
A Companhia Porto Piauí negocia com a Delta Brazilian Starch e a Moinhos Piauí a viabilidade de operações de exportação de fécula de mandioca e importação de trigo pelo terminal de Luís Correia. A Delta, do Grupo Moinho Piauí com atuação no Brasil e na Argentina, instalada na Zona de Processamento de Exportações (ZPE) de Parnaíba com investimento de R$ 40 milhões e capacidade inicial de 300 toneladas de mandioca por dia, avalia o porto para exportar até 20 contêineres semanais de fécula ao mercado internacional. A Moinhos Piauí, sediada em Altos, importa e beneficia trigo e busca rotas de cabotagem pelo mesmo terminal para estruturar a importação do grão sem depender de modais terrestres a partir de portos distantes.
Noventa e cinco por cento da fécula consumida no Piauí vêm de estados do Sul do Brasil, segundo levantamento da própria Delta. A planta na ZPE de Parnaíba foi projetada para inverter esse fluxo, produzindo fécula e amidos com destino ao mercado externo e, em etapa posterior, amidos modificados e ração animal para o mercado interno. O modelo de contrato de compra garantida, já aplicado com sucesso pela empresa na Argentina, será replicado com produtores da região de Parnaíba para assegurar fornecimento de matéria-prima. A estimativa é de geração de 500 empregos diretos e indiretos, abrangendo a cadeia produtiva da mandioca, logística e serviços.
Na Expo Soja de Uruçuí, maior feira de agronegócio do Piauí, realizada no início deste mês, a Porto Piauí articulou encontro entre o governador Rafael Fonteles e representantes da Czarnikow, empresa com atuação em mais de 100 países especializada em cadeias de suprimento. A companhia já havia assinado Memorando de Entendimento (MoU) com o Porto Piauí na Intermodal South America 2026, em abril, para movimentação de granel sólido agrícola. A Czarnikow desenvolve rotas de exportação de soja piauiense desde os produtores, passando por transportadores e agentes marítimos, até os compradores internacionais.

PPP de terminal de grãos prevista para 2026
Também durante a Intermodal South America, em São Paulo, a CS Infra entregou à Porto Piauí a Manifestação de Interesse Privado (MIP) para implantação de terminal portuário de grãos em Luís Correia. A CS Infra é holding de infraestrutura do Grupo Simpar especializada em concessões de longo prazo em logística e mobilidade urbana.
No Piauí, a empresa já opera a Rodovia Transcerrados, principal rota de escoamento da produção de grãos do cerrado piauiense até o litoral. Os estudos da MIP, em desenvolvimento desde 2025, abrangem o acesso das cargas ao porto, as operações de embarque e os destinos. A Superintendência de Parcerias e Concessões do Piauí (Suparc) e a Porto Piauí analisarão o material para publicação de edital de Parceria Público-Privada (PPP) ainda em 2026.
CNAGA aporta R$ 21 mi na Porto Piauí
Em 24 de abril, nove dias após a entrega da MIP da CS Infra, CNAGA – Armazéns Gerais Alfandegados, Porto Piauí e Investe Piauí lançaram a pedra fundamental do terminal de cargas gerais em Luís Correia. O espaço terá 27 mil metros quadrados com galpões e infraestrutura para contêineres, com investimento imediato de R$ 21 milhões.
As primeiras operações serão em cabotagem, modalidade que movimentou 303,7 milhões de toneladas no Brasil em 2025, alta de 3,4% em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O acordo entre CNAGA e Porto Piauí foi firmado em setembro de 2025 pelo governador Fonteles. Fundada em 1967, a CNAGA foi pioneira na operação do regime de entreposto aduaneiro no país e opera terminais em São Paulo especializados em carga geral e granel sólido mineral.
*Com informações do Porto Piauí
Leia mais: Piauí e Santa Catarina firmam acordo para cabotagem entre Nordeste e Sul










