
Impulsionado por investidores do próprio Nordeste e do Sudeste, atraídos pelo potencial de valorização do metro quadrado e pelos lançamentos no setor de luxo, Recife (PE) subiu neste ano da 10ª para a 3ª colocação no ranking nacional de demanda por imóveis de alto padrão, com nota de 0,763. Os dados são do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) relativo ao terceiro trimestre de 2025, elaborado pelo Ecossistema Sienge, por meio do CV CRM, com metodologia do Grupo Prospecta e parceria institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O IDI Brasil mede a propensão real de compra de imóveis residenciais com base em dados anonimizados e não autodeclarados, extraídos de mais de mil incorporadoras ativas em 79 cidades brasileiras. A metodologia avalia seis indicadores principais: Demanda, Demanda Direta, Dinâmica Econômica, Oferta de Terceiros, Atratividade para Antigos Lançamentos e Atratividade para Novos Lançamentos. A nota varia de 0,000 a 1,000, sendo aplicável a três faixas de renda: econômico (R$ 2 mil a R$ 12 mil), médio padrão (R$ 12 mil a R$ 24 mil) e alto padrão (acima de R$ 24 mil).
O desempenho recifense no segmento de alto padrão foi um dos destaques do IDI Brasil no terceiro trimestre. A capital pernambucana subiu da 10ª para a 3ª colocação nacional, atrás apenas de São Paulo (SP), com nota 0,853, e Goiânia (GO), com 0,769. O Recife superou praças como Curitiba e Brasília, obtendo o maior salto entre as capitais que já estavam no Top 10.
Recife avança no padrão luxo e consolida protagonismo nacional
A ascensão da capital pernambucana reflete o aumento da Demanda Direta por imóveis de luxo, a valorização do metro quadrado em bairros como Boa Viagem, Jaqueira e Pina, e o crescimento dos lançamentos direcionados à alta renda. O índice de elasticidade de oferta da cidade — que mede a capacidade do mercado em ajustar a produção à procura — foi um dos mais altos do país, garantindo estoques equilibrados e ritmo de vendas superior à média nacional.
O relatório também destaca o interesse crescente de investidores do Sudeste, atraídos pela combinação entre valorização patrimonial e velocidade de escoamento das unidades lançadas. Além da capital, há atenção voltada à Região Metropolitana, com estudos para novos empreendimentos de alto padrão em Jaboatão dos Guararapes, especialmente nas praias de Piedade e Candeias.
Em relação às demais capitais nordestinas, Fortaleza (CE) aparece em 4º lugar (0,753), mantendo-se entre os principais centros. Salvador (BA) ocupa a 7ª posição (0,689), com avanço de seis posições. Maceió (AL) figura em 13º lugar (0,590) e Natal (RN) protagoniza o maior salto do trimestre, da 60ª para a 24ª posição (0,520). João Pessoa (PB) estreia no ranking nacional, em 23º lugar.
Elasticidade e valorização explicam desempenho regional
Segundo o relatório, a força do mercado de alto padrão no Nordeste está diretamente ligada à elasticidade de oferta, com lançamentos que respondem rapidamente à procura. Recife, Fortaleza, Salvador e Maceió apresentaram níveis ajustados de estoque e vendas acima da média nacional, cenário que favorece a atratividade para compradores finais e investidores institucionais.
A composição regional do Top 10 reflete um cenário inédito de equilíbrio geográfico, com três capitais nordestinas, três do Sul, duas do Centro-Oeste e duas do Sudeste, revelando pulverização de lideranças e formação de novos polos de crescimento imobiliário.

Fortaleza lidera imóveis econômicos no país
No segmento econômico — voltado a famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis com valores de R$ 115 mil a R$ 575 mil — Fortaleza (CE) assumiu a liderança nacional, com nota 0,864, ultrapassando Curitiba (PR), que por vários trimestres manteve a primeira colocação. O resultado da capital cearense reflete uma combinação de melhora nos indicadores de Dinâmica Econômica, como renda e geração de empregos, e redução na Oferta de Terceiros, o que reduziu a concorrência com imóveis usados e fortaleceu o apelo dos novos empreendimentos.
