.

CNI reforça negociação e propõe apoio à indústria

Os impactos das novas tarifas também foram detalhados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Levantamento da entidade mostra que a nova sobretaxa fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a pagar tarifa total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Ao todo, 4.060 produtos brasileiros serão atingidos pela nova medida. Desse universo, 3.985 mercadorias já estavam submetidas à tarifa adicional de 25% e agora passam a sofrer tributação total de 37,5%. O grupo representa US$ 10,8 bilhões em exportações, enquanto outros 75 produtos, equivalentes a US$ 1,6 bilhão, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%.

Segundo a CNI, quase metade das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos (cerca de 48,7%) ficará sujeita a algum tipo de sobretaxa.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu que a reciprocidade caminhe paralelamente ao fortalecimento das negociações entre os dois governos. “O diálogo entre Brasil e Estados Unidos precisa ser mantido e aprofundado. Precisamos agir rapidamente para reduzir os impactos sobre as empresas brasileiras”, afirmou.

Após reunião com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Alban informou que a CNI trabalha na criação de uma sétima missão da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada especificamente ao apoio às empresas afetadas pelas novas tarifas, incluindo ações de internacionalização das cadeias produtivas.

Reação brasileira veio após novo tarifaço

A reação brasileira ocorre depois que o governo norte-americano anunciou uma nova sobretaxa baseada na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, sob a justificativa de que o Brasil não adotaria mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

Além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo brasileiro decidiu abrir os procedimentos previstos na Lei nº 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica.

Na prática, a abertura do processo não significa que o Brasil aplicará imediatamente tarifas contra produtos norte-americanos. A legislação prevê consultas ao setor privado, estudos técnicos e análise da proporcionalidade das medidas antes de qualquer contramedida.

Leia também: Brasil acionará reciprocidade contra tarifa dos Estados Unidos

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