
O Nordeste foi a região de maior crescimento agrícola do Brasil na estimativa de safra de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2026, com expansão anual de 7,8% sobre os volumes de 2025, a única, ao lado do Sul, com variação positiva no comparativo anual. A produção regional chegou a 29,9 milhões de toneladas, ante 27,7 milhões no ciclo anterior, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, divulgado nesta quinta-feira (14). No confronto com março, o Nordeste também liderou, com crescimento de 2,1%, o maior avanço mensal entre as cinco grandes regiões.
No plano nacional, a estimativa de abril alcançou 348,7 milhões de toneladas, 0,7% acima dos 346,1 milhões de toneladas colhidos em 2025 e 0,1% superior à previsão de março. O IBGE classificou a estimativa como recorde da série histórica da pesquisa. A área a ser colhida no país chegou a 83,3 milhões de hectares, crescimento de 2,1% sobre 2025.
Soja nordestina avança no Matopiba
A produção de soja no Nordeste foi estimada em 17,6 milhões de toneladas, correspondentes a 10,1% do total nacional, com crescimento de 5,8% sobre o ano anterior. A Bahia liderou com 8,9 milhões de toneladas (alta de 3,8%), seguida pelo Maranhão, com 4,6 milhões (expansão de 3,4%), e pelo Piauí, com 4,1 milhões (avanço de 13,8%).
No cômputo nacional, a oleaginosa atingiu 174,1 milhões de toneladas, novo recorde histórico do IBGE, com aumento de 4,8% sobre 2025 e de 0,2% em relação a março. O Cepea/Esalq/USP registrou cotações em torno de R$ 113,00 por saca na média nacional em abril, com negócios físicos em Paranaguá entre R$ 128,20 e R$ 130,00 por saca, sustentados pela demanda por farelo e biodiesel.
Feijão: recuperação expressiva no semiárido
Na 1ª safra do feijão, os dados do LSPA registram expansões anuais acentuadas em estados nordestinos: Paraíba avançou 566,6%; Pernambuco, 199,6%; Rio Grande do Norte, 233,5%; Piauí, 189,6%; e Ceará, 87,6%, todos sobre os volumes de 2025.
A estimativa da região nessa safra se manteve estável no confronto mensal, enquanto Sul, Sudeste e Norte recuaram no mesmo período. No total nacional, a produção de feijão nas três safras somou 2,9 milhões de toneladas, volume suficiente para atender ao consumo interno sem necessidade de importação, segundo o IBGE, embora a estimativa venha caindo nos últimos meses em razão da baixa rentabilidade do produto.
Milho: Nordeste cresce 3,4% na 1ª safra
Na 1ª safra do milho, o Nordeste participou com 21,3% da produção nacional, a segunda maior fatia regional atrás apenas do Sul, e registrou avanço de 3,4% em relação a março. A Bahia colheu 2,1 milhões de toneladas, crescimento anual de 8,1%, sustentado por ganhos simultâneos de 3,6% em área colhida e de 4,3% em produtividade.
Piauí e Maranhão produziram 1,7 milhão de toneladas cada, com destaque para o Piauí, que avançou 44,8% sobre o volume de 2025. Na 2ª safra, o Maranhão registrou 1,0 milhão de toneladas, alta anual de 15,3%. No total, o milho nacional recuou 2,5% frente a 2025, para 138,2 milhões de toneladas. O Cepea/Esalq/USP registrou recuo de 4,92% na saca de 60 kg em abril, fechada a R$ 66,91, dado que pressiona a rentabilidade dos produtores regionais.
Algodão: Bahia avança 19% no mês
A Bahia, segundo maior produtor nacional de algodão herbáceo (em caroço), com 20,5% da safra nacional, revisou sua estimativa para 1,8 milhão de toneladas em abril, crescimento de 19,0% sobre março e alta de 2,8% sobre o volume de 2025. No país, a produção total do algodão foi estimada em 9,0 milhões de toneladas, avanço de 3,4% frente a março, mas recuo de 14,2% sobre o ciclo anterior. No confronto mensal entre todos os estados, três nordestinos figuraram entre os maiores incrementos absolutos: Bahia (+369,2 mil toneladas), Ceará (+154 mil toneladas) e Pernambuco (+108,8 mil toneladas).
Cacau: Bahia responde por 42% da produção nacional
A produção baiana de cacau foi estimada em 137,4 mil toneladas em abril, alta de 9,6% sobre março, com o estado respondendo por 42,4% da produção brasileira e por quase 70% das áreas produtivas nacionais. No total, o Brasil estimou 324,2 mil toneladas para a amêndoa, crescimento de 3,8% sobre março, sustentado por ganho de 7,2% no rendimento médio. O IBGE registrou queda no preço do quilograma de amêndoas no Nordeste ao longo dos últimos doze meses, fator que pressiona a rentabilidade dos cacauicultores da região.
Café: canephora baiano bate recorde
A Bahia registrou crescimento de 53,4% na produção de café canephora em relação a março e de 18,1% sobre o volume de 2025, atingindo 204,1 mil toneladas. No plano nacional, a produção do canephora alcançou 1,3 milhão de toneladas, recorde histórico do IBGE, com avanço de 5,2% sobre março e de 6,0% sobre 2025. O desempenho favorável do clima e a valorização dos preços do arábica em 2025 incentivaram investimentos nas lavouras de canephora, segundo o instituto. A produção brasileira total de café, somadas as duas espécies, foi estimada em 4,0 milhões de toneladas ou 66,1 milhões de sacas de 60 kg, também recorde histórico da série.
Peso regional da safra
Com 8,6% da produção total de grãos do Brasil, o Nordeste ocupa a quarta posição entre as grandes regiões, atrás de Centro-Oeste (50,0%), Sul (26,4%) e Sudeste (8,8%). Dentro do bloco, a Bahia concentra 44,3% da produção regional, com 13,3 milhões de toneladas, seguida pelo Maranhão (7,7 milhões) e pelo Piauí (6,6 milhões). A estimativa foi elaborada em articulação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no âmbito do processo de harmonização das estimativas oficiais de safra vigente desde outubro de 2007.
*Com informações do IBGE
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