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Conta de luz no Nordeste deve subir 9,77% em 2026, diz Thymos

A cobrança da CDE deve subir 7% em 2026, mas os nordestinos podem ter uma alta maior, porque está ocorrendo uma equalização na cobrança deste encargo embutido na conta de luz de todos os brasileiros.
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Em 2026, o reajuste da conta de energia será mais alto para os nordestinos. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Os consumidores do Nordeste devem ter um reajuste, médio, de 9,77% na conta de luz este ano, percentual maior do que os reajustes estimados para as demais regiões, segundo um levantamento feito pela consultoria especializada em energia, Thymos Energia. No País, o aumento médio estimado da conta de energia fica em 7,64% no mesmo levantamento. Segundo a Thymos, o que vai deixar a conta dos nordestinos mais salgada – é o reajuste de cada uma das distribuidoras – e o aumento da cobrança de um encargo do setor elétrico chamado Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE). A CDE é uma das responsáveis pela alta da conta de luz de todos os brasileiros nos últimos anos.

Na mesma estimativa, as regiões Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste têm, respectivamente, as seguintes médias de aumento na conta de luz este ano: 5,45%; 4,52%; 3,61% e 0,08%. “A média é composta por percentuais mais altos e mais baixos. Há estados que vão ter reajustes acima deste média e outros, vão ter abaixo”, explica a diretora de Utilities e Regulação Econômica da Thymos Energia, Ana Paula Ferme.

O reajuste das distribuidoras são diferentes porque estas empresas repassam para os consumidores vários custos, incluindo os gastos com a compra de energia em épocas diversas. No Brasil, o preço da energia é impactado por variáveis que influenciam as condições de geração. Por exemplo, quando há escassez de chuvas, aumenta o preço da energia, porque uma parte grande da geração ainda depende dos reservatórios das hidrelétricas.

“Cada distribuidora tem um conjunto de contratos (de compra de energia) realizados em momentos distintos”, explica Ana Paula, argumentando que isso influi no preço da tarifa cobrada ao consumidor. Geralmente, a distribuidora que comprou mais energia, quando a mesma estava barata, tende a ter um preço menor para o consumidor.

Ana Paula lembra que o encarecimento da energia reflete também a dinâmica dos contratos firmados pelas distribuidoras em leilões e cotas, além de uma maior exposição ao mercado de curto prazo, ambiente mais sensível à alta do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD ) esperada para 2026. O PLD é o preço estabelecido no mercado de curto prazo da venda de energia.

A diretora da Thymos Energia, Ana Paula Ferme, diz que a cobrança da CDE terá maior impacto no reajuste da conta dos consumidores nordestinos. Foto: Thymos Energia/Divulgação

A CDE e a conta de luz dos nordestinos

“O maior impacto do reajuste na conta dos nordestinos será por causa da CDE”, comenta Ana Paula. Ao criar a CDE, ficou estabelecido que o Norte e o Nordeste iriam pagar menos pelo encargo. No entanto, nos últimos anos, está sendo feita uma equalização do pagamento da CDE entre as regiões. “A lei estabeleceu que os valores pagos pela CDE deveriam ser iguais até 2030. A CDE é um dos maiores custos da energia. Qualquer variação da CDE gera um efeito relevante na tarifa”, argumenta Ana Paula.

Para 2026, a CDE deve totalizar uma arrecadação de R$ 52,7 bilhões com uma alta de 7% no valor cobrado pelo encargo sobre o ano de 2025 em todo o País, segundo informações divulgadas numa consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a equalização, os consumidores do Norte e Nordeste vão pagar mais pela CDE já no reajuste que vai entrar em vigor em 2026.

A CDE é cobrada na conta de energia de todos os brasileiros que compram das distribuidoras e arrecada recursos para bancar as seguintes políticas públicas: Tarifa Social para famílias de baixa renda; Luz para Todos – programa de universalização da energia – ; geração de energia em sistemas isolados da Amazônia; subsídios para renováveis (eólica, solar etc.) e até subsídios pagos a indústria do carvão.

Quatro estados terão reajuste da conta de luz em abril

Pelo menos quatro estados do Nordeste vão começar a pagar esta alta da CDE mais cedo. Os novos valores a serem pagos pela CDE serão embutidos dentro do reajuste anual das distribuidoras. Os consumidores do Rio Grande do Norte, do Ceará e da Bahia vão ter as suas tarifas de energia reajustadas no dia 22 de abril próximo.

Em Pernambuco, o reajuste anual da tarifa de energia entra em vigor no dia 29 de abril. Os reajustes da conta de energia são definidos pela Aneel baseados nos custos que cada distribuidora tem para prestar o serviço. Em 2025, os encargos setoriais – como a CDE – que bancam subsídios corresponderam a 18,06% de tudo que foi pago nas contas de luz dos consumidores residenciais, de acordo com a Aneel.

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