
Dois navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo, agravando a crise internacional na região. Após o incidente, o governo do Irã declarou publicamente que não participará de nenhuma negociação de paz caso o presidente norte-americano, Donald Trump, não cesse as repetidas ameaças de retomar as ações de guerra. Os ataques ocorrem em meio a protestos e comoções populares no território iraniano.
O navio de gás natural liquefeito Al Rekayyat, de bandeira do Catar, relatou ter sido atingido por um drone durante a madrugada no lado de bombordo, o que provocou um incêndio na sala de máquinas e deixou o ambiente tomado por fumaça.
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De acordo com fontes de segurança marítima, um navio-tanque de petróleo bruto pertencente à Arábia Saudita também sofreu danos na mesma região. Toda a tripulação da embarcação catariana foi declarada em segurança.
O capitão do Al Rekayyat emitiu um pedido de socorro via rádio informando que a embarcação perdeu totalmente a capacidade de navegação, ficando sem motores e sem direção.
O comandante solicitou o auxílio imediato de qualquer navio que estivesse operando na área do Estreito de Ormuz. Até o momento, nenhum grupo ou nação assumiu formalmente a responsabilidade pela execução dos ataques contra as estruturas marítimas.
Falta de posicionamento oficial e escalada de conflito
O portal de notícias norte-americano Axios publicou que os disparos contra os dois navios-tanque foram efetuados pelas forças militares do Irã. No entanto, as autoridades governamentais de Washington e de Teerã optaram por não comentar diretamente as informações divulgadas pela imprensa internacional. Os incidentes são os primeiros registrados na rota desde o início do período de luto nacional decretado pela liderança iraniana.
O conflito na região se estende por mais de quatro meses, período iniciado quando as forças armadas dos Estados Unidos e de Israel lançaram uma ofensiva militar. O argumento compartilhado pelas duas nações ocidentais era o de que a operação neutralizaria a capacidade do governo do Irã de ameaçar a segurança e a soberania dos países vizinhos. Os novos ataques no estreito reforçam o impasse sobre as garantias de livre navegação comercial no Golfo.
Disputa pelo controle marítimo e taxas em Ormuz
Os líderes clericais que comandam o Irã vêm buscando consolidar o controle operacional sobre o Estreito de Ormuz. Os planos políticos de Teerã envolvem a instalação de um sistema permanente de cobrança de taxas de navegação na rota. A medida, se implementada, representará uma alteração profunda na geopolítica local, afetando a histórica atuação de Washington como o garantidor da segurança na região há gerações.
Internamente, os governantes iranianos demonstraram a manutenção de seu controle político durante a mobilização para as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei. O líder supremo do país foi morto no primeiro dia das ações militares, em um ataque que também vitimou sua filha, sua neta, seu genro e sua nora. O evento marcou o início das hostilidades diretas entre os países envolvidos no atual cenário de guerra regional.
Protestos no funeral de Ali Khamenei reúnem multidões
Os caixões com os corpos do líder assassinado e de seus familiares foram conduzidos pelas ruas da cidade de Qom nesta terça-feira (7). O cortejo atraiu centenas de milhares de pessoas que carregavam bandeiras e faixas comparando a trajetória de Khamenei com os mártires tradicionais da vertente religiosa xiita. A população presente nos atos públicos protestou contra as ações do governo dos Estados Unidos.
A multidão que acompanhava a cerimônia entoou gritos pedindo vingança pela morte do líder clerical e de seus parentes. Diversos manifestantes exibiam cartazes contendo mensagens explícitas de ameaça e pedidos de morte direcionados a Donald Trump. Um cortejo de proporções semelhantes tomou as vias públicas da capital, Teerã, na segunda-feira (6), após a realização de orações solenes iniciadas na última sexta-feira (3).
Os eventos em homenagem a Khamenei contaram com a participação de membros da alta cúpula política do Irã e de autoridades diplomáticas vindas do exterior. De acordo com informações fornecidas pelo governo iraniano, os restos mortais do líder ainda serão transportados para cidades consideradas sagradas para o islamismo xiita no Iraque. Posteriormente, os corpos retornarão ao Irã para o sepultamento definitivo em um santuário medieval.
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