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Governadores do NE vão a Brasília dia 5 articular resposta ao tarifaço de Trump

Até lá, governadores preparam levantamento de impactos econômicos de sobretaxa norte-americana às cadeias produtivas da região
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Governadores do Consórcio NE fazem reunião sobre tarifaço dos EUA. Foto: divulgação
Consórcio NE publicou nota nesta terça-feira (29) anunciando articulação emergencial de governadores para responder à imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras para os EUA. Foto: divulgação – Consórcio NE

Os governadores do Nordeste iniciaram uma ofensiva política junto ao Palácio do Planalto para conter os efeitos do pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros — medida já apelidada de “tarifaço”. O bloco regional, reunido no Consórcio Nordeste, publicou nota oficial nesta terça-feira (29) anunciando que está em diálogo com o Governo Federal, a ApexBrasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

O objetivo é proteger os setores produtivos estratégicos da região, preservar empregos e manter a competitividade das exportações nordestinas, que podem ser diretamente impactadas pelas novas barreiras comerciais impostas pelos norte-americanos.

Setores mais afetados por tarifaço

As tarifas devem atingir em cheio cadeias produtivas fundamentais da economia nordestina, como a fruticultura, apicultura, o setores têxtil e calçadista, a indústria metalmecânica e o setor automotivo.

A avaliação do bloco é de que milhares de empregos e arranjos produtivos locais podem ser comprometidos, com impacto significativo sobre pequenas e médias empresas da região.

“O Nordeste não assistirá passivamente ao impacto dessas medidas. Estamos somando forças com a ApexBrasil e o MDIC para garantir a proteção dos nossos empregos, das nossas empresas e da nossa capacidade produtiva”, declarou Rafael Fonteles, governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste.

Mapeamento técnico e agenda política

O Consórcio já iniciou um mapeamento técnico dos impactos por estado e setor, com estimativas de perdas econômicas e identificação de empresas e produtos diretamente atingidos pelas novas tarifas. A intenção é utilizar esses dados para orientar estratégias de diversificação de mercados, ampliar a capilaridade das exportações e conectar produtos nordestinos a novas rotas comerciais internacionais.

Para alinhar ações com o Governo Federal, os governadores da região terão uma agenda oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, nos dias 5 e 6 de agosto. A programação inclui:

  • 5 de agosto (manhã): Participação na reunião do Conselhão, com discussão sobre os impactos das tarifas americanas;
  • 5 de agosto (tarde): Assembleia Geral do Consórcio Nordeste;
  • 6 de agosto (tarde): Reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

“Defender a economia do Nordeste é defender o Brasil. E é com esse espírito que estamos somando forças”, reforçou Fonteles.

Maiores impactos

Na Bahia, 50 toneladas de manga devem ter exportação travada; o açúcar pernambucano é a principal operação da pauta de exportação para os EUA no Porto do Recife; a laranja sergipana já está encalhada nos portões das duas empresas exportadoras da fruta para o mercado americano. Cada estado nordestino já contabiliza prejuízos previstos após o início do tarifaço de Trump. No entanto, dentre os estados nordestinos, o Ceará deverá ser o mais afetado pelas novas alíquotas norte-americanas, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O levantamento da Comex Stat aponta que 52,2% das exportações cearenses são direcionadas aos EUA, somando US$ 557 milhões em negócios. Siderurgia e o setor de calçados cearenses foram os que mais exportaram com destino aos Estados Unidos.

De janeiro a junho de 2025, as exportações do Ceará para os EUA cresceram 184% com relação ao mesmo período de 2024. Diante destes números, a estimativa é de que o tarifaço impacte em pelo menos 125,5 mil postos de trabalhos cearenses ligados às exportações.

caminhões na Maratá Sucos
Em Sergipe, caminhões carregados de laranja estão parados em frente à sede da Maratá Sucos, em Estância. Empresa parou de comprar diante da incerteza imposta pelo tarifaço. Foto: Samara Fagundes

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