Indústria brasileira de entretenimento deve faturar US$ 33 bilhões em 2022

A projeção é da Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2022–2026, organizada e divulgada pela PwC Brasil
A estimativa do mercado nacional é maior que o crescimento esperado para a indústria do entretenimento no mundo. Foto: Freepik

O arrefecimento da pandemia de Covid-19 no país permitiu uma boa recuperação da indústria brasileira de entretenimento e mídia que, segundo a Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2022–2026, organizada e divulgada pela PwC Brasil, deve fechar 2022 com faturamento de US$ 33 bilhões. O estudo ainda aponta que a soma de receitas dos setores nacionais do segmento deve crescer 5,7% ao ano até 2026.

O índice é maior que a projeção de crescimento global dessa indústria, em torno de 4,6%, e também supera a projeção feita para o Brasil pela edição anterior do mesmo estudo, que indicava uma alta de 4,7% até 2025.

A pesquisa analisou 14 setores da indústria de entretenimento e mídia no Brasil e no mundo, totalizando 52 territórios. Entre os mercados estudados, estão os de livros, cinema, publicidade na internet, música, rádio e podcasts, jornais e revistas, streamings de vídeo, TV, publicidade tradicional, e games e eSports.

“O arrefecimento da pandemia possibilitou o consumo de uma demanda represada por shows ao vivo, por exemplo. Depois das dificuldades do isolamento, as pessoas estavam carentes de ver os artistas favoritos, o que movimentou a economia. Esse é um setor que puxou as projeções de crescimento”, comenta o sócio da PwC Brasil, Ricardo Queiroz.

Mas não foi só a saudade de cantar a plenos pulmões em meio à multidão que elevou as receitas de entretenimento e mídia. A pandemia provocou mudanças nos hábitos de consumo das pessoas, que passaram a demandar mais produtos digitais, como plataformas de streaming de áudio e vídeo.

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Esse movimento criou muitos espaços valiosos de publicidade, gerando muito dinheiro. Em 2020, a queda na receita de publicidade foi de 10,5% como reflexo da pandemia. Em 2021, o setor apresentou recuperação na casa dos 13,8% e, agora, a previsão para 2016 é 5% de crescimento anual. “As atividades de consumo e lazer estão cada vez mais digitais, o que deve ampliar oportunidades para varejistas e marketing digital no geral”, analisa Queiroz.

A pesquisa da PwC estima que em 2026 o crescimento de receita vindo da ampliação do hábito de assistir a filmes e séries por streaming – visto que os cinemas estavam fechados – deve desacelerar até 2026.

Mercado brasileiro

No Brasil, contudo, o estudo mostrou crescimento de receitas no mercado nacional em 2021 de 29%, ante 22,8% do mercado global. Para os próximos anos, espera-se um crescimento de 9,8% ao ano no Brasil.

Apesar das mudanças de hábitos das audiências, o mercado de cinema, nacionalmente, começa a dar sinais de recuperação com uma projeção de alcançar apenas em 2026 uma receita de US$ 681 milhões, valor arrecadado em 2019, o ano anterior à pandemia. Mundialmente, a cifra da receita de 2019 era US$ 45 bilhões, patamar que deve ser atingido já em 2023.

“O que temos percebido são as plataformas diversificando a forma de adquirir receita. Um exemplo claro é a criação de planos mais baratos com publicidade entre os conteúdos. De todo modo, ainda percebemos a chegada de novos concorrentes mesmo que grandes companhias já estejam consolidadas no mercado de vídeo sob demanda”, aponta Queiroz.

A consolidação do streaming no país impacta a TV tradicional, que busca a reinvenção por meio da oferta de produtos sob demanda. De qualquer forma, o setor seguirá estável no Brasil, mesmo retraindo no mundo. A receita deve se manter em torno de US$ 3,1 bilhões ao ano no país até 2026, e passar dos US$ 231 bilhões em 2021 para US$ 222,1 bilhões no mundo.

Protagonismo brasileiro em games

A pesquisa evidenciou um destaque para o mercado de publicidade no setor de games. Os jogos sociais/casuais respondem por 66,2% da receita total de videogames e esportes eletrônicos do Brasil, atingindo US$ 928 milhões em 2021.

Os números indicam um crescimento de 40,6% em relação ao ano anterior. A tendência é permanecer forte, mas desacelerar para 12,7% até 2026. Mesmo assim, o Brasil manteria a posição de destaque na América Latina, à frente do México em 2021, e responderá por 47,4% da receita total da região até 2026.

“Há outro ponto interessante de observação sobre jogos. Com experiências imersivas e virtuais, se abre um caminho para o metaverso e a próxima geração de publicidade digital, entretenimento e experiência de marca. É um movimento ainda tímido no Brasil, mas o qual devemos colocar sob perspectiva nos próximos anos”, sinaliza Ricardo Queiroz.

As projeções de receita total de videogames e eSports, conforme a pesquisa, estimam que esse mercado deve faturar US$ 2,8 bilhões em 2026 no país, aumentando a uma taxa anual de 15,2%. No mundo, a perspectiva para o mesmo período é de US$ 323,5 bilhões, sendo que a taxa de crescimento é menor que no Brasil, 8,4%.

Além disso, espera-se que os jogos móveis ocupem quase 100% do mercado social/casual até 2026, impulsionado principalmente pelo aumento da penetração de smartphones e por um setor de publicidade de jogos em aplicativos em rápida expansão. O Android responde por 85% das instalações de social games no Brasil.

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