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Prêmio Movimento Econômico debate cenário da economia do País e do NE

O Prêmio Movimento Econômico - Ano I - contou com as palestras de executivos do BNB, BNDES e de economista que falaram sobre oportunidades, crédito e desenvolvimento do Nordeste
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O economista Teco Medina argumentou que o cenário de desglobalização pode trazer oportunidades para o Brasil. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Mesmo com as incertezas que aumentaram com a guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irã, as oportunidades existentes para o Brasil e o Nordeste dominaram as palestras realizadas durante o Prêmio Movimento Econômico – Ano I – 2026, proferidas pelo financista e comentarista da CBN Teco Medina, da diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, e do economista chefe do BNB, Rogério Sobreira. O evento ocorreu na noite da quarta-feira (18) na Torre 5 do RioMar Trade Center, no Recife.

No processo de desglobalização que está ocorrendo no mundo, “o Brasil precisa chegar cedo nas festas que estão acontecendo, porque há festas acontecendo”, disse o Teco Medina. Uma delas seria o movimento de nearshoring, que está trazendo a produção para locais mais próximos dos mercados, abrindo espaço para atrair indústrias. “O nearshoring, enquanto Trump for o presidente, vai continuar acontecendo”, comentou.

Segundo Medina, o Brasil pode sair relativamente beneficiado — desde que saiba aproveitar oportunidades como o nearshoring industrial, a expansão de data centers, a demanda global por energia limpa e o avanço da inteligência artificial. “A gente poderia até ser o DJ dessa festa”, afirmou, referindo-se à vantagem comparativa brasileira em matriz energética limpa, território e mão de obra.

No diagnóstico interno, Medina apontou que a fotografia macroeconômica de curto prazo — desemprego na mínima histórica e seis anos consecutivos de crescimento — contrasta com fundamentos fiscais deteriorados: dívida pública em trajetória ascendente acelerada, déficit primário estimado em R$ 100 bilhões para o ano corrente e Selic acima de 12% por cinco anos consecutivos. “A gente tá crescendo menos em 2025 do que em 2024, menos em 2026 do que em 2025“, projetou, sinalizando desaceleração à frente.

Para o economista, a eleição presidencial de 2026 definirá a trajetória econômica da próxima década. “São propostas muito distintas, o que faz a gente presumir que pelo menos uma delas está errada”, disse, sem indicar preferência. Medina chamou a atenção para as pessoas prestarem atenção nas respostas que os candidatos vão dar para os problemas de curto e longo prazo do País, como situação fiscal, competitividade e inserção do país nas transformações tecnológicas globais, e encerrou com a comparação que percorreu toda a palestra: enquanto o mundo discute chips e inteligência artificial, o Brasil ainda debate se vai ter horário de verão.

Diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, falou sobre o crescimento do crédito para o Nordeste. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

BNDES aumenta o crédito para o Nordeste

A diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, concentrou a sua palestra no papel do crédito no desenvolvimento regional do Nordeste. Em 2025, as aprovações de crédito da instituição para a região aumentou 16%, atingindo R$ 19,3 bilhões. “As aprovações para Pernambuco cresceram 60% em 2025 com um volume recorde de liberações de R$ 2,7 bilhões, sendo o melhor desempenho em crédito do BNDES nos últimos 10 anos”, contou Maria Fernanda.

Segundo Maria Fernanda Coelho, as oportunidades da região estão nos setores de energias renováveis , petróleo e gás, indústria automobilística, complexo industrial de saúde, produção de materiais de construção em novas bases técnicas, indústria de bioeconomia com valorização da caatinga, saneamento, agroindústria e produção de alimentos. existem oportunidades

A executiva também destacou o crescimento de 202% em operações de inovação em Pernambuco em 2025 com relação ao ano anterior. Segundo a diretora, um dos instrumentos centrais desse crescimento foram os fundos garantidores, que expandiram 101% de 2024 para 2025 e permitiram ampliar o acesso ao crédito para empresas sem garantias tradicionais. E lembrou que as pequenas e médias geralmente têm dificuldades para apresentar garantias. O BNDES opera hoje com mais de 90 instituições financeiras parceiras e presença em mais de 93% dos municípios brasileiros.

Para o Nordeste, Maria Fernanda citou estar em processo de consolidação uma agenda regional em parceria com o Consórcio Nordeste, Sudene e o Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais, que reúne BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Finep. Estas instituições fizeram uma chamada para projetos de inovação na região, selecionando 189 projetos que vão demandar investimentos de R$113 bilhões. “Historicamente, se dizia que a região não tinha projetos”, ironizou. Em Pernambuco, foram aprovadas 34 propostas no valor de R$ 7 bilhões.

