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iFood investe em Sergipe como piloto de revolução logística com drones

Empresa retoma operação de drones em Sergipe com primeira autorização permanente da Anac para voos urbanos. Rota cruza rio Sergipe em 6 minutos e entrega pedidos em até 30 minutos. Estado se consolida como vitrine nacional de logística aérea
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Drone com lanche levantando voo, no Shopping Riomar, com destino a Barra dos Coqueiros. Foto: Tarcísio Dantas

Aracaju voltou a contar com entregas regulares por drones em áreas povoadas, após autorização inédita concedida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A rota escolhida conecta o Shopping RioMar, na capital, a condomínios residenciais em Barra dos Coqueiros (na região metropolitana), sobrevoando o rio Sergipe em um percurso aéreo de menos de quatro quilômetros. O projeto é conduzido pelo iFood em parceria com a Speedbird Aero e marca a expansão do modelo de logística multimodal da empresa, que combina bicicletas, motos, carros, barcos, robôs e agora drones.

A operação, iniciada em 2021 como piloto, retorna em nova fase com capacidade para até 280 pedidos por dia e a inclusão de uma nova aeronave, capaz de transportar até 5 quilos — antes o limite era de 3 quilos. Por terra, o trajeto exigiria 36 quilômetros de ida e volta em meio ao trânsito, levando cerca de uma hora. Pelo ar, o drone completa o percurso em seis minutos, garantindo que o consumidor receba o pedido em até 30 minutos. A chamada “última milha” continua sob responsabilidade de entregadores, que levam o pedido do ponto de pouso até a porta do cliente.

“O iFood é multimodal: combina bicicletas, motos, carros, barcos, robôs e agora também drones para conectar um ecossistema complexo de entregas com precisão. O drone entra para resolver trechos que não fariam sentido para o entregador, que continua sendo alocado em rotas mais produtivas”, explica Rodolfo Klautau, diretor de Logística do iFood.

Tecnologia brasileira com drones

O drone utilizado na rota Aracaju–Barra dos Coqueiros é um modelo desenvolvido no Brasil e operado pela Speedbird Aero. Ele tem capacidade de transportar até cinco quilos, alcança velocidade média de 50 km/h e altitude de 60 metros — o equivalente a um prédio de 20 andares. Todo o voo é monitorado num centro de controle instalados em uma das docas do Shopping RioMar e acompanhado por um centro de controle em Franca (SP). Os equipamentos contém GPS integrado e sistema de paraquedas em caso de emergência.

Ponto de partida dos drones, no Shopping RioMar. Foto: Tarcísio Dantas

A aeronave resiste a ventos de até 55 km/h e pode operar sob chuva leve. Nesta fase, dois drones estão disponíveis para a operação, podendo voar simultaneamente conforme a demanda. Para Manoel Coelho, CEO da Speedbird Aero, o avanço é histórico: “A retomada e expansão do projeto em Aracaju é um marco não apenas para o iFood e a Speedbird, mas para todo o setor de mobilidade aérea no Brasil. Trata-se da primeira autorização permanente da Anac para voos sobre áreas com circulação de pessoas. Estamos muito orgulhosos de liderar esse avanço com uma aeronave nacional de maior capacidade, que torna a operação mais eficiente e robusta.”

O fundador da Speedbird, Samuel Salomão, destacou a escolha estratégica de Sergipe:
“A cidade de Aracaju foi escolhida pelas barreiras geográficas, já que o rio Sergipe separa a capital de Barra dos Coqueiros. Criamos uma ponte aérea entre os dois municípios, aproximando os consumidores e trazendo uma solução logística inédita.”

Novas perspectivas

Além da iniciativa privada, representantes da Prefeitura de Aracaju acompanharam a inauguração da nova fase da operação. O secretário municipal de Articulação, Parcerias e Investimentos, Fábio Oliveira Uchoa, afirmou que a capital está aberta a iniciativas que estimulem inovação e atração de negócios. “Estamos aqui apoiando a chegada dessa nova modalidade de transporte, para que parceiros privados enxerguem Aracaju como ela de fato é: um polo aberto a investimentos e parcerias responsáveis, sempre visando o interesse público.”

Rocha acrescentou que o uso da tecnologia não se restringe ao setor privado:
“O poder público também pode, no futuro, contar com equipamentos dessa natureza para transporte de exames, medicamentos ou até para atividades na área de segurança.”

O secretário de Inovação e Tecnologia do município, Dilermando Garcia Júnior, que articulou a vinda do projeto, reforçou que a capital sergipana se coloca como vitrine para soluções de mobilidade aérea urbana, atraindo investimentos e fomentando o conceito de cidades inteligentes.

Secretário municipal Dilermando Júnior com o head da IFood, Rafael Correia. Foto: Tarcísio Dantas

Segundo ele, a tecnologia já mostra ganhos imediatos no tempo de entrega: “Existem pedidos que, mesmo com motoboy, podem demorar até uma hora. Com o drone, esse tempo cai para 8 ou 10 minutos. Isso é uma entrega maravilhosa. O drone não é futuro, o drone já é presente, e precisamos trabalhar isso também no poder público”, afirmou.

Dilermando ressaltou que a inovação tem potencial de uso também em áreas estratégicas, como saúde e segurança pública. “Podem ser transportados exames, diagnósticos, medicamentos e outros itens essenciais, agilizando serviços fundamentais para a população. Para Aracaju, isso é um ganho maravilhoso. Nossa cidade tem sido pioneira nesse projeto no Brasil, e tenho certeza de que é apenas o início, porque muitas novidades ainda estão por vir”, disse.

Ao avaliar o pioneirismo da capital sergipana, ele foi categórico: “Aracaju é uma cidade pequena e, por isso, mais fácil de testar esse tipo de tecnologia. Hoje já somos exemplo para o Brasil inteiro em entregas por drones. E, quando chegar a hora dos voos tripulados, tenho certeza de que também seremos escolhidos como mercado-teste. Estamos trabalhando muito na área de inovação, startups e parcerias público-privadas, alinhados com a visão da prefeita Emília Corrêa, que deseja rapidez, mudança e inovação contínua para a população.”

Expansão e futuro do projeto

Segundo Rafael Corrêa, head de Comunicação do iFood, a rota está oficialmente aberta desde o dia 1º de outubro e já aparece como opção no aplicativo, inicialmente em restaurantes como o Madeiro. “Essa entrega não tem custo adicional para o cliente. É o mesmo valor de uma entrega feita por moto, mas com a conveniência de chegar em muito menos tempo.”

Corrêa explicou ainda que a operação em Sergipe servirá como laboratório para futuras expansões: “O iFood tem a filosofia de testar, aprender e depois expandir. Agora que temos uma rota constante em Aracaju, vamos estudar novos portos na capital e também em outros estados. Mas é sempre importante dizer que os drones são complementares: para distâncias curtas, bicicletas e motos continuam sendo a forma mais eficiente de entrega.”

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