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Metanol: estabelecimentos do Recife reagem a risco com campanhas nas redes

Bares, restaurantes e clubes do Recife divulgam notas fiscais e fotos de bebidas lacradas para tranquilizar clientes após notificações de intoxicação por metanol. Apevisa suspendeu distribuidora. MS registrou 43 casos suspeitos, com 4 em PE
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Estabelecimentos pernambucanos passaram a publicar vídeos, fotos de garrafas lacradas e comprovantes de compra para afastar risco de contaminação por metanol. Foto: Marcello Casal Junior/Agência Brasil

A notificação de casos de intoxicação por metanol em São Paulo e Pernambuco levou bares e restaurantes do Recife a reforçarem, nas redes sociais, informações sobre a origem das bebidas comercializadas. O Ministério da Saúde confirmou mortes em SP e quatro casos suspeitos em PE, e instalou uma Sala de Situação para monitoramento.

Ao menos oito estabelecimentos da capital e Região Metropolitana publicaram notas sobre o tema. A Casa dos Frios afirmou que trabalha com fornecedores certificados e produtos de origem comprovada. O restaurante Bode do Nô destacou o uso exclusivo de bebidas com nota fiscal, lacre de fábrica e rastreabilidade garantida.

Também se posicionaram o The Bears Recife, que reforçou o compromisso com a qualidade dos produtos servidos, e o Boteco do Bêu, que informou adquirir bebidas apenas de fornecedores formais, com documentação completa e controle de estoque. O Oficina Rock Café, Bar do Tiba Aldeia, Magmineirin e o Caldinho do Nenen igualmente publicaram comunicados assegurando o controle sobre o estoque e a autenticidade das bebidas ofertadas.

Sem risco de metanol

Até mesmo clubes associativos adotaram a medida preventiva. O Clube dos Bancários do Recife publicou comunicado para tranquilizar frequentadores. A postagem destaca que todas as bebidas alcoólicas e insumos servidos no clube são adquiridos de fornecedores certificados, com lacres originais e documentação fiscal, e que o ambiente segue controle rigoroso de entrada e armazenamento de produtos.

Os estabelecimentos pernambucanos passaram a publicar vídeos, fotos de garrafas lacradas e comprovantes de compra como forma de preservar a confiança do consumidor e evitar impacto nas vendas. Pequenos negócios relatam dificuldade para comprovar a formalização completa da cadeia de fornecimento, especialmente fora dos grandes centros.

O setor teme que a repercussão dos casos afete a confiança do consumidor e gere retração nas vendas, como já se observa em outras capitais. No Distrito Federal, mesmo sem registros locais, bares também divulgaram comunicados públicos sobre a origem dos produtos oferecidos, sinalizando que a preocupação se espalha nacionalmente.

Distribuidoras de bebidas estão sob fiscalização da Apevisa

A movimentação atinge também o setor de distribuição. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) confirmou que realiza inspeções em empresas do setor e já suspendeu preventivamente a inscrição estadual de uma distribuidora, enquanto outras seguem sob análise.

Ainda não há informações oficiais sobre a origem das bebidas relacionadas aos quatro casos suspeitos notificados em Pernambuco, nem se estão vinculadas a estabelecimentos específicos ou distribuidoras do estado.

Pernambuco conta com mais de 1.200 empresas registradas como distribuidoras de bebidas alcoólicas, segundo a Receita Estadual. A maioria está concentrada na Região Metropolitana do Recife e atende bares, restaurantes, hotéis e pontos de venda no interior.

Ministério da Saúde confirma 43 notificações no país

O Ministério da Saúde confirmou 43 notificações por suspeita de intoxicação com metanol: 39 em São Paulo e 4 em Pernambuco. Uma morte foi confirmada. O metanol é uma substância de uso industrial, proibida para consumo humano, e pode causar cegueira, coma ou morte, mesmo em pequenas quantidades.

Os sintomas costumam surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão e incluem dor abdominal, visão turva e confusão mental.

A Sala de Situação criada pela pasta federal reúne representantes da vigilância sanitária e especialistas em toxicologia, com o objetivo de padronizar notificações, consolidar análises laboratoriais e emitir alertas sanitários às redes estaduais e municipais de saúde.

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