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CNI eleva projeção da indústria para 2,1% e mantém previsão do PIB em 2% em 2026

Com impulso da indústria e do agronegócio, economia brasileira resiste aos impactos dos juros altos e da inflação
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  1. CNI eleva projeção industrial para 2,1% enquanto mantém PIB em 2% para 2026.
  2. Setor extrativo lidera crescimento com revisão de 7,8% para 9,1% pela expansão petrolífera.
  3. Construção sobe projeção de 1,3% para 1,5% impulsionada por programas habitacionais e infraestrutura.
  4. Agropecuária revisa estimativa para cima segunda vez, alcançando 1,8% pela safra recorde de soja.
  5. Serviços reduz projeção de 2,1% para 1,9% afetados por juros elevados e endividamento familiar.
Indústria
O avanço da indústria é puxado principalmente pelo ramo extrativo, que teve a perspectiva revista de 7,8% para 9,1% graças à expansão na produção de petróleo. A indústria da construção também subiu sua projeção de 1,3% para 1,5%, favorecida por programas habitacionais e investimentos em infraestrutura. Foto: Shutterstock

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 e elevou a estimativa de expansão da indústria de 1,6% para 2,1%. Os dados fazem parte do Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). O otimismo com o setor produtivo e o agronegócio ajuda a sustentar a atividade, mas juros elevados, custos altos e importações contêm um ritmo mais forte.

​Segundo a entidade, o avanço moderado é impulsionado pelo setor de commodities e por estímulos à demanda interna. Por outro lado, a política monetária restritiva, os problemas fiscais e a inflação em alta travam um desempenho mais robusto.

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“A combinação entre política monetária restritiva, condições financeiras adversas, inflação elevada e persistência das fragilidades fiscais continua limitando uma recuperação mais forte da economia”, aponta Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI.

​Na divisão do setor produtivo, o avanço da indústria é puxado principalmente pelo ramo extrativo, que teve a perspectiva revista de 7,8% para 9,1% graças à expansão na produção de petróleo. A indústria da construção também subiu sua projeção de 1,3% para 1,5%, favorecida por programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.

​Indústria de transformação e agronegócio têm novas expectativas

Na indústria de transformação, a previsão passou de 0,3% para 0,6%, com recuperação pontual nos segmentos de derivados de petróleo, farmacêuticos e automóveis. Apesar desse ajuste, Mario Sergio Telles pondera que a maioria das atividades ainda enfrenta dificuldades, com apenas 7 dos 24 segmentos do setor em trajetória de crescimento devido aos juros e ao aumento das importações.

​A agropecuária teve sua projeção revisada para cima pela segunda vez consecutiva, subindo de 1,1% para 1,8% em 2026. A perspectiva de uma nova safra recorde de soja e o avanço na produção animal foram determinantes para o resultado, superando os impactos do encarecimento de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio.

​Já o setor de serviços foi o único com redução nas estimativas, caindo de 2,1% para 1,9%. O consumo das famílias e o mercado de trabalho continuam dando suporte ao segmento, mas o endividamento, a inadimplência e a taxa de juros elevada atuam como freios para uma expansão maior.

​Inflação IPCA e taxa Selic no cenário econômico de 2026

No campo dos preços, a CNI elevou a estimativa para a inflação oficial (IPCA) de 4,4% para 5% ao final de 2026, pressionada por alimentos e combustíveis. Em resposta a esse quadro e à deterioração fiscal, a previsão para a taxa básica de juros (Selic) mudou: a expectativa agora é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual, encerrando o ano em 13,75%.

​As contas públicas do governo federal também preocupam a confederação, com previsão de déficit em torno de R$ 55,3 bilhões e dívida pública alcançando 82% do PIB. A CNI destaca que, mantida a Selic em 13,75% e a inflação em 5%, a taxa de juros real fechará o período em cerca de 9,2%, caracterizando uma política monetária fortemente contracionista.

​Riscos externos e o saldo da balança comercial brasileira

No ambiente internacional, o conflito no Oriente Médio segue como a principal fonte de incerteza, elevando custos com combustíveis e fertilizantes. Outro fator de atenção é a alta de 16% na importação de bens de consumo no primeiro semestre, com as compras externas totais estimadas em US$ 306 bilhões.

​Por outro lado, o aumento no preço de commodities deve favorecer o comércio exterior do país. As exportações brasileiras devem alcançar US$ 383,9 bilhões em 2026, uma alta de 9,5%, garantindo um superávit estimado de US$ 77,9 bilhões na balança comercial, embora eventuais sobretaxas dos Estados Unidos possam alterar esses resultados.

Com informações da Agência CNI.

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