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Inflação sobe para 4,71% e mercado eleva IPCA pela 5ª semana consecutiva

Com avanço nas projeções do Boletim Focus, estimativa estoura o teto da meta estabelecida pelo Banco Central diante de incertezas no Oriente Médio
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O ajuste reflete o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos diretos nos custos de transporte e alimentos. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O mercado financeiro elevou, pela quinta semana seguida, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central, a previsão para a inflação oficial do país em 2026 saltou de 4,36% para 4,71%. O ajuste reflete o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos diretos nos custos de transporte e alimentos.

​Com a nova revisão, a estimativa do mercado rompe o limite superior da meta de inflação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu como meta central 3%, permitindo uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Dessa forma, o teto aceitável seria de 4,5%. Ao projetar 4,71%, os analistas indicam que o Banco Central terá dificuldades para manter o controle de preços dentro da faixa oficial.

​Pressão nos transportes e alimentação

O cenário de alta já vinha dando sinais nos indicadores mensais. Em março, o IPCA fechou em 0,88%, impulsionado principalmente pela subida nos preços dos combustíveis e da alimentação. O resultado ficou acima dos 0,7% registrados em fevereiro, acumulando uma inflação de 4,14% nos últimos 12 meses, conforme os dados mais recentes do IBGE.

​O reflexo desse aumento não se limita ao ano corrente. Para 2027, as instituições financeiras também revisaram a projeção de inflação de 3,85% para 3,91%. Para os anos seguintes, entre 2028 e 2029, as estimativas permanecem em patamares ligeiramente mais baixos, fixadas em 3,6% e 3,5%, respectivamente, sinalizando uma expectativa de convergência lenta ao longo do tempo.

​O dilema da Taxa Selic

Para tentar frear a escalada de preços, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta. Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a taxa teve um corte de apenas 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). “Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto”, aponta a análise do setor.

​A cautela do BC se deve ao fato de que, entre 2024 e 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas para conter a demanda. Diante das incertezas externas causadas pela guerra, a autoridade monetária não descarta interromper ou até rever o ciclo de baixas caso o IPCA continue pressionado. O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de abril.

​Expectativas para os juros e crédito

Apesar da alta na inflação, os analistas mantiveram a previsão de que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a trajetória esperada é de redução para 10,5% e 10%, chegando a 9,75% em 2029. O desafio é que juros mais altos, embora combatam a inflação ao encarecer o crédito, também dificultam a expansão da atividade econômica e do consumo das famílias.

​O mercado financeiro observa que os bancos consideram outros fatores ao repassar esses juros. “Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas”, aponta o relatório. Isso significa que a queda na Selic nem sempre chega com a mesma velocidade ao bolso do cidadão.

​PIB e cotação do dólar

No que diz respeito ao crescimento econômico, o mercado manteve a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,85% para este ano. O número é mais conservador do que o registrado em 2025, quando a economia cresceu 2,3% sob a liderança do setor agropecuário. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB ficou em 1,8%, subindo para 2% em 2028 e 2029.

​No câmbio, o dólar segue em patamares elevados. A previsão da cotação da moeda norte-americana para o final deste ano está em R$ 5,37. A expectativa é que a pressão sobre o câmbio continue no longo prazo, com a projeção para 2027 subindo levemente para R$ 5,40, influenciada pela busca de investidores por portos seguros em meio à instabilidade internacional.

Com informações da Agência Brasil.

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