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Com fécula de mandioca e trigo, Porto Piauí negocia novas rotas do agronegócio

Delta Brazilian Starch negocia exportação de fécula pela ZPE de Parnaíba; Moinhos Piauí busca importação de trigo por cabotagem. CNAGA inicia obras de R$ 21 mi no Porto Piauí
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  1. Porto Piauí negocia exportação de fécula de mandioca e importação de trigo pelo terminal de Luís Correia.
  2. Delta Brazilian Starch investiu R$ 40 milhões na ZPE de Parnaíba com capacidade de 300 toneladas diárias de mandioca.
  3. Fécula produzida no Piauí será exportada em até 20 contêineres semanais para mercado internacional via porto.
  4. Projeto estimula geração de 500 empregos diretos e indiretos na cadeia de mandioca, logística e serviços regionais.
  5. CS Infra apresentou Manifestação de Interesse Privado para construção de terminal portuário de grãos em Luís Correia.
Fécula de mandioca do Nordeste terá rota direta para mercado global
Fécula de mandioca produzida no Piauí terá rota de exportação a partir do terminal de Luís Correia. Foto: Conab/Reprodução

A Companhia Porto Piauí negocia com a Delta Brazilian Starch e a Moinhos Piauí a viabilidade de operações de exportação de fécula de mandioca e importação de trigo pelo terminal de Luís Correia. A Delta, do Grupo Moinho Piauí com atuação no Brasil e na Argentina, instalada na Zona de Processamento de Exportações (ZPE) de Parnaíba com investimento de R$ 40 milhões e capacidade inicial de 300 toneladas de mandioca por dia, avalia o porto para exportar até 20 contêineres semanais de fécula ao mercado internacional. A Moinhos Piauí, sediada em Altos, importa e beneficia trigo e busca rotas de cabotagem pelo mesmo terminal para estruturar a importação do grão sem depender de modais terrestres a partir de portos distantes.

Noventa e cinco por cento da fécula consumida no Piauí vêm de estados do Sul do Brasil, segundo levantamento da própria Delta. A planta na ZPE de Parnaíba foi projetada para inverter esse fluxo, produzindo fécula e amidos com destino ao mercado externo e, em etapa posterior, amidos modificados e ração animal para o mercado interno. O modelo de contrato de compra garantida, já aplicado com sucesso pela empresa na Argentina, será replicado com produtores da região de Parnaíba para assegurar fornecimento de matéria-prima. A estimativa é de geração de 500 empregos diretos e indiretos, abrangendo a cadeia produtiva da mandioca, logística e serviços.

Na Expo Soja de Uruçuí, maior feira de agronegócio do Piauí, realizada no início deste mês, a Porto Piauí articulou encontro entre o governador Rafael Fonteles e representantes da Czarnikow, empresa com atuação em mais de 100 países especializada em cadeias de suprimento. A companhia já havia assinado Memorando de Entendimento (MoU) com o Porto Piauí na Intermodal South America 2026, em abril, para movimentação de granel sólido agrícola. A Czarnikow desenvolve rotas de exportação de soja piauiense desde os produtores, passando por transportadores e agentes marítimos, até os compradores internacionais.

Porto Piauí articula rotas de exportação e transporte de cargas com indústrias de alimentos e setor agrícola piauiense
Equipe de desenvolvimento de negócios da Porto Piauí recebeu representantes das empresas Delta Brazilian Starch e da Moinhos Piauí para discutir a viabilização de operações de transporte pelo terminal de Luís Correia, no litoral do estado. Foto: Porto Piauí/Divulgação

PPP de terminal de grãos prevista para 2026

Também durante a Intermodal South America, em São Paulo, a CS Infra entregou à Porto Piauí a Manifestação de Interesse Privado (MIP) para implantação de terminal portuário de grãos em Luís Correia. A CS Infra é holding de infraestrutura do Grupo Simpar especializada em concessões de longo prazo em logística e mobilidade urbana.

No Piauí, a empresa já opera a Rodovia Transcerrados, principal rota de escoamento da produção de grãos do cerrado piauiense até o litoral. Os estudos da MIP, em desenvolvimento desde 2025, abrangem o acesso das cargas ao porto, as operações de embarque e os destinos. A Superintendência de Parcerias e Concessões do Piauí (Suparc) e a Porto Piauí analisarão o material para publicação de edital de Parceria Público-Privada (PPP) ainda em 2026.

CNAGA aporta R$ 21 mi na Porto Piauí

Em 24 de abril, nove dias após a entrega da MIP da CS Infra, CNAGA – Armazéns Gerais Alfandegados, Porto Piauí e Investe Piauí lançaram a pedra fundamental do terminal de cargas gerais em Luís Correia. O espaço terá 27 mil metros quadrados com galpões e infraestrutura para contêineres, com investimento imediato de R$ 21 milhões.

As primeiras operações serão em cabotagem, modalidade que movimentou 303,7 milhões de toneladas no Brasil em 2025, alta de 3,4% em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O acordo entre CNAGA e Porto Piauí foi firmado em setembro de 2025 pelo governador Fonteles. Fundada em 1967, a CNAGA foi pioneira na operação do regime de entreposto aduaneiro no país e opera terminais em São Paulo especializados em carga geral e granel sólido mineral.

*Com informações do Porto Piauí

Leia mais: Piauí e Santa Catarina firmam acordo para cabotagem entre Nordeste e Sul

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