
O Nordeste brasileiro enfrenta um processo acelerado de envelhecimento populacional, conforme aponta boletim temático divulgado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com base nos dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE. O índice de envelhecimento da região saltou de 41,7 em 2010 para 67,8 em 2022 — o que representa 67,8 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos.
No mesmo período, a idade mediana da população nordestina subiu de 27 para 33 anos. Essa mudança estrutural se relaciona com a queda da taxa de fecundidade e o aumento da longevidade. Embora o Nordeste ainda mantenha um perfil etário mais jovem do que outras regiões do país, os dados mostram uma transição demográfica em ritmo acelerado.
Municípios pequenos concentram maiores índices de envelhecimento
De acordo com a Sudene, os maiores índices de envelhecimento estão nos municípios com até 5 mil habitantes. Nessas localidades, há 76,2 idosos para cada 100 crianças, número acima da média regional. Esse fenômeno está relacionado à migração de jovens em busca de emprego, educação e serviços nas cidades maiores.
Nos grandes centros urbanos, o índice também é elevado: municípios com mais de 500 mil habitantes registram 63,9 idosos para cada 100 crianças. A diferença está no perfil: enquanto as cidades pequenas perdem população jovem, as maiores acumulam tanto idosos quanto jovens migrantes, intensificando o envelhecimento relativo nas duas pontas.
Idade Mediana: idade que divide a população em duas metades – metade mais jovem e metade mais velha. Índice de Envelhecimento: número de pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos. Razão de Sexo: número de homens para cada 100 mulheres na população total.
Estados nordestinos apresentam cenários distintos
A análise estadual revela desigualdades internas na transição demográfica. O Maranhão apresenta um dos menores índices de envelhecimento do país (50), enquanto o Rio Grande do Norte se aproxima da média nacional (76,1). A Bahia, com 75,4, está entre os estados com maior proporção de idosos da região.
Apesar das diferenças, todos os estados nordestinos registraram aumento no número de pessoas com 60 anos ou mais. A Bahia concentra mais de um quarto da população idosa do Nordeste, seguida por Pernambuco e Ceará, que juntas respondem por cerca de 40% do total regional.
Expectativa de vida recua após pandemia
Entre 2017 e 2019, a expectativa de vida ao nascer no Nordeste subiu de 72,99 para 73,68 anos, evidenciando um leve processo de convergência em relação à média nacional. A partir de 2019, no entanto, a tendência foi revertida em função da pandemia de COVID-19.
Em 2021, a expectativa de vida na região caiu para 71,63 anos. Estados como Maranhão e Piauí registraram as maiores perdas: 3,49 e 2,90 anos, respectivamente. Mesmo com quedas menores, outros estados como Bahia e Alagoas também sofreram reduções superiores a 2,7 anos, refletindo a vulnerabilidade sanitária da região.
Idosos ganham espaço no mercado de trabalho formal
O número de trabalhadores com 60 anos ou mais com vínculo formal de emprego no Brasil cresceu 12,9% entre 2023 e 2024, segundo a RAIS. No Nordeste, esse grupo representa 3,7% do total de empregos com carteira assinada, contra 4,73% da média nacional.
Apesar da diferença, o volume de trabalhadores seniores no Nordeste é significativo. Bahia, Pernambuco e Ceará concentram 65,9% dos empregos formais dessa faixa etária na região. A ampliação da participação pode ser explicada por fatores como busca por renda, melhora nas condições de saúde e valorização da experiência profissional.
BPC cresce e revela vulnerabilidade na terceira idade
Entre 2019 e 2024, o número de idosos beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) no Nordeste subiu de 578 mil para 764 mil, alta de 32%. O crescimento reflete o aprofundamento das vulnerabilidades sociais na região, especialmente após a pandemia.
Em 2024, a Bahia liderava com 243 mil idosos beneficiários, o equivalente a 43% dos beneficiários do estado. Pernambuco vinha em seguida, com 157 mil. No total, o Nordeste responde por cerca de 29,5% dos idosos que recebem o BPC em todo o país, reforçando a dependência da assistência social por parte dessa faixa etária.
Baixa escolaridade predomina entre os idosos
Segundo o Censo de 2022, um em cada quatro idosos nordestinos (25,3%) não possui instrução ou tem apenas o ensino fundamental incompleto. Estados como Ceará, Bahia e Piauí apresentam índices ainda maiores que a média regional nesse grupo.
Nos níveis mais altos de escolaridade, a participação dos idosos é mais baixa. Apenas 4,64% dos nordestinos com ensino médio completo ou superior incompleto têm 65 anos ou mais. A proporção sobe para 8,62% entre os que possuem diploma de ensino superior, com destaque para Pernambuco (10,4%) e Paraíba (10,4%).
Casos de violência contra idosos aumentam
O número de notificações de violência interpessoal contra idosos no Nordeste aumentou 388% entre 2013 e 2023. No Brasil, o crescimento foi de 250% no mesmo período. Ceará e Pernambuco lideram os registros regionais, com 1.970 e 2.013 casos em 2023, respectivamente.
Os tipos de violência incluem agressões físicas, psicológicas, negligência e abandono. Segundo os dados analisados pela Sudene, o aumento pode estar ligado tanto ao crescimento real dos casos quanto à maior conscientização e ampliação dos canais de denúncia.
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