
O Recife vai abrigar o Centro de Bionegócios e Estudos da Caatinga, que vai realizar pesquisas e criar modelos de negócio para empresas, cooperativas e pequenos produtores da área do bioma. O equipamento será instalado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integra o programa Impacta Bioeconomia, coordenado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com o objetivo de fomentar cadeias produtivas baseadas na biodiversidade da região semiárida.
Com investimento de R$ 14,9 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o centro será uma referência em inovação científica e tecnológica voltada à bioeconomia da Caatinga, reunindo esforços em pesquisa aplicada, desenvolvimento de produtos e transferência de tecnologia. A previsão é que os laboratórios sejam entregues até o final de 2025.
O novo centro vai atuar no desenvolvimento de bioinsumos, biomoléculas, bioóleos e compostos bioativos, além de oferecer suporte técnico e tecnológico para agregar valor às matérias-primas extraídas do bioma. Entre os objetivos está a criação de uma extratoteca — um banco de extratos vegetais com potencial de uso comercial — que poderá subsidiar tanto novos produtos farmacêuticos quanto cosméticos, alimentos funcionais e insumos industriais.
Segundo o professor Luis Alberto Lira Soares, da UFPE e coordenador da proposta aprovada pela Finep, a estrutura eliminará gargalos históricos da pesquisa na região. “Hoje precisamos enviar amostras para outros estados por falta de equipamentos. Com o novo centro, conseguiremos desenvolver soluções completas aqui mesmo, promovendo inovação diretamente conectada às necessidades locais”, afirmou.
Rede Impacta Bioeconomia: metas estratégicas para o Nordeste
Lançada em janeiro de 2024, a Rede Impacta Bioeconomia articula universidades, centros de pesquisa, governos e organizações socioprodutivas em torno de seis metas prioritárias. A primeira atua com derivados do umbu; a segunda com o maracujá-da-caatinga; a terceira reúne estudos com pitanga, acerola e melão-de-são-caetano. A quarta meta é voltada ao desenvolvimento de defensivos agrícolas naturais, enquanto a quinta trabalha com o mapeamento das cadeias de valor e a sexta tem foco na produção de mel de abelhas nativas.
A estruturação da rede teve início com a identificação de cooperativas e associações com maior grau de organização e potencial para atuar com espécies vegetais e animais. O projeto tem atuação inicial concentrada na Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) Petrolina-Juazeiro e na Mata Atlântica, mas já prevê sua articulação para os demais estados do Nordeste por meio de novas parcerias.
Caatinga: integração entre ciência, mercado e comunidades
O Centro de Bionegócios será operado em regime multiusuário, com acesso gratuito para instituições públicas e universidades. A estrutura também estará disponível para cooperativas e pequenos empreendimentos que atuam na transformação de insumos naturais da Caatinga, promovendo a inclusão produtiva e a geração de renda.
As pesquisas serão orientadas para atender demandas práticas do setor produtivo regional, com ênfase na criação de modelos de negócio replicáveis, que possam ser adaptados a diferentes realidades sociais e ambientais. A ideia é promover uma bioeconomia baseada em conhecimento científico, inovação e sustentabilidade.
Além do suporte tecnológico, o centro também vai atuar na formação de recursos humanos especializados, com capacitação de técnicos, pesquisadores e lideranças locais em temas como biotecnologia, regulamentação sanitária e gestão de bionegócios.
Política pública com foco no semiárido
Para o superintendente da Sudene, Danilo Cabral, o centro representa uma política pública estratégica de desenvolvimento regional. “Estamos estruturando uma rede de conhecimento que valoriza a Caatinga como ativo econômico. Essa iniciativa fortalece a bioeconomia nordestina e gera oportunidades sustentáveis para o povo do semiárido”, declarou.
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