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Lula liga para Trump: 40 minutos de conversa sobre tarifas, comércio e segurança

Presidente abordou sobretaxa de 40% ainda vigente sobre produtos brasileiros. Lula ainda destacou urgência em ações conjuntas na área de segurança
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Trump e Lula na Malásia
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta terça-feira (2) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que deseja “avançar rápido” nas negociações para a retirada de tarifas que ainda incidem sobre produtos brasileiros. A ligação, segundo o Palácio do Planalto, teve duração de 40 minutos e foi considerada “muito produtiva”.

O governo brasileiro avalia como positiva a revogação parcial da tarifa adicional de 40%, anunciada pela Casa Branca em novembro, que retirou 238 itens da lista do tarifaço, entre eles carne bovina, café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, chá, tomate e especiarias. No entanto, segundo dados oficiais, 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda permanecem sujeitas às sobretaxas, ante 36% no início da medida.

Na conversa, Lula reforçou que “ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países” e manifestou interesse em acelerar as negociações. O tarifaço é parte da política comercial implementada por Trump para conter a perda de competitividade da economia norte-americana frente à China.

No dia 26 de outubro, Lula e Trump tiveram um encontro em Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde participaram como convidados da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático. Foi a primeira reunião presencial entre os presidentes brasileiro e norte-americano. Eles haviam se encontrado brevemente durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em 23 de setembro e haviam conversado por telefone em 6 de outubro.

Cronologia das tarifas impostas ao Brasil

Em 2 de abril, os EUA estabeleceram tarifas com base no déficit comercial bilateral. Como mantêm superávit com o Brasil, aplicaram inicialmente a taxa mais baixa, de 10%. Em 14 de novembro, parte dos produtos agrícolas foi isentada.

Em 6 de agosto, porém, entrou em vigor a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros, como retaliação a decisões do governo Lula consideradas prejudiciais às big techs dos EUA, além de uma resposta política ao julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A revogação parcial das tarifas foi influenciada pelo diálogo entre Lula e Trump durante encontro na Malásia, em outubro, e por negociações posteriores entre as equipes técnicas dos dois países. O governo brasileiro agora concentra esforços na exclusão de itens industriais da lista tarifária. Bens de maior valor agregado ou fabricados sob encomenda são considerados os mais sensíveis, por enfrentarem maior dificuldade de redirecionamento para outros mercados.

Temas não tarifários também integram a pauta, incluindo terras raras, big techs, energia renovável e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).

Cooperação contra o crime organizado internacional

Durante a conversa, Lula também propôs reforço na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado internacional. O presidente citou operações recentes realizadas pelo governo brasileiro para asfixiar financeiramente essas organizações e relatou a existência de ramificações com atuação a partir do exterior.

De acordo com o comunicado do Palácio do Planalto, “o presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”. Os presidentes também concordaram em manter o diálogo sobre os desdobramentos dessa parceria.

O tema tem sido tratado por integrantes do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que criminosos usam o estado de Delaware, nos Estados Unidos, como rota de evasão de divisas. Segundo ele, recursos são enviados ilegalmente ao exterior e retornam ao Brasil em forma de capital lavado. A última operação identificada movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão.

Exportações brasileiras impactadas pelas tarifas

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil exportou US$ 2,1 bilhões em carnes bovinas e de frango para os Estados Unidos entre janeiro e outubro de 2024. A região Nordeste respondeu por 12,4% desse volume, com destaque para os estados da Bahia e do Ceará.

As exportações de café totalizaram US$ 5,6 bilhões no mesmo período. Os Estados Unidos são o segundo principal destino, com a Bahia liderando a produção na região Nordeste.

As vendas de frutas frescas — especialmente melão, manga e mamão — alcançaram US$ 1,2 bilhão. Rio Grande do Norte e Ceará concentram os principais polos exportadores. O mercado norte-americano representou cerca de 15% do total embarcado pelo Brasil nesse segmento.

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