
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 43,8 milhões para a Cia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa). O investimento será integralmente destinado à instalação de uma nova planta de produção de carvão vegetal no município de Maracás, na Bahia. O projeto foca no uso de tecnologia voltada para a redução da emissão de gás metano.
A futura unidade terá capacidade para produzir 20 mil toneladas de carvão vegetal por ano. Esse insumo funcionará como biorredutor e abastecerá diretamente a planta metalúrgica da própria empresa, que fica localizada em Pojuca, também no estado baiano. O suporte financeiro liberado pelo banco estatal representa 98% do investimento total da obra, orçado em R$ 44,4 milhões.
Do montante total que o BNDES vai financiar, aproximadamente R$ 35 milhões são originários do Fundo Clima. A liberação dessa verba carimbada ocorreu porque o desenho técnico do projeto promove a redução de gases de efeito estufa.
A fábrica traz uma otimização tecnológica que diminui as emissões equivalentes de carbono se comparada a uma indústria tradicional do setor.
O plano de descarbonização da siderurgia
O avanço desse projeto está inserido em um contexto mais amplo de transição energética dentro da cadeia de suprimentos industrial. Historicamente, o setor de ferroligas e a siderurgia dependem de insumos fósseis e minerais que geram uma pegada de carbono elevada.
A substituição por carvão vegetal extraído de florestas plantadas surge como alternativa para cumprir metas ambientais. O governo e entidades industriais vêm discutindo mecanismos para acelerar a troca de matrizes poluentes por renováveis na metalurgia pesada.
O uso do fundo público ambiental busca viabilizar economicamente essas novas tecnologias, que possuem custo de implantação elevado e demandam garantias financeiras estruturadas de longo prazo para as empresas nacionais.
“Ao apoiar a produção de carvão vegetal com menor emissão de metano, o Banco contribui para a descarbonização de uma cadeia estratégica para a siderurgia nacional, incentivando inovação, sustentabilidade e geração de emprego e renda na Bahia”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Geração de empregos e prazos das obras
As obras de construção da fábrica em Maracás já começaram e estão com o cronograma em andamento. A previsão oficial das empresas envolvidas é que os trabalhos sejam concluídos em dezembro deste ano.
Durante essa fase inicial de edificação das estruturas, o empreendimento projeta a abertura de 80 empregos indiretos e 12 postos de trabalho diretos.
Assim que a planta iniciar a sua operação regular no mercado, a estimativa do projeto é abrir mais 97 postos de trabalho efetivos, divididos entre vagas diretas e indiretas. A contratação dessa mão de obra local deve absorver trabalhadores do próprio município e de regiões próximas no interior do estado.
Logística e o perfil de atuação da Ferbasa
A escolha da cidade de Maracás como sede da nova fábrica ocorreu por motivos estritamente logísticos. A Ferbasa gerencia uma área de 5.378 hectares de florestas plantadas exatamente nessa região baiana.
Esse maciço florestal próprio garante o fornecimento imediato da madeira, que serve como a matéria-prima essencial para fazer o carvão vegetal.
Fundada no ano de 1961 na cidade de Campo Formoso, a Ferbasa começou operando apenas no ramo de mineração de cromo. Atualmente, a companhia atua de forma integrada nos mercados de mineração, metalurgia, energia renovável e recursos florestais.
A empresa ocupa a posição de maior produtora de ferroligas do país e aparece listada entre as dez maiores indústrias baianas.
Com informações da Agência BNDES.
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