
O bom momento da construção civil em Pernambuco já começa a ser sentido em alguns serviços, como o de seguros – que registrou uma alta de 7,4% no primeiro trimestre deste ano-, e em outro indicador importante para qualquer economia: o aumento das vagas de trabalho. No Estado, o saldo de novos postos de trabalho formais no setor superou 9 mil vagas de janeiro a abril de 2026, sendo o dobro do registrado no mesmo período dos dois anos anteriores, segundo dados levantados pela Ceplan Consultoria. O aquecimento vem sendo puxado pelos imóveis enquadrados no programa popular Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e também pelos de alto padrão, além de algumas obras que estão ocorrendo no Complexo Industrial Portuário de Suape.
Segundo o economista da Ceplan Ademilson Saraiva, o aquecimento na construção civil ocorre tanto em obras civis quanto em infraestrutura. Para ele, este movimento tem um impacto importante para economia do estado, pois vem gerando empregos que se convertem em renda, podendo contribuir para uma redução do endividamento das famílias e ativar a demanda para o comércio local. “Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), de março último, já corroboram esse movimento, mostrando crescimento de 17,3% nas vendas do varejo pernambucano em relação ao mesmo mês do ano anterior (Brasil cresceu 6,5%) e acumulando alta de 3,4% em 12 meses (contra 0,2% no país)”.
Ainda com relação ao mercado de trabalho no setor de construção, houve crescimento de 35% nos empregos em obras de infraestrutura e de 20% nos empregos em construção de edificações em Pernambuco, na comparação entre abril de 2026 e abril de 2025. “No primeiro quadrimestre deste ano, o subsetor de infraestrutura registrou 2 mil novos postos de trabalho, sendo 61% concentrados em Ipojuca, movimento que pode refletir os investimentos na área do Porto de Suape em função da ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). Já o subsetor de edificações criou 5,7 mil empregos, com 44% concentrados no Recife”, conta Ademilson. As obras da expansão da Rnest foram iniciadas no final do ano passado e devem ser concluídas em 2029.
O aquecimento da construção civil também tem impacto direto no mercado de seguros habitacionais. Em Pernambuco, a arrecadação do segmento atingiu R$ 39,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 7,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a presidente da Comissão de Seguro Habitacional da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Elaine Fraqueta, o desempenho acompanha a expansão do crédito imobiliário e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à habitação. O seguro habitacional é contratado junto aos financiamentos imobiliários e oferece proteção ao comprador e à instituição financeira.
O aumento da atividade na construção civil faz crescer a demanda por insumos como cimento, aço, ferro, portas, esquadrias e outros materiais de construção, com reflexos positivos sobre diversos segmentos da economia.

Minha Casa, Minha Vida corresponde a 50% da construção civil de Pernambuco
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernbambuco (Sinduscon-PE), Paulo Wanderley, o mercado imobiliário pernambucano está aquecido, principalmente nos segmentos do Minha Casa, Minha Vida e da alta renda, cujos lançamentos estão sendo vendidos com boa velocidade. Já a faixa intermediária, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão, continua vendendo, mas em ritmo mais lento. “No Minha Casa Minha Vida e nos imóveis de alta renda, tudo que está sendo lançado, está sendo vendido”, comenta o dirigente.
Ele atribui parte do crescimento das vendas ao programa Morar Bem PE, do Governo de Pernambuco, que complementa os recursos necessários para a entrada dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida e também aos programas de moradia popular realizados pela Prefeitura do Recife – também dentro do público do MCMV -. Wanderley também atribui parte do bom desempenho do setor às mudanças urbanísticas promovidas pela Prefeitura do Recife nos bairros do Recife, Santo Antônio e São José, que ampliaram as oportunidades de retrofit e abriram novas áreas para investimentos imobiliários.
Somente para o leitor ter ideia do impacto dessas iniciativas, o programa habitacional do Estado, o Morar Bem Pernambuco, que contempla família com renda de até dois salários mínimos – registrou um crescimento de 82% na aquisição subsidiada de imóveis, comparando o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado. O subsídio neste caso é R$ 20 mil, dado pelo governo do Estado na entrada do imóvel, o que começou a ocorrer em 2023. “Geralmente, o cliente do MCMV não tem a poupança inicial para dar entrada no imóvel. Por isso, este tipo de iniciativa foi primordial para alavancar o MCMV”, comenta o presidente do Sinduscon.
Segundo Paulo, o Minha Casa, Minha Vida responde por cerca de 50% do mercado imobiliário de Pernambuco e se tornou o principal motor da construção civil no Estado. Ele também destaca que está ocorrendo o aquecimento do segmento de segunda moradia de praia, com aumento da construção e da compra desses imóveis.
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