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Tech Woman 2026 aposta em inclusão e uso da inteligência artificial

Evento chega à 4ª edição com cinco palcos. Iniciativa fortalece presença feminina no mercado de tecnologia
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Evento chega à 4ª edição com cinco palcos. Iniciativa fortalece presença feminina no mercado de tecnologia
Tech Woman terá este ano cinco palcos simultâneos, sendo um dedicado ao empreendedorismo e outro à introdução de uso de IA no cotidiano – Foto: Dan Nunes/Divulgação

O avanço da tecnologia como motor de transformação social e econômica ganha novos contornos no Recife com a consolidação do Tech Woman. Em sua quarta edição, o evento amplia escopo, estrutura e propósito. A principal novidade da edição 2026 é a ampliação das trilhas temáticas. Os cinco palcos, voltados para temas como Carreiras, Técnico, Soft Skills, Empreendedorismo e Tecnologia para Não Tech, com foco em inteligência artificial.

Anunciada em um encontro realizado na quinta-feira (23), na Liferay, no Paço Alfândega, a edição de 2026 traz uma expansão da programação e da infraestrutura. Marcado para o dia 29 de agosto, no Recife Expo Center, o Tech Woman 2026 passa a contar com cinco palcos simultâneos (dois a mais que no ano anterior), refletindo a diversidade de perfis e interesses dentro do universo tecnológico.

A programação foi desenhada para atender desde mulheres que desejam ingressar no setor até aquelas que já atuam na área ou utilizam a tecnologia como ferramenta em outras profissões. Participaram do evento a Ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, e o presidente nacional do Softex, Christian Tadeu.

Para a cofundadora do Tech Woman Laís Xavier, o crescimento do evento acompanha uma mudança mais profunda na forma como a iniciativa se posiciona. “A gente deixou de ser apenas um evento para ser um movimento. O evento é o ponto de culminância de uma série de ações que acontecem ao longo do ano”, afirma.

Essa evolução se traduz em uma atuação que vai além das palestras, incluindo comunidade ativa, ações formativas e iniciativas de engajamento contínuo. A maturidade conquistada ao longo das quatro edições também se reflete na capacidade de articulação com empresas, instituições e programas de formação.

Tech Woman Inteligência artificial - Foto: Dan Nunes/Divulgação
Lançamento do Tech Woman 2026 contou com a presença de lideranças do setor de tecnologia no Brasil – Foto: Dan Nunes/Divulgação

Ampliação de conteúdo e novos públicos

Entre os destaques está o fortalecimento do eixo de empreendedorismo. O que antes era uma arena menor passa a ocupar um palco completo, com programação dedicada a temas como captação de recursos, acesso a financiamento e desenvolvimento de negócios.

“A gente amplia a atuação na base empreendedora, apoiando desde startups até empresas mais maduras”, explica Laís.

Outro avanço relevante é a criação de um palco voltado para quem não é da área de tecnologia. A proposta é desmistificar conceitos e ampliar o acesso ao conhecimento digital. “Tecnologia é meio, é transversal. Nem todo mundo quer trabalhar com tecnologia, mas todo mundo precisa saber usar”, pontua.

Inteligência artificial e letramento digital

A inclusão do tema inteligência artificial na programação reflete uma demanda crescente do mercado e da sociedade. No novo palco, o conteúdo será voltado para iniciantes, abordando desde a origem da IA até aplicações práticas no cotidiano.

Segundo Laís, a ideia é traduzir conceitos complexos em linguagem acessível. “A inteligência artificial não é algo novo, ela existe desde a década de 1970. O que mudou foi a infraestrutura, que permitiu a popularização. Agora, a pergunta é: como as pessoas podem usar isso de forma consciente e estratégica?”, questiona.

Além da IA, o espaço também abordará temas como segurança digital, combate à desinformação e uso responsável das redes sociais.

Inclusão e impacto social

Um dos pilares do Tech Woman é a democratização do acesso. O evento mantém o programa de madrinhas e padrinhos, que permite a doação de ingressos para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa inclui ainda suporte com alimentação, transporte e espaço kids, ampliando as condições de participação.

Na edição de 2025, o evento reuniu cerca de duas mil participantes, vindas de diversas regiões de Pernambuco e de outros estados. O alcance territorial reforça o papel do Recife como polo irradiador de inovação no Nordeste.

Mercado em transformação e novas oportunidades

A expansão do Tech Woman ocorre em paralelo a mudanças estruturais no mercado de tecnologia. Apesar de ainda ser um ambiente majoritariamente masculino, há sinais de transformação impulsionados por políticas de diversidade e programas de formação.

Dados mencionados durante o evento indicam que mulheres já representam cerca de 42% da empregabilidade em programas recentes de capacitação tecnológica, um avanço em relação à participação na formação inicial. Para Laís, esse movimento reflete uma mudança de postura das empresas. “Existe uma intencionalidade maior na contratação e isso está gerando efeito.”

Ela também destaca que a tecnologia continua sendo uma área de alta empregabilidade, mesmo com o avanço da inteligência artificial. “As profissões estão se transformando, não desaparecendo. Surgem novas funções, como engenharia de prompt, e a capacidade de adaptação passa a ser essencial.”

Formação de talentos impulsiona liderança do Recife

Os números mais recentes do ensino superior ajudam a explicar por que o Recife se consolida como um dos principais polos de tecnologia do país. Dados do Censo da Educação Superior 2023, do Inep, sistematizados pelo Porto Digital, mostram que a capital lidera o ranking nacional de estudantes de Tecnologia da Informação por habitante, com 658 alunos matriculados por 100 mil habitantes, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior.

O desempenho coloca a cidade bem à frente da segunda colocada, Brasília, que registra 445,2 estudantes na mesma proporção. O avanço é impulsionado pelo Embarque Digital, iniciativa que oferece bolsas integrais para estudantes da rede pública e também posiciona o Recife como líder em concluintes, com 66 formados por 100 mil habitantes.

A diversidade também é ampla. Enquanto no Brasil apenas cerca de 19% dos estudantes de TI são mulheres, no Embarque Digital elas já representam 32% das matrículas. Na dimensão racial, o contraste é ainda maior. Cerca de 60% dos estudantes do programa se identificam como negros, frente a 34% no cenário nacional. Além disso, a evasão, que chega a 67% nos cursos de tecnologia no país, cai para 23,6% nas turmas do programa.

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