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Isentando carne e café, EUA começam a cobrar tarifa de 25% ao Brasil no dia 22

EUA confirmam tarifa de 25% sobre exportações brasileiras a partir de 22 de julho. Carne e café ficam isentos. Indústria critica impacto; Fazenda prevê efeito limitado
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  1. EUA confirmam tarifa de 25% às exportações brasileiras a partir de 22 de julho de 2026
  2. Carne, café, suco de laranja e produtos aeronáuticos ficam isentos da nova alíquota comercial
  3. Investigação comercial aponta práticas injustas do Brasil em Pix, plataformas digitais e propriedade intelectual
  4. Governo brasileiro contesta sobretaxa e planeja ampliar lista de exceções em negociações bilaterais
  5. Ministério da Fazenda projeta impacto macroeconômico limitado, inferior a 2% do PIB nacional
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O argumento central do governo contra a tarifa de 25% às exportações é que os próprios Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. Foto: CNI/Divulgação

As exportações brasileiras para os Estados Unidos passam a ser taxadas em 25% a partir de 22 de julho de 2026, segundo decisão confirmada nesta quarta-feira, (15), pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). O chefe do escritório, Jamieson Greer, informou que o presidente Donald Trump acatou a recomendação e oficializou a medida. Carne, café, suco de laranja, peças aeronáuticas e relacionados a petróleo e gás ficaram de fora da nova alíquota. A lista de produtos atingidos deve ser publicada nas próximas horas no Federal Register, segundo representantes do USTR.

A decisão encerra a investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, aberta há cerca de um ano. O governo norte-americano classificou práticas comerciais brasileiras como injustas em áreas que incluem o Pix e os serviços de pagamento eletrônico, a regulação de plataformas digitais, o mercado de etanol, a proteção à propriedade intelectual, o combate à corrupção e o desmatamento ilegal.

Uma das conclusões do USTR é que políticas públicas brasileiras favoreceriam o Pix e colocariam empresas norte-americanas do setor de pagamentos em desvantagem. Os EUA também se queixam de benefícios concedidos pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México sem extensão dos mesmos termos a produtos norte-americanos.

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Reação do governo brasileiro

O Palácio do Planalto classificou a sobretaxa como injustificada. Em nota divulgada na véspera do encerramento da investigação, o governo brasileiro afirmou que a aplicação de qualquer sobretaxa não é o caminho para a formulação de um acordo bilateral adequado. O argumento central é que os próprios Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. Representantes dos dois países realizaram cinco rodadas de conversas desde o encontro entre o presidente Lula (PT) e Trump, em maio de 2026.

A estratégia brasileira a partir de agora dependerá do desenho final da medida. O governo pretende avaliar setor a setor os produtos atingidos e buscar ampliar a lista de exceções, retirando da sobretaxa itens estratégicos para as exportações nacionais.

Fazenda projeta impacto limitado

O Ministério da Fazenda avalia que as novas tarifas devem ter efeito macroeconômico reduzido. Segundo o boletim Macrofiscal da SPE (Secretaria de Política Econômica), divulgado na quarta-feira, o mercado norte-americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do PIB. A pasta considera que as exportações já apresentaram resiliência após a elevação tarifária de agosto de 2025, com recuperação gradual desde novembro.

O documento destaca que o redirecionamento de vendas para outros destinos compensou parte relevante das perdas e que as exceções previstas na proposta de junho tendem a manter o impacto agregado modesto. O governo também cita ações implementadas desde o ano passado em apoio aos setores mais expostos, com foco em crédito, liquidez e diversificação de mercados. Na véspera da confirmação do tarifaço, o ministro Dario Durigan não descartou a edição de nova MP (Medida Provisória) nos moldes da MP do Brasil Soberano, caso as tarifas se confirmassem.

Reação do setor industrial

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) lamentou a aplicação das novas tarifas e atribuiu a decisão ao que chamou de desalinhamento político do governo brasileiro com Washington. Em nota divulgada na noite desta quarta-feira, a entidade afirmou que “a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que as novas tarifas ampliam a pressão sobre empresas brasileiras que já enfrentam custos elevados no mercado doméstico. Segundo Skaf, o mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado, e a nova sobretaxa se soma à carga tributária e aos juros reais elevados. A entidade afirmou que continuará atuando junto a parceiros americanos para tentar reverter as tarifas ou ampliar a lista de produtos isentos.

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) avalia que a tarifa de 25% cria diferença relevante em relação a fornecedores de outros países, o que pode resultar em perda de competitividade da indústria brasileira. Segundo a entidade, entre as consequências possíveis estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão por redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais. Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, afirmou que será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação e o tratamento dos contratos em andamento.

A Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) lamentou a decisão e destacou os desafios para a indústria gaúcha, especialmente em segmentos com forte presença nas exportações ao mercado norte-americano, como armas e munições, madeira, calçados e tabaco. O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, afirmou que a decisão compromete a competitividade das empresas, reduz a previsibilidade dos negócios e pode gerar impactos sobre investimentos, emprego e renda no Rio Grande do Sul. Bier defendeu que o governo brasileiro mantenha negociações para reverter a medida e ampliar a lista de exceções, e pediu, em caso de manutenção das tarifas, a adoção de medidas compensatórias nos moldes das iniciativas de 2025, com linhas especiais de financiamento e apoio aos setores mais afetados.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou que a sobretaxa agrava um cenário que já pressionava as exportações brasileiras. Segundo a entidade, as vendas aos Estados Unidos caíram 13% no primeiro semestre de 2026, o equivalente a US$ 2,6 bilhões (R$ 13 bilhões). Dos 27 estados brasileiros, 20 reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no período. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que os efeitos do aumento de tarifas estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria e que o cenário tende a piorar com a nova medida.

Instrumentos de resposta

Entre as alternativas à disposição do governo está a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025. A legislação permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade brasileira, incluindo tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e medidas relacionadas à propriedade intelectual.

O Brasil também é alvo de uma segunda investigação americana, que propôs sobretaxa de 12,5% sobre produtos associados a trabalho forçado. Segundo o governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas e levar a uma taxação de até 37,5% sobre os produtos eventualmente atingidos por ambas.

Audiência em Washington e dimensão política

A etapa final da investigação incluiu audiência pública realizada em 6 e 7 de julho, em Washington. Representantes da indústria e do agronegócio dos dois países se posicionaram majoritariamente contra a sobretaxa, com o argumento de que a taxação também elevaria custos para consumidores e cadeias produtivas dos Estados Unidos. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar, e integrantes da Embaixada do Brasil em Washington compareceram apenas como observadores.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, participou da audiência no segundo dia, por iniciativa própria. Acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, pediu que o tarifaço não fosse aplicado e argumentou que aquele seria o pior momento para a medida, uma vez que a sobretaxa poderia fortalecer Lula a poucos meses da eleição presidencial. Segundo o Poder360, o depoimento do senador pouco contribuiu para alterar a decisão de Trump.

Histórico tarifário

As primeiras tarifas recíprocas dos Estados Unidos foram impostas em 2 de abril de 2025, com alíquota base de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 nações e territórios foram afetados.

Em 15 de novembro de 2025, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos, mas manteve uma taxa adicional de 40% decretada em agosto. Em 20 de novembro, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou novo decreto para impor tarifa global de 10% a todos os países.

Leia mais: TCU libera licitações, mas mantém veto a obras na Transnordestina em Pernambuco

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