Apesar dos avanços, Maria Fernanda destacou que o principal desafio do Nordeste continua sendo reduzir a desigualdade regional e que a instituição acredita que o aumento do crédito é uma das formas de modificar essa realidade.

O economista chefe do BNB, Rogério Sobreira, disse que o Nordeste faz parte da solução para o crescimento do País. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Nordeste cresce acima do Brasil e é parte da solução, diz economista do BNB

O economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Rogério Sobreira, encerrou o ciclo de palestras com um panorama conjuntural da economia brasileira e um recorte específico sobre o desempenho da região. Para ele, o Nordeste deixou de ser visto como problema estrutural para o país e passou a ocupar posição de crescimento da economia maior do que a nacional, com exceção de 2024. “Não tenho dúvida nenhuma em afirmar como economista que o Nordeste é parte da solução”, disse. Até agora, ele acredita que o crescimento do PIB do País vai fica

Nos últimos dois anos, o Nordeste registrou crescimento sistemático acima da média nacional em praticamente todos os setores. Entre o primeiro trimestre de 2023 e o quarto trimestre do mesmo ano, o rendimento médio real da região avançou 14%, contra 11,9% do Brasil. No mesmo período, a massa de rendimento do Nordeste cresceu 21,6%, frente a 14,6% no País. Em janeiro de 2026, enquanto o setor de serviços recuou no Brasil, todos os setores monitorados apresentaram crescimento na região, apontando perspectiva favorável para o ano.

No crédito, Sobreira identificou uma agenda prioritária para o Banco do Nordeste: ampliar o acesso das empresas nordestinas ao mercado de capitais, incluindo instrumentos como debêntures, **CRA, *CRI e FIDC. A região ainda depende majoritariamente do crédito bancário, com baixa penetração do mercado de capitais em comparação ao restante do país. “O banco quer ser um ator que contribua para que as empresas da região possam cada vez mais acessar a piscina de crédito e de captação através do mercado de capitais”, afirmou.

Até agora, ele trabalha com a expectativa de um crescimento de 2% do PIB brasileiro este ano. No cenário macroeconômico, Sobreira avaliou que a política monetária produz efeitos desinflacionários lentos, mas consistentes, dificultados pela indexação estrutural da economia brasileira. Os riscos estão concentrados na duração do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços internacionais do petróleo e a inflação global. “A medida que o tempo passa e a guerra se prolonga, a probabilidade de materialização desses riscos aumenta”, alertou, sem descartar um cenário de estagflação caso o conflito se intensifique.

Patrícia Raposo diz que o Prêmio Movimento Econômico é um reconhecimento às empresas e empreendedores da região. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Prêmio Movimento Econômico

O Prêmio Movimento Econômico reuniu em sua primeira edição lideranças empresariais, instituições financeiras e especialistas em economia para celebrar os 7 anos do portal e reconhecer empresas e empreendedores da região. A cerimônia contou com discurso de abertura da fundadora do portal, Patrícia Raposo. “Uma jornada de 7 anos que não foi fácil, muitos obstáculos, muita dificuldade, muitos nãos, até que a gente recebe um sim muito importante”, disse, ao relembrar o momento em que foi selada uma parceria com o grupo EQM.

Em março de 2024, o portal firmou uma joint-venture com o *Grupo EQM, presidido pelo empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, com o objetivo de ampliar a estrutura comercial e jornalística do veículo no Nordeste.

Os números do portal traduzem a trajetória. Em 2025, o Movimento Econômico registrou mais de 2,5 milhões de visualizações e conectou mais de 1,3 milhão de pessoas — leitores que buscam, acompanham e compartilham conteúdo sobre economia, política e desenvolvimento. Fundado com o Nordeste no centro do debate, o portal ultrapassou as fronteiras regionais: 42% da audiência está concentrada em *São Paulo, *Rio de Janeiro e Minas Gerais, com presença que se estende ao restante do país e ao exterior.

O prêmio, em sua primeira edição, cumpre o propósito que orientou a criação do veículo. “Mostrar quem são as pessoas que fazem a nossa economia girar, crescer, quem emprega, quem inova, quem contribui”, definiu Raposo. Para a fundadora, todos os finalistas são vencedores, independentemente do troféu. Ela encerrou sua fala com a mensagem que atravessa os 7 anos do portal: “a gente só realiza se a gente persistir. Não adianta desistir, porque desistir você vai ter que começar tudo de novo e isso é um passo para trás.”

Leia também: Prêmio Movimento Econômico consagra líderes e iniciativas que transformam PE

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