
A indústria naval do Nordeste foi contemplada com R$ 7,1 bilhões em financiamentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) ao longo de 2025. Os recursos, aprovados pelo Conselho Diretor do Fundo (CDFMM), serão aplicados em 21 projetos voltados à construção de embarcações, modernização de estaleiros, docagem e reparo. A estimativa do Ministério de Portos e Aeroportos é de geração de mais de 10,2 mil empregos diretos na região.
O montante destinado ao Nordeste representa 22% dos R$ 32,1 bilhões aprovados nacionalmente em 2025, o maior volume anual da história do fundo, criado em 1958. O FMM é abastecido por meio do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) e é considerado um dos principais instrumentos de financiamento da política pública para o setor aquaviário no país.
A Bahia lidera em volume de recursos e número de projetos no Nordeste. Outros estados contemplados incluem Pernambuco, onde a Empresa de Navegação Elcano S.A. recebeu aprovação para um projeto de docagem e reparo voltado à manutenção de frota de cabotagem, com expectativa de geração de 26 empregos diretos.
BA retoma protagonismo com R$ 8,5 bilhões aprovados entre 2023 e 2025
Entre 2023 e 2025, o estado da Bahia concentrou mais de R$ 8,5 bilhões em financiamentos aprovados pelo FMM, com estimativa de geração de 4.785 empregos diretos. Os recursos contemplam projetos de construção de embarcações de apoio marítimo e fluvial, modernização de estaleiros e ampliação da capacidade logística da indústria naval baiana.
O principal destaque é o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe, que responde por R$ 8,4 bilhões em projetos aprovados. A unidade será reativada como porto privado e centro logístico voltado à indústria naval, ao setor offshore e a energias renováveis. Entre os projetos que serão executados no estaleiro estão R$ 2,8 bilhões para quatro RSVs (embarcações de suporte a veículos operados remotamente), com 1.164 empregos diretos; R$ 2,8 bilhões para seis OSRVs (embarcações de resposta a derramamento de óleo), com 1.400 postos de trabalho diretos; e R$ 2,8 bilhões para outros quatro RSVs, com 1.460 empregos diretos.
Além do Enseada, foram beneficiadas empresas como a DOF Subsea Brasil Serviços Ltda., CMM Offshore Brasil Ltda., Belov Engenharia S.A., Belov Offshore Industrial Ltda., Wilson Sons Serviços Marítimos Ltda. e a LHG Logística Ltda., com iniciativas que abrangem construção de embarcações, navegação interior, modernização de estaleiros e serviços de docagem e reparo.
Dos valores aprovados para a Bahia, R$ 912,9 milhões já foram contratados com o BNDES, dos quais R$ 118,6 milhões já foram liberados para execução das obras. O projeto da LHG Logística Ltda., em andamento, prevê a construção de 80 balsas mineraleiras e quatro empurradores fluviais, com potencial de geração de 2 mil empregos diretos. Também está em curso a modernização do Estaleiro Belov, em Simões Filho, que conta com R$ 73,6 milhões contratados para ampliar sua capacidade industrial e segurança operacional, com 550 empregos diretos estimados.
A reativação da indústria naval baiana gera impactos diretos e indiretos na economia, com aumento na demanda por aço, motores, sistemas de navegação, serviços técnicos e fornecimento de peças, fortalecendo a cadeia produtiva regional e o papel da Bahia como centro logístico do Nordeste.

Aporte nacional e perspectivas do setor naval
O volume de R$ 32,1 bilhões aprovado no acumulado de 2025 supera os aportes dos anos anteriores e reflete a estratégia do governo federal de retomada planejada da indústria naval nacional. Na última reunião do CDFMM, foram aprovados 25 novos projetos, no valor de R$ 3,8 bilhões, além da reapresentação de nove propostas, que somam R$ 1,2 bilhão. O fundo opera com financiamento de longo prazo para construção de embarcações, modernização de estaleiros e aquisição de equipamentos navais.
Segundo dados da Antaq e da Sudene, a Região Nordeste abriga importantes polos da indústria naval, com destaque para Bahia, Pernambuco e Ceará. Os investimentos autorizados pelo FMM reforçam a política de valorização do potencial logístico e produtivo da região, alinhada às diretrizes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Projeção para 2026: expectativa de continuidade
Embora ainda não haja definição de valores previstos por região para 2026, o cronograma do CDFMM estabelece a 62ª Reunião Ordinária para 19 de março, com prazo final de submissão de projetos até 19 de janeiro. Considerando o desempenho de 2025, a expectativa é que o Nordeste mantenha participação semelhante, podendo captar novamente mais de R$ 7 bilhões.
A continuidade dessa tendência dependerá da apresentação de novos projetos com viabilidade técnica e econômica, especialmente em estados com menor captação no ciclo anterior. Além disso, temas como transição energética, inovação tecnológica e modernização da logística portuária devem ganhar peso na análise de projetos em 2026, o que pode favorecer iniciativas estruturadas em parceria com universidades, centros de pesquisa e empresas da cadeia naval.
*Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos
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