
Alagoas vem avançando no uso de tecnologia para melhoramento genético, com objetivo de impulsionar a produtividade de produtores locais. O Sebrae lançou um programa de Fertilização in Vitro (FIV) e os primeiros resultados já apontam um aumento de 176,67% na transferência de embriões.
O programa foi implantado na cidade de Porto Real do Colégio, mas será ampliado para outras regiões do estado. Nas propriedades de pequenos produtores assistidos pelas equipes técnicas, a primeira fertilização, realizada em junho de 2025 provocou o aumento de 63,33% no número de pecuaristas que aderiram ao programa.
Segundo o Sebrae, a instituição investiu mais de R$ 100 mil no programa de melhoramento genético e tem garantido subsídio de 80% nos custos da FIV para até seis prenhezes por propriedade. Além do suporte na melhoria genética, os produtores recebem ainda 70% de ajuda de custo nas capacitações voltadas para boas práticas de manejo.
A oferta de técnicas mais avançadas para pequenos produtores visam também aumentar a produtividade das propriedades no médio prazo. Projeções feitas pelo Sebrae apontam que os animais que atualmente produzem de 7 a 10 litros de leite por dia irão gerar descendentes que possam alcançar de 15 a 25 litros diários.
“O impacto do melhoramento genético no rebanho leiteiro no Baixo São Francisco é um exemplo claro de inovação territorial. Essa ação, junto com outras ações nossas voltadas para o aumento da produtividade na cadeia do leite, já vem trazendo resultados muito positivos. Com isso, esses territórios passam a ser atrativos para as indústrias que fazem a captação de leite. Essa atuação atinge diretamente o pequeno produtor, que sem o apoio do Sebrae dificilmente teria acesso a essas inovações”, explicou o diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima.

Melhoramento genético fortalece pecuária leiteira no Baixo São Francisco
Situado às margens do Rio São Francisco, a cidade de Porto Real do Colégio é uma das cidades produtoras de arroz em Alagoas, mas além da rizicultura, a pecuária é outra atividade que movimenta a economia local.
O programa de melhoramento genético do Sebrae surgiu após a realização da Semana do Produtor Rural, realizada em 2024, que identificou que as principais demandas da cadeia produtiva estavam relacionadas ao aumento da produtividade, gestão e acesso a crédito e tecnologias.
“Quando o pequeno produtor tem acesso à inovação, crédito, conhecimento e tecnologia, ele deixa de apenas produzir para competir em melhores condições no mercado. É esse o papel do Sebrae: democratizar o acesso às soluções que aumentam a produtividade, geram renda e promovem o desenvolvimento sustentável dos territórios. Os resultados que Porto Real do Colégio já apresenta mostram que investir na agricultura familiar é investir no futuro da economia de Alagoas”, destacou o superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Silva.
De acordo com o analista e gestor do Agronegócio do Sebrae Regional Penedo, Francisco Guilherme, 2026 é um marco para a pecuária da região. Desde o início do ano, as ações foram intensificadas para garantir a eficiência individual e aumento de renda dos produtores e também a excelência na produtividade e fortalecimento da aptidão do agronegócio em Porto Real do Colégio.
“O Baixo São Francisco é uma região com alta aptidão agropecuária, e Porto Real do Colégio se destaca na produção do arroz e na pecuária, a atividade do leite tem sido uma excelente oportunidade para o pequeno produtor, principalmente da Agricultura Familiar. O trabalho que temos desenvolvimento vai além das orientações técnicas, é um trabalho dinâmico que transforma a realidade de uma região com o incremento importante da genética para o aceleramento do processo de melhoramento genético, mas sobretudo para gerar aumento de renda e com objetivos futuros de destacar cada vez mais a região no cenário do Agro alagoano”, ressaltou.
O secretário municipal de agricultura do município, Sidney Nery, disse que, em parceria com o Sebrae, o município quer transformar as pequenas propriedades locais em negócios sustentáveis e competitivos.
“Estamos mostrando aos produtores que é possível ter acesso a genética de alto padrão com um investimento acessível. A proposta é tratar cada pequena propriedade como uma empresa rural, levando tecnologia, planejamento e resultados. Sabemos que a genética é um dos pilares da produção leiteira, mas ela precisa estar acompanhada de cuidados adequados desde o nascimento da bezerra para que ela se transforme em uma matriz de alto desempenho. Hoje, cada nascimento é motivo de comemoração, pois representa a concretização de um projeto que está construindo um futuro mais produtivo e sustentável para as famílias do campo”, ressaltou.
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