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Polo de confecções busca caminhos para ampliar exportações

Fórum promovido pelo NTCPE discute estratégias para internacionalizar as confecções de Pernambuco
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  1. Polo de Confecções cria agenda permanente para internacionalização de empresas pernambucanas
  2. NTCPE articula instituições como Sebrae, ApexBrasil e Governo para ampliar exportações
  3. Fórum definiu estratégia de médio e longo prazo com preparação e planejamento empresarial
  4. Marco Pernambucano da Moda mapeia mercados e cria estratégias por segmento
  5. Missões comerciais, feiras internacionais e consórcios empresariais fortalecem presença externa do polo
Encontro sobre exportações reuniu empresários do Polo de Confecções e especialistas em Santa Cruz do Capibaribe – Foto: Ascom/NTCPE

A criação de uma agenda permanente voltada à internacionalização das empresas do Polo de Confecções de Pernambuco foi um dos principais encaminhamentos do 2º Fórum NTCPE Summit, realizado nesta terça-feira (21), em Santa Cruz do Capibaribe. O encontro reuniu empresários, representantes do poder público e especialistas em comércio exterior para discutir estratégias capazes de ampliar a presença da moda produzida no Agreste em mercados internacionais.

A proposta, liderada pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), prevê a identificação de empresas interessadas em exportar, a realização de missões comerciais, a participação em feiras internacionais e a criação de mecanismos de cooperação entre empresários. A iniciativa contará com a articulação de instituições como Adepe, Sebrae, ApexBrasil, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Governo de Pernambuco.

“A partir deste fórum, temos o compromisso de construir um programa específico para as empresas pernambucanas. Vamos identificar quem deseja participar, preparar essas empresas e apresentar, na prática, como funciona o mercado internacional”, afirmou Pedro Miranda, diretor-presidente do NTCPE.

Segundo ele, o evento marcou apenas o início de um trabalho que exigirá planejamento e envolvimento do setor produtivo. A expectativa é formar grupos empresariais e estruturar ações voltadas tanto à prospecção de mercados quanto à qualificação das empresas para atuar fora do país.

“Não é participando de um evento ou fazendo uma viagem que a empresa passará a exportar. É um trabalho de médio e longo prazo, que exige preparo e planejamento”, acrescentou.

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Empresários serão preparados para atuar no exterior

De acordo com Pedro Miranda, o Marco Pernambucano da Moda, do Governo do Estado, servirá como uma das principais ferramentas para impulsionar esse processo. A intenção é mapear quais mercados oferecem melhores oportunidades para os produtos confeccionados em Pernambuco e criar estratégias específicas para cada segmento.

O dirigente destacou que o setor já começa a identificar potenciais compradores internacionais. Durante a participação do NTCPE na Feira Internacional da Indústria Têxtil (Febratex), em São Paulo, representantes do polo tiveram contato com empresários da Venezuela e de outros países latino-americanos interessados em adquirir produtos pernambucanos.

A partir desse diagnóstico, o núcleo pretende organizar missões de conhecimento, visitas técnicas e road shows, além de estimular a formação de consórcios empresariais para fortalecer a presença do Estado em feiras internacionais.

“A gente pode pegar na mão do empresário, visitar mercados, levar produtos para feiras e permitir que ele comece a entender como funciona esse ambiente. Mas precisamos que as empresas estejam dispostas a passar por esse processo”, afirmou Miranda.

Segundo ele, exportar envolve desafios que vão além da produção, como operações cambiais, adaptação a legislações estrangeiras e negociação com clientes de outros países.

“Qualquer ação vai exigir mudanças tanto na empresa quanto no produto. Exportar significa aprender a lidar com novas moedas, novos mercados e legislações diferentes. É um caminho que exige preparo”, disse.

