
Sete anos após o início do afundamento de solo causado pela extração de sal-gema pela Braskem, os efeitos sobre o mercado imobiliário de Maceió ainda persistem. O setor agora se mobiliza para destravar a retomada de lançamentos no bairro da Gruta de Lourdes, tradicionalmente valorizado, mas que segue com restrições a financiamentos por estar dentro do raio de bloqueio ampliado nas áreas próximas aos bairros esvaziados.
Apesar de estar fora da área de instabilidade delimitada oficialmente pela Defesa Civil e pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), grande parte do bairro da Gruta de Lourdes e do Farol estão dentro um raio de 1,5 km definido pela seguradora, o que impede operações de financiamento pela Caixa Econômica Federal e inviabiliza novos lançamentos.
Em entrevista ao Movimento Econômico, o vice-presidente do Sindicato da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon-AL), Alfredo Breda, afirmou que há um diálogo com a Caixa Econômica Federal e seguradoras para liberar financiamentos na região do bairro da Gruta de Lourdes.
A região, que conecta bairros da parte alta ao Centro e orla de Maceió, historicamente figurava entre os mais valorizados da cidade. Por conta das rachaduras e afundamento de solo que afetaram regiões próximas, a procura por imóveis e os investimentos foram interrompidos, sendo direcionados para outras partes da cidade.
“Mesmo depois de tudo que aconteceu, muita gente tem procurado imóveis nas proximidades dos hospitais [Veredas, Hospital da Cidade e Arthur Ramos], devido à sua ótima localização. Estamos trabalhando muito forte junto à Caixa e as seguradoras para liberar essa região. Acredito que, com essa liberação, teremos de volta a confiança do empresário em investir em empreendimentos e das pessoas em voltar a morar ali”, disse.

Tragédia da Braskem mudou mapa imobiliário de Maceió
Até o ano de 2017, os bairros do Farol, Pinheiro e Gruta de Lourdes experimentavam um bom momento no setor imobiliário, com diversos lançamentos. Mas em fevereiro de 2018, a cidade viu o início de uma severa transformação, que esvaziou cinco bairros e forçou o crescimento da cidade para a parte norte.
Um levantamento da Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) divulgado à época colocava os bairros da Gruta de Lourdes, Farol, Pinheiro e Pitanguinha entre os com o maior valor de metro quadrado da cidade. Em 2017, o preço médio do metro quadrado em Maceió variava entre R$ 3.901 a R$ 4.700.
Nos anos seguintes, os imóveis foram sendo desocupados e as áreas declaradas de risco. Desde então, os preços e a dinâmica do setor mudaram.
Em dezembro de 2019, quando Maceió passou a integrar oficialmente o índice FipeZAP, a Gruta de Lourdes e o Farol já não apareciam entre os bairros com maior valorização. O preço médio do metro quadrado na capital naquele mês era de R$ 4.655. Os bairros com maior valor eram Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Jacarecica.

Com a desvalorização e o esvaziamento de parte da zona central, o setor imobiliário direcionou os lançamentos para outras regiões. Bairros como Mangabeiras, Tabuleiro do Martins, Cidade Universitária e Cruz das Almas passaram a receber novos projetos residenciais, incluindo unidades do programa Minha Casa Minha Vida.
De acordo com o índice FipeZAP de outubro de 2025, o preço médio do metro quadrado em Maceió chegou a R$ 9.833, com alta acumulada de 9,46% em 12 meses. Ainda segundo o relatório, o metro quadrado na Pajuçara custa R$ 14 mil, em Jacarecica o preço é de R$ 11.450 mil e na Ponta Verde R$ 11.209, uma alta de 111% se compararmos com os preços praticados antes do afundamento dos bairros.
“Acredito muito na força dessa região [Gruta de Lourdes]. Aquela região tem que crescer, não tem o menor sentido ser prejudicada e parar os investimentos imobiliários”, avalia o vice-presidente do Sinduscon.
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