
O ataque militar lançado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, neste 3 de janeiro de 2026, marca um momento crítico para a estabilidade da América do Sul. A operação, conduzida sem o aval da Organização das Nações Unidas ou de organismos multilaterais, reacendeu temores sobre o risco de escaladas militares no continente, historicamente caracterizado por longos períodos de paz entre nações. A intervenção norte-americana se soma a outros conflitos entre nações ocorridos na América Latina, com destaque para o sul da região.
O último conflito entre Nações na América do Sul foi a Guerra do Cenepa, travada entre Equador e Peru entre 26 de janeiro e 14 de fevereiro de 1995, na remota região amazônica da Cordilheira do Cóndor. A disputa se originou da indefinição de fronteiras após o Protocolo de Rio de Janeiro (1942). O Equador ocupou o posto de Tiwinza em 1981, mantendo presença militar e provocando confrontos esporádicos. Em 1995, a situação escalou com invasões mútuas, uso de aviões supersônicos (Kfir israelenses pelo Equador e Mirage pelo Peru) e intensos combates terrestres. Embora nenhuma das nações tenha obtido uma vitória militar absoluta, o Equador conseguiu uma vitória tática limitada no campo de batalha, enquanto o Peru obteve ganhos territoriais e diplomáticos no acordo final.
Guerra das Malvinas
Outro conflito recente foi a Guerra das Malvinas (1982), entre Argentina e Reino Unido, pela soberania das Ilhas Falklands/Malvinas, localizadas no Atlântico Sul, a cerca de 500 km da costa argentina. A ditadura militar argentina, comandada por Leopoldo Galtieri, invadiu o arquipélago em 2 de abril de 1982, com o objetivo de desviar a atenção das crises internas. A resposta veio com uma força-tarefa britânica liderada pela primeira-ministra Margaret Thatcher, que partiu em 5 de abril com porta-aviões, submarinos nucleares e tropas navais. Entre os eventos mais marcantes estiveram o afundamento do cruzador argentino General Belgrano (323 mortos) e os ataques ao destróier HMS Sheffield. As tropas britânicas desembarcaram em 21 de maio na Baía de San Carlos e avançaram até a rendição argentina em 14 de junho, em Puerto Argentino/Port Stanley, encerrando o conflito com a derrota da Argentina.

Historicamente, a América do Sul também foi palco de outros conflitos interestatais marcantes. A Guerra do Chaco (1932–1935), entre Bolívia e Paraguai, disputou o controle do Chaco Boreal, resultando em vitória paraguaia e estimativas de 60 a 100 mil mortos. A Guerra do Pacífico (1879–1884) envolveu Chile contra Peru e Bolívia, com o Chile anexando regiões ricas em recursos naturais, como Atacama e Tarapacá.
A mais sangrenta guerra sul-americana foi a Guerra do Paraguai (1864–1870), travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), que causou mais de 350 mil mortes e devastou a estrutura demográfica e econômica paraguaia.
Entre 1836 e 1839, a Guerra da Confederação Peruano-Boliviana colocou Chile e Argentina contra a tentativa de unificação entre Peru e Bolívia, que acabou sendo desmantelada. Já a Guerra Colômbia–Peru (1932–1933) foi motivada pela disputa sobre a cidade amazônica de Letícia, sendo resolvida por meio da mediação da Liga das Nações.
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