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Balança comercial tem superávit de US$ 42,4 bi apesar de crise no Irã, diz FGV

Mesmo com conflito no Oriente Médio encarecendo importações, exportações brasileiras crescem e garantem saldo positivo de US$ 12,2 bi sobre 2025
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  1. Brasil fecha primeiro semestre de 2026 com superávit comercial de US$ 42,4 bilhões, superior ao período anterior.
  2. Preços das exportações subiram 15,4% no semestre, enquanto importações cresceram apenas 9,8% no mesmo período.
  3. China lidera parceria comercial brasileira, gerando incremento de US$ 7,6 bilhões nas negociações bilaterais.
  4. Commodities responderam por 67% das exportações do semestre e 69% do faturamento em junho isoladamente.
  5. Extração mineral e petróleo impulsionam receitas, com altas de preço de 40,1% na indústria extrativa acumulado.
exportações
O conflito no Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de suprimento global provocaram uma aceleração generalizada nos preços internacionais, mas o impacto no mercado nacional acabou sendo mais favorável para as exportações. Foto: Agência Brasil

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com um superávit comercial acumulado de US$ 42,4 bilhões, registrando um desempenho expressivo de US$ 12,2 bilhões acima do mesmo período do ano anterior. O saldo positivo foi garantido mesmo enfrentando fortes instabilidades globais que afetaram as rotas marítimas e o comércio internacional. No mês de junho isolado, o resultado positivo atingiu US$ 9,8 bilhões, superando em US$ 3,9 bilhões o montante de junho de 2025.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pela FGV Ibre. Segundo a fundação, a balança comercial brasileira conseguiu manter o sinal positivo apesar do cenário externo desafiador.

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O conflito no Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de suprimento global provocaram uma aceleração generalizada nos preços internacionais, mas o impacto no mercado nacional acabou sendo mais favorável para as exportações.

Enquanto os valores médios cobrados pelos produtos exportados pelo Brasil subiram 15,4% no semestre, a taxa das importações cresceu em um ritmo menor, de 9,8%.

​China lidera compras e commodities sustentam faturamento

​A China permaneceu como o principal parceiro comercial a sustentar o superávit nacional, gerando um incremento de US$ 7,6 bilhões nas negociações com o mercado brasileiro.

A União Europeia também ampliou sua contribuição em US$ 3,1 bilhões, ao passo que o comércio com a Argentina encolheu US$ 2,1 bilhões na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e de 2026. Já as transações com os Estados Unidos apontaram uma pequena redução no déficit, que caiu de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão.

​A força das matérias-primas nacionais segurou a liderança das receitas comerciais brasileiras no período. As exportações de commodities responderam por 67% das vendas externas de todo o primeiro semestre e por 69% do total faturado no mês de junho.

Em contrapartida, as compras do Brasil no exterior permanecem concentradas em bens industrializados, com os produtos chamados de não commodities representando cerca de 92% de todas as importações em junho e no acumulado do período.

​Petróleo e atividade extrativa impulsionam receitas

No detalhamento por atividade econômica, a extração mineral se destacou como a principal responsável pelo avanço físico dos embarques para fora do país, com altas de 10% no acumulado até junho e de 13,4% no mês.

Os maiores aumentos nos preços das exportações brasileiras ficaram concentrados na indústria extrativa, que registraram altas de 40,1% no acumulado e 13,3% em junho, desempenho que foi “explicado pela alta do preço do petróleo” no mercado internacional.

​Com esse impulso de preços, a balança comercial de petróleo e derivados do Brasil saltou de um superávit de US$ 15,3 bilhões para US$ 22,0 bilhões entre os dois primeiros semestres de 2025 e 2026.

O país se beneficiou diretamente do encarecimento internacional do óleo bruto porque reduziu o volume físico importado e aumentou o exportado, garantindo um superávit específico de US$ 24,6 bilhões no segmento de petróleo cru, enquanto o déficit com derivados recuou de US$ 3 bilhões para US$ 2,6 bilhões.

​Importação de fertilizantes e combustíveis recua

​Por outro lado, a alta dos preços internacionais pesou sobre a compra de insumos agrícolas e combustíveis industriais. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, em junho as importações brasileiras de adubos ou fertilizantes recuaram 20,1% em quantidade de quilos, embora o preço médio pago pelo produto tenha subido 26,1%.

Da mesma forma, as compras externas de óleo combustível caíram 29,7% em volume físico, enquanto os preços cobrados pelos fornecedores estrangeiros dispararam 54,5%.

​A reação dos diferentes setores produtivos frente à alta de custos variou no período. O agronegócio manteve os planos de expansão tecnológica, registrando uma alta de 32% nas importações de bens de capital em junho.

No segmento industrial, as compras externas de bens de capital subiram 7,1%, enquanto a aquisição de bens intermediários caiu 1,6% na indústria de transformação e recuou 21% na agropecuária durante o mês de junho.

​Corrida por carros elétricos chineses e tarifaços dos EUA

A indústria de transformação também registrou uma corrida para importação de bens duráveis, que saltaram 75,6% em volume no semestre e 60% em junho. A forte movimentação foi motivada pela volta da cobrança da alíquota de 35% sobre veículos elétricos importados da China a partir de 1º de julho de 2026.

Para amortecer o impacto, o governo manteve a isenção tributária apenas para kits de carros desmontados e semidesmontados até o fim de 2026, com limite de cota global de US$ 463 milhões.

​Por fim, as barreiras tributárias estabelecidas pelo governo norte-americano provocaram mudanças nas rotas de exportação e importação. Os tarifaços de Trump reduziram a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras (de 12,1% para 9,4%) e nas importações (de 16% para 13,3%) na comparação semestral, com os EUA registrando queda de 28,4% no volume enviado ao Brasil.

O recuo abriu espaço para a Ásia, que subiu sua fatia nas exportações do país de 42,7% para 46,3%, sendo liderada pela China.

Com informações da FGV Ibre.

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