
A retomada do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina foi classificada como prioridade pelo presidente da Infra S.A, Jorge Bastos. Em entrevista ao Movimento Econômico, durante o Nordeste Export, realizado em Maceió nesta segunda-feira (08), ele também confirmou que a assinatura do contrato de retomada deve acontecer nos próximos dias.
Com apenas 38% do trecho pernambucano concluído, as obras estão paralisadas há dez anos e aguardam a assinatura do contrato com a empresa que venceu a licitação para executar o primeiro lote de 73 quilômetros entre as cidades de Custódia e Arcoverde, além da implantação de infraestrutura local. Jorge Bastos disse ao Movimento Econômico que essa obra é prioridade para a Infra S.A e para o presidente Lula.
A empresa vencedora da licitação foi a Alberto Couto Alves Ltda (ACA), que fará o trecho por R$ 312,8 milhões. A homologação da licitação aconteceu em 18 de maio.
Bastos disse também que a assinatura do contrato para início das obras do ramal pernambucano depende da conclusão de trâmites com o Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o Ministério dos Transportes e Infra S.A. concluam os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental (EVTEA) antes de assumir novos compromissos financeiros para a obra.
“Teve um questionamento do TCU sobre a viabilidade [da obra]. Mas é lógico que é viável, e a gente está demonstrando isso para assinar esse contrato o mais rápido possível. A licitação foi feita, já tem o vencedor. Estamos trabalhando intensamente porque isso é, para a gente, condição prioritária“, explicou Bastos ao Movimento Econômico.
O presidente da Infra S.A também rechaçou as medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro que retirou o trecho pernambucano do traçado original da Transnordestina, alegando que o mercado regional não comportaria a movimentação de carga simultânea para dois grandes complexos portuários — Suape e Pecém (CE). Bastos defendeu que o mercado deve ser regulado pela eficiência logística.
“O projeto prioritário da Infra hoje para o Nordeste é a conclusão da Transnordestina para o Porto de Suape. No governo passado, tiraram esse trecho alegando que não teria carga para dois portos. Mas a carga, eu particularmente entendo, que a competição se dá entre os portos. Qual vai ser o mais competitivo para levar essa carga? Tanto Suape quanto Pecém têm quase a mesma distância. O projeto principal do Nordeste hoje é viabilizar essa ferrovia para que ela fique de pé o mais rápido possível”, afirmou o presidente da Infra S.A.

Transnordestina completa 20 anos em obras
Iniciadas em 2006, as obras da ferrovia Transnordestina tinham previsão de conclusão em 2010 e um investimento previsto de R$ 4,5 bilhões. Passados 20 anos, as obras andaram de forma descompassada, mostrando desigualdades entre o trecho no Ceará e o de Pernambuco.
No trecho cearense, que vai conectar o porto de Pecém a Eliseu Martins, no Piauí, foram concluídos 727 quilômetros e outros 326 km estão em obras, de um total de 1.206 quilômetros. O trecho já vem realizando testes de cargas, como calcário, milho e gipsita.
O trecho Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém foi dividido em duas etapas e deve receber um investimento estimado em R$ 15 bilhões, quando for finalizado. A fase I vai de Paes Landim, no Piauí, ao Porto de Pecém e está com 81% das obras realizadas com a expectativa de conclusão em 2027. A fase II ligará a cidade de Paes Landim a Eliseu Martins e deve ficar pronto entre 2028 e 2029. A Sudene prevê aplicar R$ 7,4 bilhões no trecho que segue para Pecém até 2027 por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).
Já em Pernambuco, o trecho que liga Salgueiro ao Porto de Suape tem 544 quilômetros de extensão, dos quais 179 quilômetros foram concluídos. A retomada das obras está sob responsabilidade da Infra S.A. com investimento estimado em R$ 3,5 bilhões.
No ano passado, a Infra S.A lançou uma licitação para a contratação das obras do trecho Salgueiro-Suape com a finalidade de fazer os projetos executivos e a infraestrutura de 73 km entre Custódia e Arcoverde.
Um estudo elaborado pelo Senai-PE e pelo Observatório da Indústria da Fiepe aponta que o trecho ferroviário ligando Salgueiro à Suape poderia ter movimentado em 2024, caso já estivesse em operação, 11,9 milhões de toneladas de carga, beneficiando setores como o de avicultura, gesso, gipsita, calcário, grãos e baterias.
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