A performance de Fortaleza é parte de uma tendência mais ampla de consolidação do Nordeste no padrão econômico. Recife (PE) aparece em 5º lugar (0,707), com avanço de três posições no trimestre e alta na Demanda Direta captada por incorporadoras. Salvador (BA) ocupa o 6º lugar (0,700), também com melhora nos indicadores de procura e absorção. Aracaju (SE) figura na 7ª posição (0,696) e Maceió (AL) na 8ª, ambas se destacando pelo equilíbrio entre oferta de novos empreendimentos e acessibilidade dos preços.
São Luís (MA) avançou seis posições e passou a ocupar o 14º lugar (0,584). João Pessoa (PB) estreou na pesquisa em 17º lugar, sinalizando a expansão da demanda formal também nas capitais de menor porte da região.
A presença expressiva de seis capitais nordestinas entre as 20 primeiras posições reforça o papel da região como vetor estratégico para lançamentos acessíveis, especialmente em um cenário de déficit habitacional superior a 6,5 milhões de moradias no país.
Salvador tem maior avanço no médio padrão
No segmento médio padrão — voltado a famílias com renda de R$ 12 mil a R$ 24 mil e imóveis com valores entre R$ 575 mil e R$ 811 mil — Salvador (BA) teve o melhor desempenho do país, subindo oito posições e alcançando a 4ª colocação nacional, com nota 0,734. O avanço foi impulsionado por crescimento simultâneo em todos os indicadores, com destaque para Atratividade de Novos Lançamentos, Demanda Direta e Dinâmica Econômica.
Esse desempenho consolida Salvador como o principal polo nordestino do médio padrão, tanto em volume de lançamentos quanto na atratividade percebida pelo público. A capital também lidera a interiorização da demanda, com Camaçari e Lauro de Freitas entre os vinte melhores posicionados.
Fortaleza (CE) aparece em 7º lugar (0,640), Maceió (AL) em 13º (0,600), Recife (PE) em 14º (0,596), Natal (RN) em 24º (0,533), Aracaju (SE) em 25º (0,530) e João Pessoa (PB) em 27º lugar (0,523).
O relatório destaca que o Nordeste foi a única região com presença em todos os padrões, consolidando uma base de mercado diversificada, escalável e com margem de crescimento sustentado.
Comparativo regional e interiorização da demanda
No padrão alto, o Top 10 reúne: Nordeste (3), Sul (3), Centro-Oeste (2) e Sudeste (2). No médio padrão, a distribuição é semelhante: Sudeste (3), Sul (3), Centro-Oeste (2) e Nordeste (2). A presença constante da região em todos os segmentos é interpretada pelo IDI como sinal de estabilidade e resiliência do mercado nordestino.
Fora do eixo Nordeste, Campo Grande (MS) teve o maior ganho no padrão econômico, subindo 11 posições até o 15º lugar. Belém (PA) se destacou no médio padrão, com avanço de seis posições até a 12ª colocação, representando o principal desempenho fora dos eixos tradicionais.
Metodologia e impacto do índice
O IDI Brasil é uma iniciativa do Ecossistema Sienge, com dados do CV CRM e metodologia do Grupo Prospecta, em parceria com a CBIC. Os dados são apurados trimestralmente com base em informações reais, e têm como objetivo fomentar a cultura data driven no setor imobiliário, tradicionalmente marcado pela informalidade estatística.
No primeiro semestre de 2024, o CV CRM movimentou R$ 33 bilhões em vendas, consolidando sua base como a mais ampla do setor. A partir disso, o IDI Brasil tornou-se a principal referência nacional na leitura da demanda imobiliária residencial, oferecendo subsídios para decisões estratégicas de incorporadoras, investidores e gestores públicos.
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