
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC) vai realizar uma pesquisa estruturada com empresas do polo têxtil em 62 municípios do Agreste. A iniciativa busca mapear gargalos, identificar oportunidades e orientar políticas públicas mais aderentes à realidade do setor.
O levantamento será feito por meio de um questionário que está sendo elaborado a partir de uma rodada inicial de escuta com representantes municipais. As respostas deverão servir de base para elaboração de ações voltadas ao aumento da produtividade e à geração de emprego na região. O polo gera mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, tem uma movimentação de R$ 15 bilhões por ano e apresentou um crescimento de 14,8% na geração de empregos formais em 2025, segundo dados da SDEC.
A partir da consolidação dos dados coletados nos 62 municípios, a Secretaria pretende estabelecer prioridades e desenhar ações que possam ser implementadas ainda no curto prazo, alinhadas às demandas mais urgentes do setor. Entre as possibilidades estão programas de incentivo à modernização produtiva, fortalecimento de cadeias logísticas, capacitação profissional e estímulo à formalização de negócios.
Escuta ativa dá início ao diagnóstico
A construção desse diagnóstico começou nesta terça-feira (5), durante uma reunião com secretários municipais de Caruaru e Toritama, dentro do programa Escuta Ativa voltado à cadeia têxtil. O encontro marca o primeiro passo de uma estratégia do governo do estado para aproximar a gestão pública das demandas do polo de confecções do Agreste pernambucano.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, a escuta inicial serviu como base para a formatação do instrumento que será aplicado em larga escala. “Nosso objetivo é estruturar uma escuta ativa baseada no que ainda podemos fazer, como Estado, para fortalecer a cadeia têxtil. Foi uma experiência muito positiva, com muitas contribuições que podem ser operacionalizadas em pouco tempo, ainda este ano”, afirmou.
Diagnóstico orientará políticas públicas
A proposta do levantamento é reunir dados qualitativos e quantitativos diretamente com empresários e gestores locais, permitindo uma leitura mais precisa das necessidades do setor, que vai desde questões estruturais, como logística e infraestrutura, até desafios relacionados à inovação, qualificação de mão de obra e acesso a crédito.
A expectativa é que, com base nas respostas, o Estado consiga estabelecer um plano de ação mais direcionado e eficiente.
O secretário executivo de Atração de Investimentos e Estudos Econômicos da SDEC, Pedro Lacerda, destacou que a iniciativa representa uma mudança de abordagem na formulação de políticas públicas, com foco na escuta direta dos territórios.
“Foi um momento importante para ouvir os representantes, entender as dificuldades e, a partir disso, construir um plano de trabalho que amplie a presença da Secretaria em todo o polo têxtil”, disse.
Integração regional fortalece o polo têxtil
A cadeia têxtil do Agreste, que envolve desde a produção de insumos até a comercialização de peças, é responsável por movimentar bilhões de reais por ano e gerar milhares de empregos diretos e indiretos. Municípios como Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe formam o núcleo desse arranjo produtivo, que se destaca pela forte presença de pequenos e médios empreendedores e pela dinâmica intensa de produção e distribuição.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Toritama, Robson Viana, reforçou a importância da integração entre as cidades do polo. “Esse diálogo fortalece o desenvolvimento, ajuda a enfrentar os desafios e garante mais suporte da Secretaria para que os resultados cheguem na ponta, especialmente ao pequeno empreendedor”, afirmou.
Já o secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, Jaime Anselmo, destacou o caráter inovador da iniciativa e o potencial de construção coletiva das soluções. “Essa articulação entre Estado e municípios permite construir políticas públicas em conjunto, com foco na geração de emprego e renda e no fortalecimento do ambiente de negócios na região”, disse.
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