
A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) assinou protocolo de intenções para o desenvolvimento de projetos de biogás e biometano no Oeste baiano e anunciou R$ 500 mil em investimentos para a região durante a Bahia Farm Show 2026, realizada em Luís Eduardo Magalhães (BA). Do total, R$ 100 mil foram destinados ao apoio institucional da feira e R$ 400 mil serão aplicados na implantação de um projeto estruturante de biometano na fronteira agrícola baiana.
O protocolo firmado na terça-feira (9) estabelece cooperação entre a Bahiagás, o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), a Captar e outras instituições parceiras para pesquisa, desenvolvimento, inovação, avaliação tecnológica, estudos técnicos e transferência de conhecimento relacionados ao aproveitamento energético de resíduos agroindustriais. A iniciativa prevê a produção de biometano, combustível renovável obtido pela purificação do biogás gerado na decomposição de resíduos orgânicos, que pode substituir o gás natural em diferentes segmentos da economia.
O Oeste baiano reúne 36 municípios com forte base agropecuária, mineração e agroindústria, produz 0,6 GW de energia e projeta chegar a 1,3 GW até 2030, volume ainda insuficiente para uma demanda estimada em 2,8 GW no mesmo período. A estratégia da Bahiagás para a região opera em duas fases: abastecimento imediato via Gás Natural Liquefeito (GNL) transportado por carretas e, em até dois anos, infraestrutura alimentada por biometano produzido localmente a partir de resíduos agrossilvopastoris e efluentes da agroindústria regional.
Setor produtivo apoia iniciativa da Bahiagás
O diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, afirmou que a iniciativa aproxima a companhia de quem produz e investe na região. “Essa união de esforços só tem a contribuir para o crescimento da região”, disse. O diretor da Captar, Almir Ribeiro, avaliou o protocolo como o início de uma nova etapa para a bioenergia no Oeste baiano. “Estamos construindo uma solução que pode transformar resíduos em energia renovável, gerando oportunidades para produtores, indústrias e municípios”, afirmou.
O presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt, destacou a aproximação entre o setor energético e o agronegócio. “A presença da Bahiagás na região atende a uma demanda histórica do Oeste por soluções capazes de acompanhar o ritmo de crescimento da produção agrícola”, disse. A diretora-executiva da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, acrescentou que a iniciativa amplia as possibilidades para projetos energéticos e fortalece a conexão entre sustentabilidade, inovação e competitividade no campo.
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