Concorrência internacional pressiona confecções

O debate sobre a internacionalização ganhou força em meio ao aumento das importações e ao avanço das plataformas digitais estrangeiras sobre o mercado brasileiro. Para o presidente da Abit, Fernando Pimentel, a indústria nacional precisa abandonar a dependência do mercado interno e buscar novas oportunidades de negócios.

“O mercado não é mais nosso. O mercado é do mundo”, afirmou.

Segundo Pimentel, o Brasil importou, nos últimos 12 meses, 226 mil toneladas de vestuário, sem considerar as pequenas encomendas internacionais realizadas por plataformas digitais. Apenas em junho deste ano, chegaram ao país 28 milhões de remessas desse tipo.

O dirigente lembrou que, em 2005, o país exportava quase US$ 2 bilhões em produtos têxteis e de confecção. Atualmente, as vendas externas giram em torno de US$ 1 bilhão, enquanto as importações devem superar US$ 7 bilhões em 2026.

Para ele, a resposta para esse cenário não está apenas na disputa por preços, mas na capacidade de agregar valor e construir marcas fortes.

“O Brasil sempre viveu muito do mercado interno. Só que ele não é mais nosso. Precisamos pensar globalmente”, defendeu.

Infraestrutura e políticas públicas entram na discussão

A necessidade de ampliar as exportações também mobilizou representantes do Governo de Pernambuco. Durante o evento, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, afirmou que o Estado vem estruturando ações para fortalecer a competitividade do polo.

“O nosso objetivo não é crescer só internamente, mas mostrar que o produto pernambucano tem qualidade para estar em qualquer lugar do mundo”, afirmou.

Segundo a secretária, Pernambuco possui vantagens estratégicas para a expansão do comércio exterior, como a operação do Porto de Suape e os investimentos em infraestrutura logística. Mais de R$ 1,16 bilhão estão sendo aplicados em rodovias que conectam municípios como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, facilitando o escoamento da produção.

Danielle Jar Souto destacou ainda que o fórum representa uma das primeiras ações concretas do grupo de trabalho criado pelo Governo do Estado para fortalecer o Polo de Confecções após as mudanças na política federal de importações.

“O que se pensou como solução já começa a ser colocado em prática. Hoje é uma prova de que nos reunimos com representantes do setor e estamos construindo alternativas para ampliar a exportação do nosso polo”, disse.

Experiências mostram caminhos para exportar

Além das discussões institucionais, empresários compartilharam experiências sobre os desafios de vender para outros países. Um dos participantes foi Wilian Volf, da Volf Bobinas Têxteis, empresa instalada em Pernambuco há 15 anos e que atualmente exporta para mercados como México e Portugal.

Segundo ele, a internacionalização deve ser encarada como uma estratégia complementar e construída gradualmente. “A exportação precisa ser um complemento. Ela não pode ter uma representatividade muito grande logo no início. É preciso planejamento e visão de longo prazo”, afirmou.

A empresária Mercia Moura, fundadora da marca Marie Mercié, destacou que a principal transformação para atuar no exterior aconteceu dentro da própria empresa, antes mesmo das primeiras vendas internacionais. “A maior mudança não aconteceu quando começamos a vender para outros países. Essa transformação ocorreu dentro da fábrica”, afirmou.

Com mais de quatro décadas de atuação, Mercia ressaltou a importância da organização interna, da construção de uma marca sólida e do apoio de instituições como Sebrae, Adepe e ApexBrasil.

“É preciso construir uma marca forte, organizar processos, investir em qualidade, gestão e relacionamento. Sozinha, ninguém chega a lugar nenhum”, concluiu.

Ao final do encontro, a mensagem predominante foi a de que a exportação deixou de ser uma possibilidade distante para se tornar uma necessidade estratégica para o futuro do Polo de Confecções. Agora, o desafio será transformar o interesse demonstrado durante o fórum em ações concretas capazes de inserir mais empresas pernambucanas no mercado internacional.

Leia também: Polo de Confecções de Pernambuco enfrenta novo desafio para renovar mão de obra

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