
O avanço do Arco Norte como rota estratégica para o escoamento da produção agrícola brasileira está reposicionando a logística como um dos setores mais promissores para investidores e assessores financeiros. A infraestrutura, que conecta o Centro-Oeste aos portos do Norte e Nordeste, vem sendo estimulada pelo agronegócio já responde por mais de 40% das exportações de soja e milho, consolidando-se como uma alternativa relevante ao tradicional corredor Sudeste.
Esse crescimento atrai o interesse de empresas e fundos com apetite para consolidar operações e financiar a expansão da malha logística regional. A cadeia logística do Arco Norte envolve o transporte rodoviário a partir do Mato Grosso até portos como Santarém, Itaituba, Itaqui e Belém, de onde a carga segue por via fluvial até os terminais marítimos. A operação, intensamente multimodal, tem impulsionado a diversificação de empresas regionais, muitas das quais antes focadas no transporte de combustíveis e que agora migram para o agronegócio, inclusive no transporte de fertilizantes no fluxo inverso.
“Há uma cadeia crescente de operadores regionais ganhando espaço, especialmente no Norte e em estados como Rondônia, Pará e Maranhão”, afirma Arthur Meyer, sócio da Pequod Corporate Advisory, nova divisão da Pequod Investimentos voltada à estruturação de operações de M&A e emissões de títulos corporativos.
Segundo Meyer, muitos desses negócios ainda estão fora do radar dos grandes bancos por atuarem em nichos de menor escala, mas com elevado potencial de crescimento. “Quando você baixa a régua, começa a enxergar oportunidades sólidas em segmentos como graxarias, castanha, pecuária e frutas”, completa.
Nordeste em ascensão logística
Além do Arco Norte, os polos logísticos do Nordeste também vêm ganhando destaque. A Pequod já possui operações em Recife (PE), Caruaru (PE), Fortaleza (CE) e Maceió (AL), com mais de R$ 4 bilhões sob custódia em ativos no Brasil e no exterior. Estados como Sergipe, Paraíba e Pernambuco emergem com clusters logísticos relevantes, especialmente o Porto de Suape, que se prepara para um novo ciclo de expansão com a implantação de um segundo terminal portuário.
“Em Suape, já estamos negociando com empresas que atuam como elo entre os armadores internacionais e os centros de distribuição locais — seja com carga seca, refrigerada ou containerizada”, detalha Meyer.
Segundo ele, a cadeia de cabotagem está em plena expansão e representa uma oportunidade estratégica para conectar produção regional a mercados consumidores.
Nova frente de atuação: renda fixa e M&A regional
A Pequod Corporate Advisory nasce com a proposta de operar exclusivamente no segmento de pessoa jurídica, oferecendo serviços comparáveis aos de consultorias globais como PwC, KPMG e Deloitte. O portfólio inclui:
- Compra e venda de participações societárias;
- Estruturação de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs);
- Emissão de debêntures;
- Busca de investidores financeiros e estratégicos.
O foco está em transações a partir de R$ 15 milhões, especialmente em empresas médias com forte presença regional e potencial de escala.
“Existe um espaço imenso para ser explorado — tanto em grandes empresas mal atendidas pelos bancos tradicionais, quanto em companhias médias que crescem rapidamente, mas ainda carecem de estrutura financeira adequada”, observa Meyer.
A renda fixa desponta como principal porta de entrada para esse universo. Segundo Meyer, instrumentos como CRIs, CRAs e debêntures permitem que empresas financiem sua expansão com mais previsibilidade, governança e autonomia em relação ao crédito bancário tradicional.
“É uma forma de sair da dependência exclusiva dos bancos e acessar diretamente os investidores institucionais”, reforça.
Paralelamente, o ambiente de fusões e aquisições (M&A) tende a ganhar tração à medida que essas empresas ampliam escala e maturidade. A expectativa da Pequod é movimentar cerca de R$ 1 bilhão em operações de M&A e até R$ 3 bilhões em renda fixa nos próximos cinco anos.
“A cadeia logística regional é uma das mais dinâmicas e menos assistidas por assessoria qualificada. Nosso papel é preencher essa lacuna, conectar capital e estratégia”, conclui Meyer.
Com apenas seis anos de operação, a Pequod já administra uma carteira de ativos superior a R$ 4 bilhões e aposta na interiorização da assessoria financeira como diferencial competitivo — em um setor tradicionalmente concentrado no eixo Rio–São Paulo.
Veja também:
A gigante da logística do Nordeste que é referência nacional
Logística do Matopiba tem reforço com investimento de R$ 700 milhões na BR-330
iFood investe em Sergipe como piloto de revolução logística com drones
Logística à prova na Black Friday: desafio crescente no Nordeste digital
E-commerce avança e empurra Correios para fora do centro da logística nacional









