
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou nesta terça-feira (27) que “ninguém está acima da lei” ao comentar a investigação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) contra o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro. A declaração foi feita após o evento “Substantivo Feminino”, promovido pelo YouTube, no Bairro do Recife.
A manifestação ocorreu após a repercussão de reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, que apontou suspeitas de uso de supostos métodos de espionagem por parte de policiais da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) durante apuração de denúncia anônima envolvendo o secretário municipal.
Segundo a reportagem, a apuração teria incluído práticas como o uso de rastreador em veículo, o que levou à abertura de procedimentos internos para verificar se houve irregularidade na condução da investigação. A Polícia Civil informou, por meio de nota oficial divulgada no diz seguinte à reportagem, que atua dentro dos limites legais e que eventuais desvios são apurados pela própria corregedoria da corporação.
“A polícia recebeu uma denúncia grave de corrupção, fez o seu papel de investigação dentro da legalidade, como sempre. Nós somos um estado, um governo que respeita as leis, que sempre busca trabalhar para garantir transparência, isonomia. Agora ninguém está acima da lei também. A gente precisa, claro, sempre combater a corrupção, e isso foi o trabalho que a Polícia Civil fez”, declarou Raquel Lyra.

Base na Alepe apoia Raquel
A repercussão do episódio também mobilizou parlamentares da base governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que passaram a reagir publicamente às críticas feitas por setores da oposição. Deputados aliados da governadora acusam adversários políticos de tentarem associar o caso ao governo estadual.
A líder do governo na Alepe, deputada estadual Socorro Pimentel (União Brasil), divulgou nota pública afirmando que “a defesa da democracia sempre foi um dos pilares mais importantes defendidos pela governadora Raquel Lyra” e que “a oposição usa de má-fé ao tentar fazer de uma investigação policial um circo midiático”. “Nenhum político, ocupante de cargo público ou cidadão comum pode estar acima da lei. Colocar em xeque a lisura com a qual trabalham os servidores da Polícia Civil de Pernambuco é ir contra o Estado Democrático de Direito”.
A deputada também declarou confiar no trabalho da corporação. “Confiamos plenamente no trabalho sério, técnico e responsável da Polícia Civil de Pernambuco, que tem compromisso com a verdade, com a legalidade e com o interesse público, e saberá conduzir toda investigação necessária com rigor, transparência e respeito à lei”, afirmou.
Antecipação do debate eleitoral
O vice-líder do governo na Alepe, deputado estadual Antônio Moraes (PP), ampliou o tom das críticas à oposição e classificou a reação adversária como movimento político. “Isso só mais um movimento político desesperado de quem só pensa em eleição, explorando informações distorcidas e não verificadas”, disse.
Segundo o parlamentar, a tentativa de vincular a governadora a irregularidades ignora o histórico da atual gestão. “Raquel Lyra já deu inúmeras demonstrações, desde o primeiro dia da sua gestão, do seu real compromisso com a transparência e a boa aplicação dos recursos públicos. As polícias de Pernambuco agem de maneira isenta e imparcial, devendo investigar qualquer um que seja acusado de cometer ilícitos. E ela é sempre a primeira a determinar essas investigações”, afirmou.
Moraes também afirmou que o episódio ocorre em um contexto de antecipação do debate eleitoral no Estado. “Na campanha, cada um vai ter seu palanque e o seu candidato. Agora, quem está tentando desmoralizar a governadora, na verdade, está se colocando contra o povo de Pernambuco”, declarou.
O parlamentar ainda relacionou o ambiente político ao cenário econômico e institucional que o Estado enfrenta nos próximos anos. Ele citou os impactos previstos da reforma tributária aprovada no Congresso Nacional, que prevê a unificação gradual de tributos e a redução de incentivos fiscais estaduais, exigindo maior competitividade entre os estados na atração de investimentos.
Veja também:
SDS nega irregularidade na ação contra secretário do Recife e apura vazamento











