
A internacionalização do Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz, pode inaugurar um novo capítulo para o turismo e o mercado imobiliário do litoral oeste cearense. O Governo do Ceará apresentou ao Ministério de Portos e Aeroportos estudos técnicos para transformar o terminal em uma porta de entrada internacional, em um movimento que se soma à chegada de resorts, hotéis, loteamentos e condomínios de alto padrão espalhados entre a Vila de Jericoacoara, a Lagoa do Paraíso e a praia do Preá.
O pedido de internacionalização foi entregue pelo secretário estadual do Turismo, Gustavo Montenegro, ao ministro Tomé França. A proposta integra o programa federal AmpliAR e acompanha a futura operação da Fraport Brasil no terminal, cuja concessão de 30 anos foi assinada neste ano. A expectativa do governo estadual é antecipar o início da administração da empresa alemã e ampliar a oferta de voos.
Hoje, o aeroporto recebe cerca de 265 mil passageiros por ano, com quatro voos diários operados por Azul, Gol e Latam, conectando a região principalmente a São Paulo e Belo Horizonte. Para as lideranças locais, a abertura para rotas internacionais poderá acelerar ainda mais a expansão econômica da região.
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Jericoacoara entre o turismo e a preservação
A secretária de Turismo de Jijoca de Jericoacoara, Rosana Viana, avalia que o município atravessa “o melhor momento de evidência para o turismo nacional e internacional”. Segundo ela, a região reúne um conjunto raro de atrativos naturais e infraestrutura turística consolidada.
“Estamos no coração da Rota das Emoções e somos um dos portões de entrada desse roteiro conhecido internacionalmente. É um território muito rico em belezas naturais, cultura e potencial turístico”, afirmou.
A secretária destaca, no entanto, que a expansão econômica precisa caminhar ao lado da preservação ambiental. Jijoca abriga parte do Parque Nacional de Jericoacoara e a Área de Proteção Ambiental da Lagoa do Paraíso, um dos principais cartões-postais da região.
“Temos uma preocupação muito grande com a sustentabilidade e a capacidade de carga. Não queremos abrir mão da tranquilidade e da identidade que transformaram Jericoacoara em um destino reconhecido pela paz e pela harmonia”, disse.
Atualmente, apenas a Vila de Jericoacoara concentra cerca de 450 meios de hospedagem, entre hostels, pousadas, hotéis e resorts, somando aproximadamente 14,5 mil leitos. Em 2025, o destino recebeu cerca de 1,3 milhão de visitantes.
Empreendimentos mudam a paisagem de Jericoacoara
A perspectiva de crescimento impulsiona uma série de empreendimentos turísticos e imobiliários. O grupo EP House, por exemplo, prevê investir cerca de R$ 400 milhões em três projetos na região.
O principal deles é o Golden Tulip Eco Resort Jericoacoara, na Lagoa do Paraíso, que terá 600 apartamentos. A primeira etapa, com 200 unidades, já está em construção e deve ser concluída no fim de 2028. O complexo contará ainda com um beach club aberto ao público.
“O Eco Resort é voltado para o viajante que quer explorar toda a região, da Lagoa do Paraíso à Vila de Jericoacoara e à praia do Preá”, afirmou o diretor-presidente do grupo, Paulo Luviseti.
Outro empreendimento da empresa é o Studio Jeri Smart Living, um loteamento fechado com 280 casas horizontais próximo à Lagoa do Paraíso. O projeto aposta em um modelo de moradia voltado tanto para investidores quanto para trabalhadores atraídos pelo crescimento do destino.
A empresa também prepara um hotel e um parque aquático na Vila de Jericoacoara, projeto ainda em fase de licenciamento ambiental. Segundo Luviseti, o objetivo é criar atrações compatíveis com o perfil rústico da região. “Jericoacoara é hoje o paraíso do Brasil e do mundo. O destino tem o espírito de Fernando de Noronha com as facilidades de Porto de Galinhas”, afirmou.

Praia do Preá: nova fronteira de investimentos
Se a Vila de Jericoacoara já enfrenta limitações territoriais, a expansão imobiliária avança sobre a praia do Preá, no município de Cruz. A região concentra alguns projetos em andamento, impulsionados pela proximidade com o aeroporto. De acordo com o secretário municipal de Turismo, Comércio e Indústria de Cruz, Wilamar Cunha, praticamente toda a orla já está ocupada ou em processo de desenvolvimento. “Da praia do Preá até a divisa com Acaraú praticamente não há mais terrenos disponíveis. Tudo já está demarcado ou em fase de construção”, disse.
Entre os investimentos está o Vila Canaúba, empreendimento ligado ao grupo XP, com mais de 500 mil metros quadrados destinados a residências de alto padrão. O complexo também abrigará o hotel Anantara, o primeiro da rede internacional nas Américas. Outro projeto é o Wind House, voltado para praticantes de kitesurf e windsurf, esportes que transformaram a região em referência internacional.
“Quando termina a temporada de férias nacionais, começa a temporada dos ventos. Europeus e atletas do mundo inteiro vêm treinar aqui”, explicou Cunha.
Além dos investimentos privados, a infraestrutura urbana também avança. O governo estadual investe mais de R$ 100 milhões em obras de saneamento, drenagem e abastecimento, enquanto a prefeitura amplia a pavimentação e melhora os acessos ao litoral.
Internacionalização pode ampliar permanência dos turistas
A expectativa dos gestores é que os voos internacionais aumentem não apenas o fluxo de visitantes, mas também o tempo de permanência no destino. Segundo Rosana Viana, turistas estrangeiros costumam permanecer pelo menos uma semana na região, enquanto praticantes de esportes à vela chegam a passar meses em Jericoacoara.
Há especulações sobre futuras rotas ligando o Ceará a Portugal e outros mercados europeus, embora o governo ainda não tenha confirmado oficialmente os destinos.
“Quem vem de longe costuma ficar mais tempo. Isso movimenta toda a economia regional, desde hotéis e restaurantes até comércio e serviços”, afirmou a secretária.
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