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Bisturi Canavieiro: inovação de AL pode transformar o plantio de cana no país

Bisturi Canavieiro propõe revitalização de lavouras com menor custo, maior sustentabilidade e retorno no primeiro ano
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Bisturi canavieiro de Alagoas
Área em São Miguel dos Campos abriga técnica do Bisturi Canavieiro, criada por Edilson Maia. Foto: Vanessa Siqueira

Com uma solução simples, prática e de forte impacto no campo, o engenheiro agrônomo e produtor rural Edilson Maia tem chamado a atenção do setor sucroenergético nacional. Criador da técnica batizada de Bisturi Canavieiro, a inovação pretende revitalizar lavouras e promete quebrar um paradigma centenário no plantio de cana-de-açúcar. Ao invés de reformar totalmente o canavial, o produtor agora pode recuperar as áreas falhadas com menor custo e retorno mais rápido.

A inovação, desenvolvida em Alagoas, foi uma das grandes atrações do Cana Show Inovação, realizado em São Miguel dos Campos (AL), nesta quinta-feira (25), já está em processo de adoção em estados como São Paulo e Piauí, e tem despertado o interesse de lideranças do setor. Foi o caso do presidente da Comissão Nacional da Cana-de-Açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Perez, que foi pessoalmente ao evento para conhecer de perto a tecnologia.

“Essa solução pode ser a válvula de escape que o produtor de cana do Brasil inteiro está procurando para conseguir permanecer na atividade. O Edilson quebrou um paradigma no plantio de cana que vem desde os índios. Agora é possível plantar cana em pé e revitalizar a lavoura sem os custos de reforma total”, afirmou Perez.

Edilson Maia criador do projeto Bisturi Canavieiro, de Alagoas
Edilson Maia uniu experiência e técnicas para desenvolver o Bisturi Canavieiro em Alagoas. Foto: Júlio Vasconcelos

Bisturi Canavieiro reduz custos e revitaliza ao invés de reformar

Na prática, o “Bisturi Canavieiro” consiste em substituir a reforma convencional do canavial pela revitalização das áreas improdutivas, preservando as soqueiras remanescentes, reduzindo a densidade de gemas no plantio e corrigindo falhas com nova brotação.

O resultado, segundo Maia, é uma redução de até 40% no custo de implantação, menor uso de diesel, máquinas e insumos, além da possibilidade de obter receita já no primeiro ano do plantio, o que tradicionalmente só ocorre após 12 a 18 meses.

“O plantio é a parte que mais onera o produtor. Com essa técnica, conseguimos reduzir custos, melhorar a longevidade do canavial e até impactar positivamente o meio ambiente com menos emissão de CO₂. É algo que nasceu do campo, com foco em quem vive da cana”, explicou Edilson Maia.

Do interior de Alagoas para o Brasil: expansão e validação no setor

A técnica, desenvolvida e testada nos próprios canaviais de Maia, já atraiu a atenção de usineiros do Centro-Sul. Segundo Nelson Perez, o projeto foi o principal motivo da visita da CNA ao evento. “Faz tempo que não vejo algo tão simples e revolucionário ao mesmo tempo. Trouxe colegas do Centro-Sul para conhecerem essa tecnologia, e todo mundo saiu impactado”, disse.

Máquina batizada de Maia também foi desenvolvida por Edilson Maia
Máquina Maia, um equipamento desenvolvido localmente pela empresa TT e que já está sendo adaptado para ampliar a aplicação do Bisturi Canavieiro. Foto: Júlio Vasconcelos

Além da inovação agronômica, a solução tem sido aplicada com o uso da Máquina Maia, um equipamento desenvolvido localmente pela empresa TT e que já está sendo adaptado para ampliar a aplicação do Bisturi Canavieiro em áreas de declive, encostas e solos com desafios estruturais.

“Essa máquina nasceu aqui, mas já tem versões sendo adaptadas para outros países da América Central. A ideia é garantir que até as áreas de difícil mecanização possam ser recuperadas com eficiência”, contou Maia.

Inovação com DNA colaborativo

Com mais de 40 anos dedicados à atividade, Edilson Maia carrega em sua trajetória o compromisso com a assistência técnica, a formação de produtores e a construção coletiva de soluções. Ele mesmo diz que seu maior prazer é ver o conhecimento sendo multiplicado.

“Não adianta só o Edilson estar bem na atividade. Tem que estar todo mundo. Essa técnica não é minha, é nossa. Só faz sentido se puder ajudar o setor como um todo a seguir forte”, reforçou.

Nelson Perez, da CNA
Nelson Perez, da CNA, foi a Alagoas ver de perto técnica do Bisturi Canavieiro. Foto: Júlio Vasconcelos

Em um momento de custos crescentes, margens apertadas e desafios climáticos, a técnica desenvolvida em Alagoas surge como uma alternativa viável e concreta para manter a sustentabilidade econômica e produtiva do setor canavieiro.

A CNA já monitora os primeiros resultados da técnica em outras regiões e deve acompanhar sua expansão com atenção redobrada. Enquanto isso, em São Miguel dos Campos, a tecnologia criada no campo, a partir da escuta do solo e das falhas da lavoura, vai ganhando protagonismo,  não só como inovação, mas como símbolo de resistência de um setor que insiste em evoluir.

O reconhecimento também veio de lideranças locais. Para o presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, o Bisturi Canavieiro desenvolvido por Edilson Maia é exemplo de dedicação ao desenvolvimento do agronegócio nordestino.

“Registrar a importância de a gente ter entre a nós um Edilson Maia, né? Um homem que vive para transmitir ideias, para evoluir o segmento. Eventos como este, e outras iniciativas que possam acontecer nesse naipe, são de grande importância para o agronegócio, principalmente para o segmento da cana”, afirmou.

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