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Caged: NE cria 347,9 mil empregos em 2025, mas dezembro fecha com perdas

Pressão de juros altos reduz criação de empregos no Brasil em 23,73%. Segundo o Caged, o Nordeste apresentou taxa de crescimento anual de 4,38%, acima da média nacional.
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Números do Caged divulgados nesta quinta-feira (29) apontam que a Bahia liderou no Nordeste com 94,3 mil vagas criadas em 2025. Porém, dezembro registrou perdas generalizadas na região. Foto: Gilson Abreu/AEN

O Nordeste gerou 347.940 empregos com carteira assinada em 2025, consolidando a região como segundo maior polo de geração de vagas do país. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o desempenho nordestino representou 4,38% de crescimento no estoque regional — acima da média nacional de 2,71% — e equivaleu a 27,2% do saldo nacional de 1.279.498 empregos formais.

O Brasil encerrou 2025 com resultado positivo em todas as cinco regiões e em 27 Unidades da Federação, com 26,59 milhões de admissões contra 25,32 milhões de desligamentos. O estoque de trabalhadores celetistas cresceu de 47,19 milhões para 48,47 milhões de vínculos ativos. Contudo, dezembro registrou momento crítico nacionalmente e no Nordeste: o país perdeu 618.164 vagas, enquanto os nove estados nordestinos perderam 59.736 vagas, evidenciando a pressão econômica do encerramento do ano.

Entre os estados nordestinos, Bahia liderou em volume absoluto com 94.380 novos postos ao longo de 2025. Pernambuco aparece em segundo lugar com 72.565 empregos, seguido por Ceará (49.184), Paraíba (31.043), Maranhão (31.713) e Rio Grande do Norte (15.870). Juntos, esses seis estados responderam por 294.755 empregos, equivalente a 84,7% do saldo regional anual.

A liderança de Bahia em volume absoluto não se manteve em estabilidade no encerramento do ano. Em dezembro, o estado perdeu 19.498 vagas — a maior retração entre todos os estados nordestinos. Ceará registrou queda de 10.800 vagas, Pernambuco perdeu 9.462, e Maranhão retrocedeu 4.084 vagas. Mesmo estados com menores saldos anuais enfrentaram pressão: Rio Grande do Norte (-5.306), Alagoas (-2.949), Paraíba (-2.684) e Sergipe (-2.481). Piauí, único estado nordestino com saldo positivo em 2025 (21.022), foi o menos afetado em dezembro com queda de apenas 2.470 vagas.

A queda generalizada reflete padrão histórico de retração sazonal no período de encerramento de ano, intensificada por ambiente de juros elevados (que atingiram 14,25% ao ano) e desaceleração econômica, reduzindo capacidade de retenção e contratação das empresas.

Sudeste lidera, Nordeste em segundo lugar, segundo Caged

No panorama nacional, a região Sudeste gerou 504.972 empregos em 2025, liderando em volume absoluto. O Nordeste, com 347.940 vagas, consolidou-se em segundo lugar com 4,38% de crescimento — a maior taxa entre as regiões. O Sul criou 186.126 postos, enquanto Centro-Oeste gerou 149.530 e Norte registrou 90.613.

Entre os estados, São Paulo liderou em volume com 311.228 novos postos, seguido por Rio de Janeiro (100.920) e Bahia (94.380). As maiores taxas de crescimento foram observadas em Paraíba (+6,03%) e Piauí (+5,81%) — ambos nordestinos, reafirmando o dinamismo da região. Os menores saldos de criação foram registrados em Tocantins (7.416 postos), Acre (5.058) e Roraima (2.568).

Dezembro registra pior retração desde 2020

No acumulado de 2025, todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas apresentaram saldo positivo. O setor de Serviços gerou 758.355 postos, liderando nacionalmente. Dentro deste setor, atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas criaram 318.460 vagas, enquanto administração pública, educação, saúde e serviços sociais registraram 194.903 postos.

O Comércio contabilizou 247.097 novos empregos, mantendo trajetória de estabilidade. A Indústria gerou 144.319 postos, com destaque para a Indústria de Transformação, que contratou 114.127 trabalhadores líquidos. A Construção Civil criou 87.878 vagas, enquanto a Agropecuária manteve crescimento com 41.870 postos.

Em dezembro, porém, todos os setores registraram saldos negativos. O mês fechou com 618.164 vagas eliminadas11,29% maior que dezembro de 2024 (555.430 vagas perdidas). Este foi o pior resultado de dezembro desde dezembro de 2020, sinalizando intensificação das pressões econômicas no encerramento do exercício.

Salários avançam 2,55% em comparação anual

No mesmo mês, o salário médio real de admissão foi de R$ 2.303,78, registrando leve redução em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2024, porém, o salário médio real apresentou alta de 2,55%, sinalizando recuperação gradual de poder de compra apesar do contexto de desaceleração econômica.

Leia mais: Déficit primário do governo central totaliza R$ 61,7 bilhões em 2025

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