
Tributação, defesa comercial e atualização dos dados da cadeia produtiva serão os três pilares da estratégia que o Polo de Confecções de Pernambuco pretende adotar para reduzir os impactos da chamada “taxa da blusinha”. A definição ocorreu nesta segunda-feira (8) durante a primeira reunião do grupo de trabalho criado pelo Governo do Estado.
Além de discutir ajustes tributários e mecanismos de incentivo à produção local, o grupo começou a desenhar ações imediatas para ampliar as compras governamentais de produtos confeccionados em Pernambuco e fortalecer a presença da moda pernambucana em novos mercados. Também foi definida como prioridade a realização de uma nova pesquisa censitária para atualizar o retrato do setor, cuja última radiografia abrangente foi realizada há mais de uma década.
Foram debatidas ainda medidas de curto, médio e longo prazo voltadas à preservação da competitividade. O setor movimenta cerca de R$ 18 bilhões por ano e gera mais de 300 mil empregos em mais de 60 municípios.
Participam do grupo de trabalho representantes do Sinditêxtil, Sindivest, Sebrae, Moda Center, associações empresariais de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, Federação das Associações Comerciais, além de integrantes da Assembleia Legislativa e de órgãos do Governo do Estado. A expectativa é que as primeiras propostas sejam consolidadas nas próximas semanas e que parte das medidas emergenciais comece a ser implementada ainda neste mês.
Organização de prioridades de ações
Segundo o diretor do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), Pedro Miranda, a reunião serviu para organizar as discussões em três horizontes de atuação.
“Identificamos os principais temas que estarão em discussão para, nos próximos 15 dias, apresentar soluções. Estamos olhando para três horizontes: o momento atual, o médio prazo e o longo prazo”, afirmou.
A frente tributário-fiscal deverá concentrar parte das medidas de curto prazo. De acordo com Miranda, já existem estudos em andamento na Secretaria da Fazenda (Sefaz) e demandas apresentadas pelo setor produtivo que estão sendo analisadas pela Diretoria de Política Tributária do Estado. “Existe uma demanda dos empresários e parte dessas análises já está em avaliação. Aquilo que depende de decisão do Estado já está encaminhado”, disse.
A mobilização ocorre em meio às preocupações do setor com os efeitos da Medida Provisória nº 1.357. Na avaliação das entidades empresariais, as mudanças tributárias ampliam a competitividade dos produtos importados de baixo valor, especialmente os provenientes da Ásia, aumentando a pressão sobre a indústria nacional.
Compras governamentais entram na lista de prioridades
Entre as medidas consideradas mais rápidas de implementar está a ampliação das compras públicas de produtos confeccionados em Pernambuco. A proposta é fortalecer o programa PE Produz Confecção e ampliar a participação das empresas do polo nos processos de contratação do Estado.
“Pedimos que o Estado avance imediatamente em ações que gerem resultado. As compras governamentais são uma delas porque potencializam a produção local”, afirmou Miranda.
Hoje, parte da produção do polo já abastece a rede estadual por meio do fornecimento de fardamentos escolares. A intenção é expandir esse mercado para outros órgãos públicos. “Saúde, segurança pública e diversos órgãos estaduais utilizam produtos confeccionados. Pernambuco produz do pé à cabeça. Temos empresas preparadas para atender essa demanda”, destacou.
Segundo o dirigente, a estratégia exigirá também uma mobilização das próprias empresas para ampliar sua participação nos editais públicos. “A ampliação das compras governamentais será muito positiva, mas muitas empresas ainda não participam desses processos. Será necessário estimular essa participação”, observou.
Novo censo vai mapear polo de confecções
Outro encaminhamento da reunião foi a elaboração de uma nova pesquisa censitária sobre a cadeia de confecções. O objetivo é atualizar informações sobre um setor que passou por profundas transformações nos últimos anos, impulsionado pelo avanço do comércio eletrônico e pela adoção de novas tecnologias.
A última pesquisa realizada pelo Sebrae sobre o polo data de 2012. O NTCPE conduziu um novo levantamento em 2017, mas as entidades consideram que os dados já não refletem a realidade atual do mercado.
“Precisamos atualizar essas informações porque o polo mudou significativamente na última década. O mercado mudou, surgiram novas tecnologias e o e-commerce ganhou força. Precisamos entender melhor essa nova realidade”, afirmou Miranda.
O levantamento deverá abranger mais de 60 municípios pernambucanos que atualmente possuem atividades ligadas à cadeia de confecções.
Defesa comercial e promoção da moda pernambucana
A terceira frente de trabalho será dedicada à defesa comercial e à abertura de novos mercados para os produtos produzidos no Estado. A proposta inclui campanhas institucionais de valorização da produção local, ações de promoção da moda pernambucana e participação em feiras e eventos pelo Brasil.
“Temos um eixo voltado para defender os produtos produzidos em Pernambuco e colocá-los em novos mercados. Isso passa também por ações de divulgação e marketing para a valorização da moda pernambucana”, afirmou o diretor do NTCPE.
Compras governamentais entram na lista de prioridades
Uma proposta apresentada ao governo do estado pelos empresários do polo – que na opinião deles seria de rápida implementação -, é a ampliação das compras públicas de produtos confeccionados em Pernambuco. A proposta é fortalecer o programa PE Produz Confecção e ampliar a participação das empresas do polo nos processos de contratação do Estado.
“Pedimos que o Estado avance imediatamente em ações que gerem resultado. As compras governamentais são uma delas porque potencializam a produção local”, afirmou Miranda.
Hoje, parte da produção do polo já abastece a rede estadual por meio do fornecimento de fardamentos escolares. A intenção é expandir esse mercado para outros órgãos públicos. “Saúde, segurança pública e diversos órgãos estaduais utilizam produtos confeccionados. Pernambuco produz do pé à cabeça. Temos empresas preparadas para atender essa demanda”, destacou.
Segundo o dirigente, a estratégia exigirá também uma mobilização das próprias empresas para ampliar sua participação nos editais públicos. “A ampliação das compras governamentais será muito positiva, mas muitas empresas ainda não participam desses processos. Será necessário estimular essa participação”, observou.
Leia também: Grupo de trabalho busca salvar polo têxtil da “taxa da blusinha”











