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Tarifaço dos EUA derruba exportações de 20 estados brasileiros

Segundo a CNI, os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~3:48
  1. CNI expressa preocupação com tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros.
  2. Vinte estados brasileiros reduziram exportações aos EUA no primeiro semestre de 2026.
  3. Exportações brasileiras para EUA caíram 13%, equivalente a US$ 2,6 bilhões em perdas.
  4. Pernambuco pode ter 60% das exportações afetadas pelas novas barreiras comerciais norte-americanas.
  5. Produtos como açúcar, pescados e sucos enfrentam tarifas que comprometem viabilidade comercial.
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Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) recebeu com preocupação a confirmação, nesta quarta-feira (15), de uma nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para a entidade, a sobretaxa tende a aprofundar a retração das exportações nacionais e aumentar a insegurança para empresas que mantêm relações comerciais entre os dois países.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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As medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já provocam reflexos no comércio bilateral. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 13%, o equivalente a uma redução de US$ 2,6 bilhões na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A queda foi influenciada, principalmente, pela retração de 8,7% nas vendas de bens industriais. Entre os produtos mais afetados estão semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço.

Apesar da redução das vendas, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da indústria brasileira de transformação no período.

FIEPE

A indústria pernambucana poderá enfrentar um cenário mais crítico com a imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, o novo tarifaço pode comprometer cerca de 60% das exportações do Estado destinadas ao mercado norte-americano. Pernambuco exporta aproximadamente US$ 130 milhões para os Estados Unidos, e cerca de 60% desse volume estaria diretamente sujeito às novas tarifas.

O presidente da Fiepe ressaltou que Pernambuco possui uma pauta exportadora com forte presença de produtos industriais, diferentemente de outros estados mais concentrados em commodities e no agronegócio. Por essa razão, as novas barreiras podem afetar de forma mais intensa a competitividade e a rentabilidade das empresas locais.

Segundo Veloso, os produtores pernambucanos já haviam reduzido suas margens de lucro no ano passado para manter os produtos competitivos no mercado norte-americano. Com a elevação das tarifas, parte dessas operações pode perder viabilidade comercial.

Fonte CNI

Embora quase 2,5 mil produtos tenham sido excluídos da nova cobrança, itens importantes para a economia de Pernambuco continuam sujeitos às tarifas, entre eles açúcar, uva fresca, inhame, pescados e sucos. A manga, uma das principais mercadorias exportadas pelo Vale do São Francisco, permaneceu isenta.

“A manutenção dessas taxas inviabiliza comercialmente alguns produtos ou reduz drasticamente a margem de lucro tanto do exportador quanto do agente americano. O setor sucroalcooleiro, pilar econômico de Pernambuco e do Nordeste, é um dos mais preocupados, especialmente diante da nova lista encabeçada pelo etanol e das restrições às cotas de exportação para os EUA”, afirmou Bruno Veloso.

Exportações caem em 20 estados

Os efeitos das tarifas em vigor desde 2025 também aparecem nos resultados regionais. No primeiro semestre deste ano, 20 das 27 unidades da Federação registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, em relação ao mesmo intervalo de 2025.

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