
A rede colombiana de cafés especiais Juan Valdez vai ampliar sua presença no mercado brasileiro, com meta de abrir, até 2028, 100 novas lojas. O Nordeste está no radar dessa expansão, que inclui trazer para o mercado nacional cafés premium com vendas em supermercados e via plataforma digital.
Em entrevista ao Movimento Econômico, o CEO da Juan Valdez Brasil, Bruno Oliveira, detalhou os planos da marca no país e adiantou que até dezembro a meta é abrir pelo menos 10 lojas, com possibilidade de o Nordeste já receber operações. Criada em 2002 pela Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, a marca representa mais de 550 mil famílias cafeicultoras de 26 regiões produtoras, está presente em mais de 40 países e iniciou sua operação no Brasil em dezembro de 2025 com uma loja em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Para o Brasil, um mercado exigente e, que assim como os colombianos, possui o café como rito diário cotidiano, o plano de expansão quer ir além das cafeterias e chegar até prateleiras de supermercados.
“A gente tem um desafio interno de terminar o ano com dez novas lojas, a metade já temos contrato assinado e estamos muito próximo de divulgar datas de abertura. Outras ainda estamos trabalhando. Temos cidades do Sul, Sudeste e conversas bem aquecidas com o Nordeste”, adiantou Bruno Oliveira.

No plano de expansão que prevê 100 cafeterias até 2028, a Juan Valdez aposta neste momento na atração de franqueados. A marca estima um investimento inicial a partir de R$ 800 mil, e pode apresentar faturamento médio anual estimado de R$ 2,3 milhões por unidade, com lucratividade média entre 15% e 21%, sujeita às condições de gestão e localização de cada ponto.
“O Nordeste tem um papel importante no consumo no Brasil e naturalmente deve participar da nossa expansão. Temos operadores muito bons em várias regiões do Nordeste dentro do ecossistema do grupo, e isso pode nos ajudar a crescer a distribuição da marca na região”, afirma Bruno Oliveira.
O CEO da marca no Brasil explicou que vem trabalhando em um processo criterioso de seleção dos novos parceiros, já que o plano da Juan Valdez é importar o café da Colômbia e reproduzir no Brasil a experiência encontrada nas unidades da marca ao redor do mundo.
Ele explicou também que a escolha de iniciar as operações por Ribeirão Preto, uma cidade de porte médio no interior paulista, teve base em estudos de mercado e da relação da cidade com o café.
“A gente entendia que colocar de pé uma Juan Valdez no Brasil para testar essa disposição do consumidor para novos cafés 100% colombiano era importante, em um mercado extremamente cafeeiro. Inauguramos em dezembro e estamos batendo recordes todos os meses, a recorrência dos clientes é alta. Temos visto uma grande aceitação, pessoas querendo conversar sobre café, perguntar a origem, entender torras, então essa experiência nos deu uma boa estrada para essa expansão para o Brasil”, contou Bruno.
Café Premium tem ampliado espaço no paladar brasileiro
O Brasil é líder mundial de produção de café e projeta para 2026 alta de 18%, com uma estimativa de 66,7 milhões de sacas na safra, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial, com uma produção anual perto de 12 milhões de sacas do grão.
Segundo Bruno Oliveira, a decisão de acelerar a expansão no Brasil combina fatores estratégicos e de mercado. O país sempre esteve no radar da Juan Valdez por reunir uma das maiores bases consumidoras de café do mundo e um mercado de cafés premium em crescimento. Em 2025, o segmento teve um crescimento de 21% a nível nacional. A entrada da marca ganhou força após a formação da joint venture entre o grupo colombiano e investidores brasileiros, criando as condições para uma operação nacional com foco em cafeterias, varejo e canais digitais.

“Não vemos nossa chegada como uma disputa com o café brasileiro. O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores do mundo. Nossa proposta é complementar essa cultura, oferecendo ao consumidor a experiência do café 100% colombiano, com rastreabilidade, diferentes origens e uma forma distinta de consumir café”, diz Oliveira.
Juan Valdez quer ir da cafeteria à gôndola do supermercado no Brasil
Além dos planos de 100 novas lojas, o CEO da Juan Valdez Brasil adiantou ao Movimento Econômico que o pipeline da marca prevê ter 300 unidades espalhadas pelo país no longo prazo, além de ampliar a presença além das cafeterias, empórios, hotéis, restaurantes e canais digitais.
Segundo Oliveira, a expansão da rede está apoiada em três pilares. O primeiro é o crescimento das franquias, que deve levar a marca a diferentes regiões do país. O segundo envolve a ampliação da distribuição dos produtos em canais de varejo e food service, incluindo supermercados, atacados, empórios, hotéis, bares e restaurantes. Já o terceiro eixo será o fortalecimento das vendas digitais, com operação própria de e-commerce e parcerias para ampliar o alcance nacional.
“Nosso plano é superar 300 lojas no Brasil, mas o negócio não se resume às cafeterias. Estamos estruturando uma operação completa para que o consumidor tenha acesso à experiência da Juan Valdez em diferentes canais”, afirmou.
A marca já trabalha na estruturação da área responsável pela distribuição nacional dos produtos e pretende ampliar a oferta de cafés colombianos para além das unidades físicas. A proposta é permitir que consumidores tenham acesso aos produtos da marca mesmo em cidades onde ainda não existam cafeterias da rede.
“A loja é onde o consumidor vive a experiência completa da marca. Mas queremos que ele também possa abastecer a despensa de casa com os nossos produtos, independentemente de onde esteja no Brasil”, completou.
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