- Publicidade -

BNDES libera R$ 19 bi para o Nordeste e Pernambuco atinge recorde histórico

Com salto de 364% na indústria, Pernambuco tem maior volume de crédito em 10 anos. Veja os setores que estão puxando o PIB da região Nordeste
- Publicidade -
Sistema Fiepe
Pernambuco capturou R$ 2,7 bilhões em aprovações apenas no último ano, atingindo o maior patamar de liquidez oficial desde 2015, com as aprovações para a indústria saltando impressionantes 364,2%. Foto: Sistema Fiepe

O redesenho do fluxo de capital para o Nordeste deixou de ser uma promessa para se converter em balanço auditado. Em 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chancelou um volume de crédito de R$ 19,39 bilhões para a região, um avanço de 15,8% em relação ao ano anterior que sinaliza uma mudança estrutural na tese de investimento do banco de fomento. Mais do que o montante nominal, a anatomia desses aportes revela uma migração para ativos de inovação e biocombustíveis, setores que registraram saltos superiores a 500% no comparativo entre ciclos governamentais.

​Dentro desse contexto, Pernambuco emergiu como o principal destaque da região. O estado capturou R$ 2,7 bilhões em aprovações apenas no último ano, atingindo o maior patamar de liquidez oficial desde 2015. Esse movimento interrompe um hiato de uma década e coloca o parque fabril pernambucano em uma rota de modernização acelerada, com as aprovações para a indústria saltando impressionantes 364,2%.

O resultado é fruto de uma conjuntura que combina a melhora dos indicadores macro (como a taxa de desemprego em 5,4% e o aumento da renda média) com uma estratégia de crédito desenhada para fixar o capital na base produtiva local.

​A diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, associa esse momento à capacidade de resiliência da economia regional diante de um cenário global volátil. Segundo a executiva, o desempenho reflete a estratégia de manutenção do consumo interno e controle inflacionário, que permite às companhias planejarem a expansão de seus ativos imobilizados.

Maria Fernanda observa que a estrutura de financiamento foi moldada para que o empresário tenha previsibilidade, seja na aquisição de maquinário ou na implementação de tecnologias de fronteira que aumentem o market share das empresas nordestinas.

​”A economia de Pernambuco se insere em um contexto nacional que é muito especial da economia brasileira. Estimulando o consumo interno, você prevê então que as empresas possam ter a possibilidade de criar condições favoráveis para a expansão dos seus investimentos, seja por meio da compra de máquinas e equipamentos, seja por meio também de estratégias de inovação que aumentem a competitividade do seu negócio”, afirma ao Movimento Econômico.

​A nova fronteira das commodities energéticas

O financiamento para biocombustíveis na região saltou de R$ 214,8 milhões no período 2019-2022 para R$ 1,37 bilhão no triênio recente. Esse apetite por “ativos verdes” é alimentado por projetos estruturantes, como a fábrica de biometano em Igarassu e plantas de etanol de milho na Bahia.

O banco agora opera com a tese de que a região possui o maior potencial de exportação de energia limpa do hemisfério, ancorada em hidrogênio verde e eólica. Segundo a diretora, essa vocação energética foi catalisada pela Nova Indústria Brasil, política que lançou missões específicas para mobilidade verde e descarbonização.

O impacto em Pernambuco foi imediato. Maria Fernanda conta que uma chamada pública recente atraiu 34 projetos que somam R$ 7 bilhões em intenções de investimento. O BNDES atua como o garantidor para infraestruturas que transformam a matriz econômica.

​”O que a gente percebe é o potencial da região, ou seja, o potencial energético, energia solar, energia eólica, projetos estruturantes que visam a cada vez mais diversificar toda uma matriz econômica que a gente tem, tanto no Estado de Pernambuco quanto na região Nordeste. Realmente os números são exponenciais, números muito expressivos”, avalia a diretora.

Digitalização e a capilaridade no interior

O BNDES explica que o grande desafio histórico do fomento encontrou na digitalização a resposta para a baixa capilaridade. O crescimento de 76,7% nas aprovações para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no Nordeste é o resultado direto de um modelo de aprovação que agora leva segundos.

A diretora ressalta que o BNDES Crédito Digital permitiu que o empresário no interior contratasse capital de giro via celular, com taxas prefixadas e carência, quebrando a barreira burocrática das agências físicas tradicionais. Em Pernambuco, esse segmento já abocanha 42% do total aprovado, somando R$ 1,14 bilhão em 2025.

​Para garantir que esse dinheiro não fique represado nos grandes bancos comerciais, o BNDES descentralizou a operação para mais de 90 instituições parceiras, incluindo cooperativas e agências de fomento regional. Houve um esforço deliberado para recapacitar gerentes de bancos locais que haviam “perdido a memória” de como operar as linhas do banco de desenvolvimento.

Maria Fernanda Coelho, diretora BNDES
Diretora de Crédito, Maria Fernanda Coelho enfatiza que o banco atualmente quer ser “mais uma casa” para a indústria e a agricultura nordestinas. Foto: divulgação/BNDES

Maria Fernanda reforça que o foco da diretoria é o fortalecimento da pequena indústria por meio de um ecossistema ágil, garantindo que o fôlego financeiro chegue a quem sustenta a cadeia de empregos.

​”O nosso modelo de negócios, ele prevê uma parceria com instituições financeiras, sejam elas públicas ou privadas, cooperativas de crédito, agências de fomento. São mais de 90 instituições que hoje oportunizam o acesso a crédito. O nosso modelo digital demora segundos para aprovação. Se uma micro, pequena ou média empresa busca uma das instituições financeiras parceiras, essa aprovação se dá online”, explica a executiva.

Articulação regional e o fim dos gargalos de execução

A distância entre a aprovação do crédito e o desembolso efetivo sempre foi o maior gargalo logístico do banco. No entanto, os números de 2025 mostram que o dinheiro está saindo do papel mais rápido: os desembolsos no Nordeste cresceram 18,7%, superando o ritmo das aprovações.

Esse dinamismo é atribuído à retomada do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (Corif), que alinhou as estratégias do BNDES com a Sudene e o Consórcio Nordeste. O objetivo é evitar que as linhas incentivadas se exaurissem antes de chegarem aos projetos nordestinos por falta de velocidade na análise.

​A presença física de uma equipe dedicada no Recife e a criação de orçamentos específicos para a região em fundos como o Fundo Clima e o Plano Safra blindaram o Nordeste contra a histórica drenagem de recursos para o Centro-Sul.

Maria Fernanda Coelho enfatiza que o banco atualmente quer ser “mais uma casa” para a indústria e a agricultura nordestinas. Ela destaca que a estratégia corporativa atual reconhece a diversidade regional como o maior ativo do país, consolidando o BNDES não apenas como um financiador, mas como um parceiro estratégico no desenvolvimento de longo prazo.

​”O BNDES hoje, claramente, tem essa estratégia que consolida a presença do banco na região. Eu diria que o BNDES quer ser mais uma casa para a indústria nordestina, para que ela possa reconhecer como uma instituição que permite alavancar cada vez mais os negócios”, conclui a diretora.

Leia também: Do milho ao etanol: Grupo Progresso investe R$ 1,18 bilhão em usina no Piauí

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -