
Um levantamento inédito mapeou 21 mil plantas de café distribuídas em 20,8 hectares e 38 propriedades rurais em 18 municípios de Sergipe, estado que até então não possuía registros oficiais de produção cafeeira. Os dados integram o Censo do Café 2025, realizado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) ao longo de três meses de visitas técnicas e entrevistas com produtores.
Os plantios estão distribuídos por Estância, São Cristóvão, Santa Luzia do Itanhy, Nossa Senhora do Socorro, Japoatã, Japaratuba, Simão Dias, Cristinápolis, Cumbe, Itaporanga d’Ajuda, Moita Bonita, Itabaiana, Riachão do Dantas, Pirambu, Umbaúba, Salgado, Pedrinhas e Lagarto. A maioria das lavouras pertence a pequenas propriedades familiares em fase inicial de produção, com predominância de café arábica das variedades Catuaí Amarelo e Catuaí Vermelho.
O cenário registrado pelo censo é de atividade emergente com desafios estruturais. Apenas um produtor dos 38 identificados realiza comercialização regular da produção. O levantamento aponta ausência de assistência técnica especializada, baixa adoção de tecnologias e escassez de sistemas de irrigação como os principais entraves ao desenvolvimento da cadeia.
“O censo permitiu, pela primeira vez, dimensionar a presença da cafeicultura em Sergipe. Identificamos uma atividade ainda emergente, mas distribuída em diversas regiões do estado, o que demonstra o interesse dos produtores e o potencial de crescimento da cultura”, afirmou Eduardo Barreto, coordenador de Agricultura e Sustentabilidade Ambiental da Emdagro.



Produção de café tem paralelo com o cacau em Sergipe
O diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro, Jean Carlos Nascimento Ferreira, traçou paralelo com a trajetória do cacau sergipano para avaliar o potencial do café. “Assim como aconteceu com o cacau, que saiu de uma atividade experimental para uma cadeia produtiva em crescimento, o café apresenta potencial para se consolidar como uma importante alternativa econômica para os agricultores sergipanos”, afirmou.
A Nota Técnica produzida pela Emdagro recomenda a implantação de programas específicos de assistência técnica e extensão rural, capacitação continuada de técnicos e produtores, instalação de unidades demonstrativas e fortalecimento dos canais de comercialização. O documento também indica a necessidade de articulação entre produtores, instituições de pesquisa, agentes financeiros e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.
*Com informações do Governo de Sergipe
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